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Câmara emite Moção de Repúdio após suposta agressão a Vereador. Caso já chegou ao conhecimento de autoridades estaduais e federais

Caso deve chegar a Brasília na próximos dias, por meio do líder do partido do vereador, Antônio Brito, segundo informou em plenário
Vereador afirma que teria sofrido agressões de policial e Câmara emite Moção de Repúdio.
Na última sexta (30), durante sessão convocada para votação de dois projetos, o assunto predominante foi o incidente envolvendo o vereador Nil Prefeitura na última quarta-feira (28), no qual o vereador alega que foi agredido por um policial civil, após uma abordagem policial. Solidários a Nil Prefeitura, os demais vereadores assinaram uma Moção de Repúdio e encaminharam a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP) e a Corregedoria da Polícia Civil. Ambas as instituições já haviam sido procuradas por um grupo de vereadores no dia seguinte a ocorrência que gerou o incidente. O Ministério Público Estadual, em Salvador, foi procurado pelos vereadores que colocaram a instituição a par dos ocorridos, conforme relatou vereadores durante a sessão. Ainda segundo os vereadores, deputados estaduais e federais já tomaram conhecimento do caso e se solidarizaram com o vereador, fornecendo a estrutura necessária para adoção de procedimentos, assim como se comprometeram a levar o caso nos plenários das casas. Na próxima segunda o caso deve chegar a Assembléia Legislativa da Bahia, por meio da Comissão de Direitos Humanos e por deputados que prometem levar o assunto aos demais legisladores. Já o deputado federal Antônio Brito, liderança do PTB deve levar o caso na próxima terça-feira a Brasília, informou o vereador. Uma Moção de Solidariedade foi assinada por todos os vereadores em apoio ao vereador Nil.

Já a Moção de Repúdio foi lida durante a sessão pelo 2º secretário interino, vereador Índio, na qual contém o relato dos fatos que teriam ocorrido. Segue abaixo o conteúdo lido da Moção de Repúdio e em seguida o pronunciamento de cada vereador presente sobre o caso:

“Os vereadores que subscrevem solicitam a Mesa Diretora desta Casa, que após tramitação regimental, seja encaminhada a Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia e Corregedoria da Polícia Civil, Moção de Repúdio contra o policial civil Albano Silva Cerqueira. Justificativa. Aos 28 dias do corrente mês e ano, o vereador Marinildo Pereira (PTB), conhecido como Nil Prefeitura, saiu da Câmara de Vereadores junto com Enéas, Marluce e Ane que faziam companhia ao mesmo. Juntos foram no carro do vereador para o bairro o Planalto I, onde todos residem. No momento em que adentravam no veículo, o vereador notou que um viatura da Polícia Civil passava por este. Continuaram, mas foram interceptados de forma brusca e violenta pela viatura. Ainda sem compreender a situação, o vereador Marinildo, se colocou a disposição dos policiais, sendo que um deles, pré-nome, Albano, exigiu apresentação da CNH e documentação do veículo. Sendo informado pelo vereador que a documentação do veículo estava em mãos, mas que não portava a CNH. De pronto o policial civil deu voz de prisão ao vereador e ainda informou que o carro estava apreendido e assim queria conduzir o mesmo no carro da polícia. O vereador reconheceu o erro, por não portar a CNH, e ofertou as chaves para que o supracitado policial levasse o veículo para delegacia. Entretanto, se recusou a adentrar na viatura policial, pois não era marginal. Em resposta, o policial Albano tentou algemar o vereador e passou a agredi-lo com socos e xingamentos. Vejamos o teor da conversa, teria dito o policial Albano, “Quem é você, vereador de nada? Você é vagabundo. Não disse que iria te pegar?”. Ressalta-se que o vereador é conhecido na cidade pelo próprio policial, já que é lotado naquela delegacia há bastante tempo. As agressões continuaram e o vereador temendo o pior se refugiou na primeira casa que avistou, mas esta foi invadida pelos policiais, que pararam de agredir em função da intervenção da dona da casa.  Populares que assistiram ao episódio resmungaram e ficaram indignados com as atitudes dos policiais. Ainda sem resistir, o vereador saiu da casa e acompanhou seus agressores, policias, até a delegacia de Catu e após procedimento foi encaminhado para Alagoinhas, para realização de exame de Corpo e Delito. Sala das Sessões, 29 de agosto de 2013”. 
Abaixo segue o pronunciamento feito por cada vereador sobre o assunto na sessão:

Vereador Pequeno Sales (PTB)
“Na primeira vez que o vereador fez a denúncia sobre o problema da fila houve um problema com ele. Agora que ele falou que estão fazendo um muro lá em cima e que não fez o muro do cemitério acontece uma cena desta. Então, fazer uma crítica e apanhar. Você vai num lugar está blindado. Se você for olhar, toda a administração tem algum vínculo com policial. Então eu tô com medo. Ontem fui dormir meu filho me abraçando, “Meu pai você precisa estar numa situação desta?”, quer dizer, meu filho com 9 anos. A gente é vereador da cidade, com o intuito de fazer o bem para a cidade. Acho que toda a crítica ela é construtiva, tanto que até agora já são 9 meses e não tem uma denúncia no Ministério Público. Então por que está perseguição? Eu trabalho em Alagoinhas e estou com medo de chegar no meio do caminho e ser abordado por alguma situação. Mas dizer Nil que você está de parabéns continue com seu trabalho. Estou vendo que nas redes, o povo de Catu está comentando, não baixe a cabeça. Não vou dizer que a forma que ele lhe abordou se foi intencional ou se foi mandado, mas que foi muita coincidência. Quem não conhece Nil Prefeitura em Catu? Até porque você já fez uma representação contra ele no Ministério Público. Por que ele te dar um murro sentado?”

Vereador Bem Te Vi (PTB)
“Acredito eu que os fatos serão apurados e seja ele qual for não justifica que atos desta natureza venha acontecer com o nobre colega, mesmo porque o vereador tem o direito de ser notificado, de ser ouvido, de ser chamado para esclarecimento para relatar qualquer que seja a situação [...] não dá o direito a quem quer seja de denegrir e até agredir fisicamente o nobre colega. Então Nil, eu quero dizer que eu tenho certeza, certeza absoluta, que não houve mandado de Geranilson. Eu tenho certeza que jamais conhecendo a pessoa de Geranilson, jamais ele iria concordar com atos desta natureza”.

Vereador Nenga do Leite (PSD)
“Nós vereadores não podemos nos calar. Nos fomos eleitos para isso. Para fiscalizar e para denunciar. Eu que participei por oito anos aqui, durante a administração da ex-prefeita Gilcina Carvalho, e já presenciei por diversas vezes vossa excelência [Vereador Adilson] foi na praça dos táxis, na feira e nunca foi coagido nem por polícia, nem por prefeito, nem por ninguém pelos seus atos combatentes. O ato que aconteceu com o vereador Nil Prefeitura foi um ato de perseguição, um ato que não deve mais acontecer com nós vereadores, porque nós temos imunidade parlamentar [...] Nós víamos o que aconteceu, parecia que ele estava transportando um marginal, um ladrão e aqui não existe. Com a sirene da viatura todo mundo vendo e não precisava ir com a sirene aberta, parecendo que Nil era um marginal, um perigoso. O vereador Paulo parou o carro e disse “Se for assim nós não vamos” porque o vereador é uma autoridade [...] O policial não estava fazendo blitz, viu o carro do vereador, abriu a sirene quando viu o carro do vereador e abordou o vereador e nós sabemos que ele não estava fazendo uma blitz [...] Nós estamos vendo que foi um ato político, foi um ato porque o vereador chegou aqui e denunciou, mas não falou nome de ninguém hora nenhuma. Então vamos parar com estas politicagens contra nós representantes do povo. Então senhor presidente eu gostaria que esta Casa tomasse as devidas providencias, que desse cobertura ao vereador, porque quarta-feira foi ele, na próxima pode ser eu, pode ser outro colega nosso e atos como esse não pode acontecer no nosso município [...] Nem no plenário da Câmara nós não podemos falar nada, temos que fazer que nem o vereador Pequeno fez, colocar o esparadrapo, entrar calado e sair mudo”.

Vereador Paulo de Cacinho (PR)
“Quero ser solidário ao vereador, cidadão e, em especial, pai de família Nil. Porque vereador vai passar e pai de família vai continuar para sempre. Ergue a cabeça porque você é um cara de bem. Quero dizer que fui o primeiro vereador a ir a delegacia, o vereador Enéas ligou pra mim, e senti muito ao ver um companheiro, um irmão, um pai de família naquela situação lamentável [...] Pelo que sei não era uma blitz, ele tinha o direito de levar o carro e não exigir a carteira de habilitação porque isso é papel da polícia militar, até onde sei. Dizer também companheiro Nil que se foi uma perseguição que isso não partiu da gestão, do prefeito de Catu [...] enquanto os outros policiais estavam no fundo do meu carro ligando a sirene quando eu parei eles 'Olhe meu amigo você vai ter que parar seu carro, porque aqui você não está conduzindo nenhum vagabundo, nenhum estuprador, nem ladrão. Você está conduzindo pessoas de bem que está sendo apenas perseguido por pessoas da comunidade, de vocês', foi quando ele parou e fomos conduzidos até Alagoinhas”.

Vereador Nenen de Iozinho (PSD)
“Um fato lamentável como este não pode acontecer. Quero aproveitar para dizer que isso não partiu do nosso gestor, porque se tratando de um homem de bem como nosso prefeito, Geranilson, jamais partiria uma ação desta dele. Quando fiquei sabendo primeiro passamos aqui na prefeitura, ele imediatamente pegou o telefone ligou para o delegado, não conseguindo falar, ligou pra Cipó, onde conseguiu falar com Cipó, onde procurou saber do fato e passou para nós e disse 'Vão lá, vão lá na delegacia ver o que foi que aconteceu'. Fiquei grato, muito feliz, quando vi a união de todos os vereadores presentes, inclusive o presidente desta Casa. Essa Câmara de Vereadores é uma Câmara que dá o respeito e que quer respeito”.

Vereador João do Ônibus (PSD)
“Quero te dizer Nil, estou aqui do seu lado, eu te conheço há muitos anos e minha família também. Acho que esta coisa que aconteceu não era pra ter acontecido, porque a pessoa sem ter o documento, tudo bem, sem ter habilitação, mas não há motivo para uma pessoa o conduzir até a delegacia, principalmente um vereador. Eu acho que a pessoa que está em um veículo sem documento, o policial tem que parar e arranjar uma pessoa habilitada para conduzir seu veículo. O documento não está atrasado, nem está nada, não há necessidade de a pessoa fazer um ato desse. Infelizmente aconteceu, eu estou aqui solidário a você. Eu acredito também que isso não partiu de lá da parte da administração, porque eu conheço muito Geranilson, há muitos anos, é um amigo, um irmão e tenho certeza que da parte dele não saiu”.

Vereador Enéas (PR)
“Eu não deixaria de me manifestar a este desagradável acontecimento com a pessoa do vereador Nil Prefeitura. Esse rapaz que eu tenho um apreço muito grande. Ele que vem defendendo os interesses do nosso município. Tomei essa notícia até no momento em que você tomava o celular para ligar para o advogado, Dr. Bruno, nesse momento estávamos fazendo alguns encaminhamentos e você no telefone gritando 'Bruno, advogado, rápido venha que estão me prendendo”, quando desligaram e tomaram o seu celular e naquele momento teve um blackout em Salvador e ficamos desnorteados, procurando uma saída de fuga de Salvador para chegar na delegacia e se fazer presente [...] Eu tenho pregado aqui nessa Câmara o respeito que tem que ter com o vereador e fato como esse já aconteceu, é a segunda vez. Isso é uma questão pessoal. Então, presidente, eu gostaria que nesse momento houvesse essa união, essa discussão e gostaria que não se pare aqui, tome esta conotação juntamente com o Ministério Público ou a juíza do nosso município, para dizer que os vereadores aqui estão sendo coagidos. Inclusive a gente tem uma vereadora, já pensou uma pessoa dessa dar nem que seja um tombo na vereadora? [...] Como nós iremos fazer uma audiência aqui sobre segurança pública, com um vereador aqui que foi coagido, que foi preso, que foi levado conforme mostra ai a narração do fato. Então deixa todo catuense constrangido”.

Vereador Bibi (PDT)
“Eu fiquei triste com este fato que veio acontecer em nosso município. Aonde eu nunca vi este fato, de uma autoridade tomar um murro de um policial. O nobre presidente vinha se aproximando, eu me aproximei junto com ele e o delegado chamou o nobre presidente e o presidente procurou saber o que tinha acontecido, aonde o delegado chegou a falar para o presidente que tinha acontecido um assalto na cidade e os policiais estavam fazendo uma blitz. E a coincidência que o carro era um Uno vermelho e eles pararam o carro do nobre vereador. A única palavra que  o presidente falou foi 'E o policial não conhecia o vereador?'. E nas palavras dele ele disse que o policial não conhecia o nobre vereador Nil Prefeitura. Então muitas coisas estão erradas. Quando ele falou estas palavras para o nobre presidente eu abaixei a minha cabeça e disse 'Assim como aconteceu com o nobre vereador Nil, pode acontecer comigo e outro vereador'".

Vereadora Clara Sena (PV)
“Profissionais preparados e despreparados existem em todas as áreas e isso é incontestável. Só que existe uma coisa chamada direitos humanos. A gente tem que pensar o seguinte, nenhum policial pode abordar, e não é o vereador não, é o povo, da maneira como foi feita. Em outra sessão, há 3 semanas, no dia que Giovane teve aqui, junto com ele teve outro rapaz para se pronunciar e falar neste sentido, do tratamento de alguns policiais aqui na nossa cidade. Tudo isso tem que ser visto, porque se o nosso povo tem sido tratado desta maneira alguma coisa está errada. E se chegou ao ponto de uma autoridade do nosso município receber este tipo de tratamento é porque a coisa realmente já extrapolou. Então as medidas adequadas precisam ser tomadas o quanto antes. Se Nil fosse um cidadão comum ele não teria o direito de tratar Nil como foi tratado, agora imagina vocês em se tratar de uma autoridade.

Vereador Índio (PSB)
“O importante nessa história é o Estado de Direito Democrático que a gente vê ser ferido. Nós nos elegemos para ser vereador, temos autonomia no que fala e isso tem que ser respeitado por qualquer instituição, judiciária, legislativa e executiva. Nós não vivemos mais nos anos de 64 [ditadura militar]. Eu não sou deste tempo, então a gente não pode voltar novamente aquele estado de direito totalmente cerceado. A gente viu a primeira vez isso acontecer aqui dentro desta Casa, pensávamos que já teria extirpado isso, e volta novamente a situação. O policial disse que não conhecia, acho que fica uma coisa meio inconsistente e incoerente da parte dele. Seria mais natural se tivesse dito a verdade, 'Não gosto dele e fui atrás', como diz na fala 'Não disse que te pegava?'. Hoje foi ele, amanhã quem sabe? Eu posso estar de repente aqui oposição, pois o futuro só Deus pode dizer. Hoje estou assim como estou vereador. Amanhã pode ser a minha vez de estar querendo me pegar, fazer uma emboscada e eu ando nestes brocotós ai dos meios do mato e posso ser emboscado. Eu também não participei muito dos governos de Gilcina, apenas nos últimos 4 anos, pois estava trabalhando em Macáe, vi algumas vezes aqui a briga do companheiro Adilson pela situação da melhoria do município, mas a gente não via este tipo de cerceamento. A gente espera que o prefeito, ele realmente é a autoridade maior do município, que ele possa estar tomando também, juntamente com a gente, em relação a esta situação que foi feita.

Vereador Nil Prefeitura (PTB)
“Diante de tudo quero agradecer a minha família, que meu deu todo apoio, aos meus amigos, ao povo, todos os colegas que de um jeito ou de outro compareceram naquele dia e se solidarizaram com o fato que aconteceu. As redes sociais, a imprensa, que tem ligado pra mim e marcado uma coletiva, mas por motivo maior, seu presidente, vou me pronunciar na hora certa. As providências já foram e estão sendo tomadas e tenho certeza, a verdade vai vim. Da onde eu vim sempre disse que eu tenho criação, tenho princípio, vim de família fraca, me tornei representante do meu povo porque Deus permitiu e o povo quis. Eu também conheço os meus direitos. Pouco e aonde até fui eu conheço os meus direitos”.

Vereador Adilson (PT)
“Eu não poderia deixar de me pronunciar por um fato inusitado, inédito, lamentável e deplorável que aconteceu em nosso município com o excelentíssimo vereador Marinildo. Indiscutivelmente esta ameaça, essa agressão, essa violência, essa tentativa de intimidação, de calar, foi um ato de autoritarismo, de tirania, de truculência, de arbitrariedade e que também, indubitavelmente, tem conotação política sim. Tem sim. Porque eu pergunto, quais os interesses, qual o incômodo, qual o desconforto, que as declarações, as denúncias, as palavras e as ações do vereador tem causado neste policial? É a esse policial que incomoda por um acaso? O policial tem algum problema com ele, ou algum pregresso? Não tem. Então não vejo porque fugir desta discussão ou negar isso. Nós temos que ser autênticos e verdadeiros. Porque não se enfrenta o problema sem ir no âmago da questão. E aí vou fazer uma ligação com duas coisas aparentemente distintas e que não tem nada a ver uma com a outra. A coisa mais importante não é o que se faz, mas como se faz, é a maneira que se faz, é a conduta, é a forma de ser e de agir. Não adianta agir com falsidade, com hipocrisia, fazer conchavo, fazer manobra, fazer ameaça, fazer armação, porque no final das contas prevalece o que Aquele dali [Deus] quer. Todos aqueles que pra chegarem ao poder usaram de métodos escusos, que fizeram armação, conchavo, esquema, que recorreram a malas de dinheiro, depois chegaram ao poder, sentaram no trono, pensaram que estava crente e abafando, e as consequências depois vieram e a situação degringolou, desandou e os problemas vieram à tona. E ainda virão, pois quando não vem hoje, vem amanhã, vem anos depois, e um dia o preço se paga. Eu lembro sempre Collor. Lembram de Fernando Collor de Melo? Aquela empáfia, aquela arrogância, aquela truculência, aquela pose toda. Vejam a desgraça que se cercou na vida dele. Morte de mãe, de irmão, separação da mulher, um inferno, um horror e ele pensando que tinha encontrado o paraíso. Então o mais importante é agirmos de acordo com a nossa consciência. E é por isso que eu faço questão de dizer, que este fato de agora é simplesmente mais um e que eu também já fui vítima. Porque o desejo, a vontade para quem é autoritário, para quem é arrogante, para quem é prepotente é vontade de trucidar, de ir na goela, de esmagar, e de até matar mesmo fica ali latente. Só fica esperando a hora e a oportunidade de fazer isso. Eu fui vítima, e o nobre vereador Marinildo lembra disso, eu fui vítima o ano passado, só pelo fato de participar de uma manifestação, de ser solidário de um rapaz da Santa Rita, o Miau, que fui indiciado. Imaginem o vereador Adilson foi indiciado e foi encaminhado uma denúncia ao Ministério Público por ter participado de baderna, de ter formado nem sei o quê, que não tomei conhecimento do teor desta representação. E olhe que esse grupo político, que eu faço parte, ainda nem tinha chegado ao poder. Então é preciso tomar as providências e todas elas que forem necessárias podem contar com o nobre vereador, não somente comigo, mas com a presidência e com a Câmara de Vereadores.

PARTE 2 - "Pojuca: 30 anos de uma tragédia que poderia ter sido evitada". A cobertura da Revista Veja

Neste sábado (31), completa 30 anos de uma das maiores tragédias ferroviárias do país, ocorrida no município de Pojuca, na qual dezenas de pessoas foram mortas e centenas ficaram feridas, após o descarrilamento de um trem carregado de gasolina e diesel. Uma série de negligências provou a tragédia e fez com que as proporções fossem traumatizantes. O fato acompanhado pela imprensa nacional e a tragédia levantou novas discussões que provocaram fortes mudanças na regulamentação de segurança das atividades ferroviárias no Brasil. Um mês depois da tragédia, o transporte de passageiros por trem foi suspenso em importantes linhas da Região Metropolitana de Salvador. O Expresso preparou para seus leitores a série "Pojuca: 30 anos de uma tragédia que poderia ter sido evitada", resgatando reportagens da época nos principais meios de comunicação do país. Abaixo segue a parte II da série, com a cobertura da Revista Veja:



Descaso e tragédia: Uma cadeia de omissões causa uma catástrofe em que dezenas de pessoas perdem a vida sob as chamas (Revista Veja, Edição 783, 7 de setembro de 1983)



O superintendente da Rede Ferroviária Federal na Bahia, Walter Geb Valverde, envergava um terno aprumado, na manhã de quarta-feira [31 de Agosto de 1983], pronto para comparecer a uma solenidade, em Salvador, em que estaria presente o ministro Cloraldino Severo, dos Transportes, quando foi informado de que, 2 horas antes, três vagões contendo 126.000 litros de gasolina haviam descarrilado de um comboio, em plena área urbana no município de Pojuca, a 68 quilômetros de Salvador. Talvez por estar acostumado com os constantes acidentes na antiga precária Linha Norte, com 462 quilômetros, ligando o terminal de Madre de Deus, na Bahia, ao de Riachuelo, em Sergipe, ou sem vontade de perder a programação organizada para recepcionar o ministro dos Transportes, em vista à Bahia, Valverde deu pouca importância ao fato: limitou-se a despachar dois engenheiros a Pojuca, para averiguações de praxe. Foi este o primeiro elo da gigantesca corrente de erros e omissões que acabaria por provocar a morte de pelo menos 48 pessoas [atualmente fala-se em um número bem maior], e ferimentos graves em outras 162 [número também considerado amor nos dias de hoje], muitas delas ainda com risco de vida, em uma das mais dantescas catástrofes ocorridas no país nos últimos anos.

CENAS DE GUERRA
“As labaredas subiram de repente, fazendo um barulho de vácuo”, conta Carlos Antônio dos Santos, na época com 20 anos, uma das testemunhas da tragédia. “Vi pessoas pulando dentro das chamas, pensei em acudir, mais quando vi o fogo próximo saí correndo.” A explosão de um dos vagões ocorreu pouco depois das 20 horas do dia 31 de Agosto de 1983 – nada menos de 13 horas depois de iniciado o vazamento, sem que nenhuma providência mais enérgica tivesse sido tomada nesse intervalo. Quinze casas que existiam no local, situadas a menos de dez metros da linha do trem, se incendiaram imediatamente. Boa parte das vítimas foi atingida pelas labaredas dentro de suas residências, apanhada de surpresa, sem tempo de fugir.

“Quando saí de casa, vi meu vizinho envolvido pelo fogo, estendendo as mãos para mim”, diz Ivonilda Pauferro. “Não pude fazer nada por ele, que estava nu, quase sem pele, transformado numa tocha.”

Quando as contínuas levas de feridos começaram a chegar ao Posto de Saúde de Pojuca – uma cidade de 7.000 moradores, a maioria operários –, logo os médicos se deram conta de que não poderiam socorrer todos. “ A procissão das vítimas era tão grande que fiquei assustado”, confessa o médico Roberto Leite Alves, na época com 32 anos. “Parecia um filme de terror.” A perplexidade tomou conta de Pojuca. Um dos queimados, por exemplo, percorreu aos gritos centenas de metros pelas ruas da cidade com a pele desprendendo-se do corpo, sem que ninguém soubesse o que fazer com ele. Passado o susto, a improvisação dos habitantes contribuiu para que os feridos fossem rapidamente removidos para onze hospitais de Salvador. Amontoados em caminhões, ônibus, ambulâncias e em carros da polícia, as vítimas da explosão formavam um cortejo macabro.

Ao desembarcar no Hospital Getúlio Vargas, na capital baiana, algumas pessoas tinham medo de levantar-se dos bancos dos veículos, pois seus corpos estavam colados nos assentos.

“Nunca pensei que pudesse presenciar cenas semelhantes sem estar participando de uma guerra”, afirma o médico Paulo Freire, na época com 26 anos, do Hospital Getúlio Vargas. Apenas nas 5 horas iniciais de atendimento, os gastos com antibióticos e morfina superavam o consumo mensal do Getúlio Vargas na época. Também foram utilizados 120 quilômetros de ataduras, o dobro do que o hospital utilizava em um mês, e um total igual a uma viagem de ida e volta entre Salvador e Pojuca. “Atendemos 160 pessoas, mais de cem delas em estado gravíssimo”, conta o médico Luiz Jorge Jambeiro, 41 anos na época, diretor do pronto-socorro do Hospital Getúlio Vargas.

DOIS CAMINHÕES-PIPAS
Na tragédia de Pojuca, somente o fogo agiu rapidamente. Durante as 13 horas que separaram o descarrilamento da explosão, a morosidade e a ineficiência das autoridades responsáveis pela segurança local deram o tom. Logo nas primeiras horas da manhã de Quarta-feira, mais de 1.500 pessoas postavam-se ao lado dos vagões caídos, e centenas de crianças recolhiam a gasolina derrubada em baldes, que eram vendidos ao preço camarada de 100 cruzeiros o litro. Para deter essa multidão, atuaram apenas o minúsculo destacamento da PM de Pojuca, alguns guardas ferroviários e duas brigadas de incêndio da Petrobras, num total de quinze homens. O comandante da PM local, na época sargento Campos, tomou as medidas que estavam ao seu alcance – mandou desligar o cabo de alta-tensão que passava sobre os trilhos, comunicou-se com a Rede Ferroviária Federal, pediu que os moradores abandonassem as casas mais próximas do desastre e solicitou reforços.

A presteza do sargento Campos não surtiu efeito, porém. O tráfico de gasolina e a região não foi isolada. Apenas, foram enviados mais dez policiais para ajudá-lo. Rafael Vasconcelos e José Barreto Pereira, os engenheiros mandados a Pojuca pelo superintendente da Rede Ferroviária Federal, limitaram-se a providenciar que dois caminhões-pipa da Petrobras saíssem de Candeias, a 20 quilômetros do acidente, para resfriar os vagões, superaquecidos pelo sol do meio-dia. A Petrobras, por sua vez, retirou de Pojuca os outros dezessete vagões que integravam o comboio.

Não se sabe ao certo qual o mecanismo que fez brilhar a faísca que iniciou o fogaréu. Especula-se que algum morador, de estômago vazio desde a manhã, possa ter riscado um fósforo para acender o fogão de sua casa. Ou que alguém tenha acendido um cigarro. Ou ainda que o martelo de um dos trabalhadores que reparavam os trilhos da ferrovia teria soltado uma faísca ao bater no ferro. Todas as suposições, no entanto, convergem para uma realidade indesmentível: o solo do local, por dezenas de metros, estava encharcado de gasolina. O depoimento do mecânico Aristóteles Sales Filho (no final da matéria) aponta como provocador da centelha uma bomba de sucção levada a Pojuca no começo da noite por técnicos da Petrobras.

TROCA DE ACUSAÇÕES
Os poucos moradores do local que, na manhã, atendendo aos apelos do sargento Campos, haviam aceitado deixar suas casas, retornaram à área encharcada de gasolina durante a tarde – afinal, não lhes foi oferecido qualquer abrigo alternativo ou alimentação. Tanto o sargento Campos, como o então prefeito de Pojuca, Luiz Alfredo Leite, do PDS [atual PP], e os engenheiros da Rede Ferroviária Federal cogitaram em apelar para uma solução óbvia: solicitar reforços à Secretaria de Segurança, em Salvador, ou ao IV Batalhão da Polícia Militar, um dos melhores aparelhados do Estado, sediado em Alagoinhas, a 40 quilômetros de distância. “O pessoal da ferrovia disse que já havia tomado todas as medidas cabíveis, que deixasse tudo para eles controlarem”, justifica-se o prefeito.

No final de semana, enquanto os mortos ainda eram contados, e centenas de famílias tentavam identificar os corpos carbonizados, os implicados no acidente iniciaram uma saraivada de troca de acusações. “A Petrobras e a Rede Ferroviária Federal são responsáveis pelo acidente”, disse o então governador João Durval Carneiro, do PDS. A Petrobras contra-atacou com uma nota em que repudiava os ataques do então governador e afirmava ter adotado todas as medidas que lhe cabiam. Só o ministro Cloraldino Severo reconheceu que a Rede Ferroviária Federal, sob a jurisdição do Ministério dos Transportes, tinha culpa no episódio. “Não vamos criar bodes expiatórios”, disse Cloraldino. “Investigaremos a gravidade das omissões e as responsabilidades de cada um.”

No depoimento, o inicio do grande incêndio
Que fator, exatamente, teria provocado a explosão que desencadeou a tragédia de Pojuca? Oficialmente, até o final da semana do acidente, não havia uma explicação, ainda mais que as chamas haviam destruídos qualquer indício que pudesse levar a alguma conclusão. Um morador de Pojuca, Aristóteles Sales Filho, de 31 anos na época – que assistiu a tudo de muito perto, e conseguiu escapar com vida, atingido pelas queimaduras apenas nos pés –, tem porém um testemunho claro, pelo qual se pode perceber como se iniciou a catástrofe. Seu depoimento:

“Chegaram alguns funcionários da Petrobras para transplantar a gasolina dos vagões tombados, usando um motor de sucção a diesel que conheço bem, pois sou mecânico e trabalhei durante muito tempo com caminhões-pipa. A gasolina era aspirada pelo motor e jogada num tanque, e do tanque era bombeada para outro vagão.

Umas oitenta pessoas estavam bem perto, curiosas ou tentando pegar a gasolina que escorria. O motor estava só a uns quatro metros do tanque, e fiquei observando por que sei que a máquina a diesel solta faíscas. De repente, vi uma faísca e um foguinho. Gritei 'incêndio' e corri. Meus pés estavam molhados de gasolina, e quando comecei a correr senti que eles estavam pegando fogo. Apareceram duas crianças na casa em que entrei. Peguei uma em cada braço, atravessei a casa e entrei numa lagoa cheia de mato e lama que havia nos fundos. Atrás de mim vinha um inferno, e só parei de correr do outro lado da lagoa. As crianças choravam pela avó, que ficara para trás. Não resisti: voltei à lagoa, achei a senhora e a carreguei, com água pela cintura”.

PARTE 1 - "Pojuca: 30 anos de uma tragédia que poderia ter sido evitada". Veja cobertura do Folha de São Paulo na época

Neste sábado (31), completa 30 anos de uma das maiores tragédias ferroviárias do país, ocorrida no município de Pojuca, na qual dezenas de pessoas foram mortas e centenas ficaram feridas, após o descarrilamento de um trem carregado de gasolina e diesel. Uma série de negligências provou a tragédia  e fez com que as proporções fossem traumatizantes. O fato acompanhado pela imprensa nacional e a tragédia levantou novas discussões que provocaram fortes mudanças na regulamentação de segurança das atividades ferroviárias no Brasil. Um mês depois da tragédia, o transporte de passageiros por trem foi suspenso em importantes linhas da Região Metropolitana de Salvador. O Expresso preparou para seus leitores a série "Pojuca: 30 anos de uma tragédia que poderia ter sido evitada", resgatando reportagens da época nos principais meios de comunicação do país. Abaixo segue a parte I da série, com a cobertura do jornal Folha de São Paulo:


Trem de combustível explode e mata 42 no interior da Bahia
02 de setembro de 1983, Folha de São Paulo

Quarenta e dois mortos, mais de duzentos feridos internados em hospitais da Grande Salvador, este é o saldo inicial - até as 19 horas de ontem - do mais grave acidente ferroviário ocorrido nos últimos anos no Brasil: uma composição, transportando gasolina e diesel da refinaria Landulfo Alves para Aracaju, saiu dos trilhos na manhã de anteontem, em Pojuca, localidade a 90 quilômetros de Salvador, provocando o tombamento de três dos seus vagões, cada um com 35 mil litros de gasolina, vazando imediatamente e explodindo 13 horas depois.

O acidente aconteceu às 7 horas e a primeira explosão se deu às 20 horas, matando dezenas de pessoas e ferindo mais de 300. As autoridades competentes, notadamente as da Rede Ferroviária Nacional, admitiram, ontem, que negligenciaram na tomada de providências que deveriam ser adotadas de imediato. Assim, durante todo aquele dia, centenas de moradores de Pojuca, principalmente a população de baixa renda que vive ao longo da via férrea, nas proximidades da passagem de nível onde ocorreu o descarrilamento, recolheram o combustível, transportando-o para suas casas. Ninguém atendeu a ordem de evacuar o local. O superintendente da Rede na Bahia, Valter Chagas, em entrevista ontem, reconheceu que houve a negligência pois, ele próprio, preferiu incorporar-se a comitiva do ministro Cloraldino Severo a assumir pessoalmente o controle da situação. A Rede, inclusive, vai assumir todo o ônus do acidente, além de responsabilizar-se pelo atendimento médico das vítimas e a reconstrução das dezenas de casas destruídas. Para isso a Refesa abriu sindicância, através de comissão de inquérito já instalada para apurar os fatos e suas consequências, num prazo de trinta dias.

O precioso líquido
Ao ver o líquido tão caro jorrando graciosamente, a população de Pojuca, habituada a lutar pelo seu subsalário, principalmente aqueles que viviam ao longo da estrada de ferro, resistiu às ordens de evacuar o local, emitidas pela polícia, embora tardiamente, e continuou a recolher o combustível. Assim, foram atingidas violentamente pela primeira explosão. Poucas testemunhas, mas as que conseguiram sobreviver, descreveram os horrores de ver corpos voando, totalmente em chamas e carbonizados em segundos. A rua da Piedade, com suas trinta casas, deixou de existir. As chamas da primeira explosão atingiram a um raio de 200 metros, elevando-se a mais de trinta de altura. O fogo tomou conta de toda a área, alimentando ainda mais pela gasolina já recolhida e armazenada nas casas das proximidades. As chamas se alastraram muito mais após a segunda explosão, às 22 horas. Desta feira, os atingidos foram bombeiros, funcionários da Petrobrás e do Polo Petroquímico que para lá se deslocaram, levando sua experiência em combate a sinistros desse porte, adquirida em constantes treinamentos. Até a madrugada de ontem o fogo continuava devorando tudo o que encontrava pela frente, deixando, no seu rastro, as cenas de desespero daqueles que conseguiram sobreviver ao inferno que se transformou Pojuca, cidade pequena, desconhecida, quase cidade-dormitório de Salvador, Candeias, Camaçari e Simões Filho, municípios onde estão instaladas a Refinaria Landulfo Alves, o polo petroquímico e o Centro Industrial de Aratu.

Até o fim da noite de ontem, continuavam as operações de rescaldo da área atingida, trabalho de grande periculosidade, face aos gases emanados pelo combustível ainda existente e que poderiam provocar novas explosões. Desta feita, muitos habitantes da cidade continuavam a fugir dela.

Os hospitais de Salvador estão totalmente lotados, com dezenas de queimados, muitos à morte, ocupando enfermarias e corredores. Informações extra-oficiais dão conta que existem quase 200 pessoas internadas, das quais mais da metade com poucas chances de sobrevivência.

O número de mortos pode ser ainda maior ainda maior face à falta de medicamentos específicos para o tratamento de queimaduras, tais como antibióticos e plasmas, alem de outros indicados para sequelas consequentes que o queimado vem a sofrer: infecções e insuficiência renal.

Há dois anos técnico advertia para o perigo
Há dois anos, o diretor do Instituto de Química da Universidade Federal da Bahia, professor Celso Spínola, advertiu para a tragédia que se esboçava na área industrial da região metropolitana de Salvador, com a negligência das medidas de segurança e a falta de regulamentação no transporte de cargas inflamáveis e tóxicas. Esta previsão do especialista veio a se confirmar, de forma dramática, com a explosão dos vagões da Rede Ferroviária Federal carregados de gasolina e diesel, na noite de anteontem, em Pojuca.
As atenções do professor de química não estavam voltadas para a quase desativada e precária malha ferroviária da Bahia, implantada no inicio do século. Dirigia-se sobretudo para o transporte de ácido cianídrico - usado para execução na câmara de gás - e de produtos do Polo Petroquímico de Camaçari para o Porto de Aratu, por via rodoviária. As deficiências neste transporte foram admitidas pelo então diretor do complexo de Camaçari (COPEC), Raimundo Brito, reforçando a tese de necessidade de uma legislação especifica para a movimentação de carga perigosa.

Já são 53 os mortos no acidente da Bahia
03 de setembro de 1983, Folha de São Paulo

Há riscos de novas explosões em Pojuca
Salvador - Já são 53 mortos no acidente ocorrido na noite de quarta-feira, em Pojuca, na Bahia, quando dois vagões da empresa rede ferroviária/Leste, transportando gasolina, explodiram após horas depois de descarrilarem. Esta estatística tende, infelizmente, a aumentar uma vez que, dos 160 feridos hospitalizados em Salvador, um grande numero está com a vida por um fio. Exemplo disto são as informações de médicos do Hospital Roberto Santos onde, dos 17 queimados ali internados, apenas um tem chance de escapar. A mesma situação se repete nos hospitais Simões Filho, dos Servidores Municipais, no Espanhol, no Português e no Jorge Valente.

Felizmente, a notícia de que estava faltando medicamentos nos pronto socorros era inverídica. Mas, mesmo assim, a população baiana acorreu em massa, levando mercúrio, mertiolate, esparadrapo e outros medicamentos. O sangue, raro nos hospitais em tempos normais, foi obtido com fartura. As mortes - cinco, ontem - foram provocadas pelas queimaduras de segundo e terceiro graus e por insuficiência renal nas vítimas, sequelas inevitável em sequelas desta gravidade.

Pojuca, a cidade atingida, parece que foi bombardeada. As casas próximas aos vagões tombados estão em ruínas. A rua da Piedade, totalmente destruída, está cheia de escombros, havendo a possibilidade de estirem corpos soterrados. A população continua tensa, pois novas explosões podem ocorrer, e evita comentar a tragédia. Todos, porém, culpam a Rede e a Petrobrás. Eles chamam a locomotiva número 4.842, que puxa combustível, como o “Trem da Morte”. Em apenas dois meses ocorreram três acidentes com a composição. O governador João Durval também responsabilizou diretamente a Rede e a Petrobrás, mas isentou de culpa seu Secretário de Segurança Pública, coronel Antônio Bião, que vem sofrendo pesadas críticas desde a violência policial contra estudantes, ocorrida na semana passada. Enquanto isso, a Rede tenta reduzir sua culpa e, segundo o presidente da empresa, “a causa determinante do acidente foi a inadvertência de algum fumante inveterado”. A Petrobras afirma não ter quaisquer responsabilidade pois, assim que a gasolina ou demais produtos saem de suas instalações, o risco passa para o transportador. Na verdade, este ramal está em precaríssimo estado, além da pouca qualificação dos operadores dos trens. Anteontem, a mesma locomotiva provocou um acidente, esmagando um automóvel bem perto do local das explosões. O motorista salvou-se, mas com escoriações.

Centelha de motor
O trauma em Pojuca ficou ainda mais forte quando soube que dos 36 corpos carbonizados, encontrados na área atingida, a maioria era de crianças e adolescentes. Ainda em estado de choque, algumas testemunhas concordaram em descrever a tragédia. Eliana Guimarães, 26 anos, diz que, “Os homens da Petrobras estavam retirando a gasolina com um motorzinho. Quando esvaziaram um vagão e passavam para o outro, eu senti um fedor forte. Chamei meu marido para ir embora. Quando virei as costas e ia descendo a encosta da linha ouvi um chiado e o fogo começou a subir. Corremos e ainda pude ver duas pessoas que estavam perto da gente, começando a queimar, a Lucia, que morreu e uma outra que ficou toda queimada. Eu acho que foi uma centelha do motorzinho que provocou o incêndio”. Outro depoimento, este de Edival Ramos, “Às sete horas, quando o fogo começou, tinha um motorzinho da Petrobras puxando gasolina para tambores e caminhões”.

Ainda hoje o risco de novas explosões é grande. Técnicos da Petrobras e de empresas do Polo Petroquímico fizeram testes com um “explosímetro” e constataram que no interior dos vagões a explosividade é de 100 PC. Além disso a área está toda encharcada de gasolina, desprendendo gases, tornando-a altamente perigosa.

Coisas inacreditáveis são relatadas pelos que viram o acidente. Dizem que a polícia, ao invés de isolar a área, afastando as pessoas, disciplinava o recolhimento da gasolina, organizando os populares em filas. Só horas depois chegou um engenheiro da Rede, tentando isolar o local, com uma corda. Mas a frase que mais define a causa do pavoroso acontecimento foi ouvida por João Oliveira Santos, logo após o descarrilamento, no diálogo entre dois maquinistas da composição: “Olá, nego, você vinha era correndo, heim?”  

Escândalo: Após repercussão em Brasília, caso das persianas estoura em Catu

Câmara teria gasto, em 2012 na gestão de Alex do Hospital (PDT), cerca de R$ 15,3 mil com persianas, ao custo de R$ 168 o metro quadrado.
Após persianas repercutirem em Brasília, foi a vez de Catu. Vereador Nenga denunciou os gastos
excessivos e ganhou adesão de novos vereadores para criação de CPI. Ao fundo da foto, as persianas
 que saíram por R$ 168 o metro quadrado.
Por: Romisson Silva

Nos últimos dias o empenho de 1.789 m² de persianas pelo Senado Federal, no valor de R$ 38,8 mil, chamou a atenção do país inteiro. Em Brasília, em média, as persianas saíram entre R$ 17,65 e R$ 29,04 o metro quadrado (Veja Matéria).

Se os brasileiros, de forma geral, se espantaram com o valor gasto pelo Senado, ficariam horrorizados com o valor gasto pela Câmara de Vereadores de Catu, em 2012, ainda durante a gestão do Vereador Alex do Hospital (PDT), segundo a denúncia feita, em plenário da Câmara nesta terça (27), pelo vereador Nenga do Leite (PSD).

Em dezembro do ano passado a Câmara teria contratado a prestação de serviço de confecção e instalação de 91 m² de persianas, ao custo de R$ 15.288,00. Desta forma o metro quadrado, entre confecção e instalação das persianas, saiu por R$ 168,00. A empresa que realizou o serviço na Câmara fica localizada no bairro do Saboeiro, em Salvador e executaria o serviço em 8 dias, conforme proposta encaminhada no processo de licitação, modalidade Carta Convite, na qual as empresas são convidadas.

“Eu estava ouvindo os jornais esta semana e ouvi que no Senado, foram gastos R$ 35 mil com persianas. Outra foi uma Câmara de Vereadores do Ceara, onde o presidente e vereadores foram presos sobre vassouras. Nesta casa [gestão de Alex do Hospital] foram gastos com persianas quase R$ 20 mil, no Senado que é bem maior foram R$ 35 mil e está em rede nacional de rádio e televisão porque as providências foram tomadas e esta casa gastou quase R$ 20 mil”, relatou o vereador Nenga.

Veja abaixo trecho da proposta vencedora da Carta Convite feita pela Câmara em dezembro de 2012:

Na tarde desta quinta (29), o Expresso entrou em contato, e fez cotações de preços, por telefone com empresas que comercializam persianas do município de Salvador. As especificações das persianas solicitadas a três empresas foram as mesmas da contratada pela Câmara em 2012, nas quais o valor mais elevado pela compra dos 91m² em uma das empresas foi R$ 5.915 e o mais baixo entre as empresas foi R$ 5.096,00. Já o custo com a instalação, que foi considerado o mais baixo pelas empresas, ficou entre R$ 15 a R$ 20 por persiana. Pela quantidade solicitada todas as empresas ainda ofereceriam pelo menos 10% de desconto.

A partir da nova denúncia e cobrança por providências, o assunto da CPI para averiguar gastos suspeitos de superfaturamento durante a gestão do vereador Alex do Hospital, ganhou novos vereadores adeptos, conforme noticiou nesta quarta (28), o Expresso (Veja Matéria). Veja abaixo qual a situação dos vereadores sobre a CPI:




Vereador Nil Prefeitura crítica postura de "alguns" políticos

Vereador Nil Prefeitura (PTB)/Foto: Expresso Catuense
Por: Maiara Lopes

Durante sessão na Câmara de Vereadores na última terça-feira (27), o Vereador Nil Prefeitura (PTB) afirmou que tem alguns colegas naquela Casa que tem se preocupado com seus próprios “pares” e acabam esquecendo das ações em prol do povo.  O vereador garantiu que vai continuar fazendo seu papel sem se preocupar com os outros, pois, somente os eleitores  tem o direito de julgar o político e estes, irão dar a resposta na hora certa.

Vereador Nil Prefeitura durante sessão na Câmara.
Em entrevista ao Expresso Catuense, Nil ressaltou que dinheiro nenhum pode comprar um políticos, pois estes tem que se basear em princípios. “Graças a Deus eu tenho princípios, tive a oportunidade de ter excelentes pais que me deram um grande ensinamento, vivi sempre na minha sociedade com pessoas de bem. E, acima de tudo, aprendi que o homem tem que ter caráter”, disse.

O vereador aproveitou o desabafo para criticar a postura de alguns políticos. “O povo aí fora tem uma grande visão, eles observam o político pelo que ele é, tem aqueles políticos que vão e vem, aí começam a ficar desvalorizados. Mas eu não, sempre tive minha postura de homem de bem e hoje sou um grande representante da comunidade e vou continuar assim. Pois, o vereador tem que ser sério e compromissado, eu não vim aqui para agradar meia dúzia de políticos e sim pra servir o povo. E assim tenho feito meu mandato de forma transparente”, enfatizou. 

Vereadores declararam apoio a criação de CPI para investigar gastos na gestão Alex do Hospital

      CPI já tem número suficiente de vereadores e pode ser pedida nos próximos dias
Inúmeras denúncias de gastos do período em que Alex do Hospital foi presidente da Câmara foram feitas pelo
 vereador Nenga do Leite .
Por: Maiara Lopes

Após uma série de denúncias contra o vereador Alex Hospital (PDT), na noite desta terça (27), mais três vereadores declararam que irão assinar o requerimento para abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigará gastos suspeitos durante a gestão do pedestista a frente da Câmara, nos anos de 2011 e 2012. O vereador Índio (PSB), Nil Prefeitura (PTB) e Bibi (PDT) anunciaram que também são a favor, se juntando as prováveis assinaturas do Presidente da Câmara, Adilson Mota (PT), Pequeno Sales (PTB) e o autor das principais denúncias, o vereador Nenga do Leite (PSD). Segundo regimento interno, são necessárias apenas quatro assinaturas. Por conta disso, nos próximos dias a mesa da Câmara deve receber o requerimento solicitando a abertura da CPI.

Autor das denúncias contra Alex, cobrou CPI e  um grupo de vereadores
apoiaram (Veja abaixo os vereadores que se manifestaram a favor)
Foto: Expresso Catuense
O assunto voltou ao centro dos debates após novas denúncias feitas durante a sessão e por conta da opinião pública, expressa através da enquete do Expresso Catuense (VEJA AQUI) que apontou que quase 90% dos votantes eram a favor da abertura das investigações. “Inclusive, tem uma enquete no site Expresso Catuense onde 300 pessoas votaram e 287 é a favor de uma CPI. Então está na hora de nós vereadores tomar uma posição também aqui nesta casa para que os fatos venham a ser esclarecidos. Eu acho justo que esta casa tome uma posição, ou de sim ou de não, pois ai nós sabemos quais os caminhos que iremos tomar”, ressaltou Nenga.

Entre as acusações contra Alex do Hospital, que foram levadas a público pelo vereador Nenga, constam suspeitas de superfaturamento em compras e serviços, gastos excessivos com combustíveis, entre outros. (Veja Matéria).


"Estou disposto a assinar a CPI do vereador Alex", afirma Índio
Foto: Expresso Catuense
Para o vereador Índio a CPI deve ser feita para que se possa melhorar a imagem dos vereadores da cidade: “Assim como vereador Nenga, estou disposto a assinar a CPI do vereador Alex. Eu sou um vereador do município, não me oponho sobre isso, não tenho problema quanto a isso. Eu sou bem claro, já disse isso a ele e digo hoje aqui em público. Acho que a gente tem que mostrar a verdade que tem. Se o vereador está trazendo essas acusações nada mais justo que nós fazermos essa CPI [...]Se isso é algo que podemos está fazendo para está melhorando o município de Catu e a imagem dos vereadores  da nossa cidade, sim estarei junto”, disse Índio.

"Se está devendo vai ser punido", alertou Bibi
Foto: Expresso Catuense
Ainda durante a fala de Índio, o vereador Nil Prefeitura também se juntou ao grupo de vereadores que estão dispostos a levar as investigações a frente. Para o vereador Bibi o caso tem que ser investigado e se for comprovadas irregularidades o vereador Alex deve ser punido. “Eu acho o seguinte. Fazer a CPI , têm que se fazer a CPI. Se eu devo eu vou pagar e se eu não devo eu não vou pagar. Então a CPI tem que ser feita porque se o vereador, o qual já foi citado o nome, está devendo vai ser punido. E se não está devendo vai erguer a cabeça e vai dizer que não deve nada”, afirmou Bibi.

Relatórios já foram encaminhados ao Ministério Público e Tribunal de
Contas dos Municípios (TCM), afirmou o atual presidente da
Câmara, Adilson.
O atual Presidente da Câmara, o vereador Adilson, informou que basta os vereadores encaminharem o requerimento a Mesa da Casa que todos os procedimentos serão adotados, colocando a CPI para funcionar. Informou ainda que todas providências legais sobre a situação deixada por Alex do Hospital já foram tomadas, entregando relatório ao Ministério Público e ao Tribunal de contas dos Municípios (TCM) e que outras medidas para cada caso específico continuarão sendo paulatinamente adotadas. “A providência que a legislação exige que seja tomada pela gestão é encaminhar o relato da situação encontrada para o Ministério Público e o Tribunal de Contas. Isso foi feito. E paulatinamente as outras medidas relativas a cada situação especificamente vão ser tomadas. Agora, é importante ressaltar, e o vereador Marinildo colocou muito bem, se é um desejo, se é um anseio, se é um reclame do povo, porque os vereadores, ai não é a presidência da casa, porque os vereadores não traduzem isso em realidade, numa coisa concreta? Formalizem, apresentem a CPI por escrito que a Mesa da Casa toma as providências, encaminha e coloca a CPI pra funcionar”.

Muro de cemitério desaba sobre residência e quase provoca tragédia

Muro desabou três meses depois do vereador Nil (PTB) alertar prefeitura de situação precária em que se encontrava o cemitério do Distrito
Leitor publicou em rede social foto do muro que desabou no cemitério de Bela Flor
Foto: Leitor/Carol Silva
Por: Maiara Lopes

O muro do cemitério do distrito de Bela Flor, pertencente ao município de Catu, desabou parcialmente na última semana e quase provocou uma tragédia. Bastante deteriorada, uma das paredes da estrutura não resistiu e acabou caindo sobre a residência ao o lado. É notório que o perigo existe, no entanto centenas de pessoas caminham pela calçada do local, sem saber que podem se tornar personagens de um novo incidente, possível a qualquer momento.

Vereador Nil Prefeitura durante sessão
na Câmara de Vereadores
Autor de uma indicação para melhorar as condições do cemitério, o Vereador Nil Prefeitura falou sobre o ocorrido. “Fui visitar aquela comunidade e o que mais me preocupou foi que ali na casa ao lado do cemitério mora um senhor que se chama Beto e também Dona Valdete na qual o muro faz parede e meia com a cozinha e qualquer hora aquele muro poderia vir ao chão, como veio. Preocupado com aquela situação, fiz uma indicação para a Secretária responsável e cobrei que fosse atendido, mas, não sei qual foi o motivo isso não aconteceu. Porque os pedidos uma vez que são feitos pelo vereador, não vão atender esse vereador e sim o povo”, disse.

Indignado com o incidente, o Vereador aproveitou para fazer um questionamento à atual administração: “Porque a indicação não foi atendida eu não sei, o que sei é que se passaram 3 meses e veio a acontecer esse incidente agora, onde por pouco não aconteceu uma vítima. Aí a pergunta fica no ar, será que a administração já acordou realmente ou será que vão esperar acontecer outros fatos para eles tomarem uma providência?”, finalizou Nil Prefeitura.

Regionalização levou a troca da TV Bahia pela TV Subaé em Catu


Por: Romisson Silva

Diversos leitores entraram em contato com o Expresso para reclamar sobre a alteração da programação da emissora da Rede Bahia, afiliada da Rede Globo, no sinal da antena comum.

Cobertura Rede Bahia. Mapa anterior às mudanças.A Rede Bahia de Televisão é afiliada à Rede Globo e é a maior rede de TV do Norte e Nordeste e uma das maiores do Brasil. Ela possui seis emissoras: TV Bahia (Salvador), TV Subaé (Feira de Santana), TV Oeste (Barreiras), TV Santa Cruz (Itabuna), TV São Francisco (Juazeiro) e TV Sudoeste (Vitória da Conquista). Cada uma dessas emissoras retransmite a programação da cabeça da rede, a TV Globo, e também a programação jornalística da cidade local e circunvizinhas. Veja o mapa de cobertura da Rede Bahia na imagem ao lado.

Em Catu, o sinal transmitido sempre foi o da TV Bahia, responsável pela Região Metropolitana de Salvador, Recôncavo e outras regiões, totalizando cerca de 139 municípios.

Porém, desde o início deste ano os catuenses foram surpreendidos com a alteração da emissora local, mudando de TV Bahia para TV Subaé.

Torres de retransmissão em Catu.
Foto: Expresso Catuense
A TV Subaé é a afiliada da Rede Bahia responsável pela região de Feira de Santana, alcançando Alagoinhas e atinge cerca de 54 municípios. A programação jornalística local foca nos acontecimentos desta região. Isso tem causado desconforto nos catuenses, pois a cidade não se identifica com aquela região.

Procurada pelo Expresso, o departamento técnico da TV Bahia não soube explicar ao certo quais motivos específicos levaram a retirar Catu da área de cobertura da emissora e relocá-la na região da TV Subaé. A informação obtida é a de que trata-se de um processo de regionalização. Perguntado se isso teria relação com o fato de Catu não fazer parte oficialmente da Região Metropolitana de Salvador e sim do Território do Agreste de Alagoinhas/Litoral Norte, a resposta foi de que isso poderia ter sido levado em conta, mas que ele no momento não poderia afirma com certeza quais critérios foram adotados.

Fato é que a cidade de Catu não se identifica com a região de Alagoinhas, muito menos de Feira de Santana, mesmo estas sendo importantes pólos da região. Catu deve lutar para ser reconhecido como Região Metropolitana de Salvador, assim como fez Pojuca. Talvez nos falte um deputado para realmente defender a nossa cidade entre os grandes.