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A difícil missão de reconstruir a autoestima do povo catuense

O catuense anda cabisbaixo. As esperanças e expectativas de um cotidiano mais próspero estão sendo sucumbidas pela atuação negligente dos governos que por aqui se instalaram. Os nossos velhos problemas permanecem, ampliam-se e se agrupam com outros mais devastadores germinados pela falta de percepção das últimas gestões às reais prioridades da coletividade. Fizeram remendos em questões que precisavam de tratamentos de choques intensivos. Transferem cinicamente as responsabilidades do seu fracasso ao próprio povo, ou então, descaradamente direciona culpas a forças sobrenaturais, induzindo-nos a acreditar que convivemos sob uma maldição. Monumentos, letreiros e pisca-piscas da salvação são os meios inescrupulosos utilizados para ludibriar a massa faminta, em função da falta de coragem e aptidão para implantar um modelo de gestão diferente que priorize mudanças estruturais possibilitando a inserção e ascensão social de grupos tradicionalmente marginalizados. Não existe um combate aos privilégios e favorecimentos dos sanguessugas do suor do povo, existe apenas o interesse de se perpetuar no poder e inflar o ego pessoal.

Tiraram-nos o principal vetor de desenvolvimento social: a liberdade. Liberdade deve ser compreendida como as possibilidades de escolhas, de oportunidades, dos indivíduos decidirem o que produzirão com sua inventividade criadora. Estão nos privando do acesso eficiente ao mercado de trabalho, a moradia, a cultura, a segurança, a saúde, a educação, a participação política, entre outros aspectos essenciais ao convívio social. Estão nos privando do direito de sermos cidadãos catuenses. Certa vez me parei contando de umas dezenas de amigos de infância quantos ainda permaneciam em Catu. Percebi que muitos deles foram buscar a liberdade – locais onde tenham oportunidades de fazer suas escolhas e exercer sua cidadania, como já pregava o economista indiano Amartya Sen (Prêmio Nobel de Economia, em 1998, em função das suas ideias formuladas de desenvolvimento enquanto liberdade).

Em anos eleitorais as expectativas são recicladas. O fim de uma gestão desastrada pode ser o começo de uma ainda pior se mudanças estruturais não forem implantadas. É difícil acreditar que estas mudanças surgirão de dentro do próprio desastre, isto é, da continuidade do grupo político. Como exemplo, o brasileiro sofreu do problema de estima em boa parte do governo de Fernando Henrique Cardoso, durante a segunda metade da década de 90 e primeiros anos do novo século, em função das prioridades do seu grupo de governo. Com a ascensão de um novo grupo, esquerda liderado pelo presidente Lula, com prioridades distintas do grupo anterior, mudanças foram implantadas e como resultado gerou novos caminhos de desenvolvimento que impactou com melhorias relevantes na realidade da população.

Em Catu, tudo indica que se necessita de uma ruptura de prioridades e poucos são os que se apresentam com perfil para levantar esta ruptura. Enfim, uma conclusão que se pode chegar é que uma ruptura não será possível resgatando o passado e nem com herdeiros do presente. Há de se buscar uma outra alternativa.