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Catu: Com poder público ausente associação mantém praça esportiva e cria polêmica

Por: Magnum Seixas
Vereador denunciou a cobrança pelo uso do espaço público.
Na última sessão da Câmara (19), o vereador Paulo de Cacinho levou uma denúncia a tribuna da casa: está ocorrendo cobrança para uso do campo Sete da Vila, localizado no bairro Barão de Camaçari. Uma área pública. De acordo com a denúncia uma associação de praticantes de futebol no campo passou a cobrar pelo uso da praça esportiva.

O campo Sete da Vila havia passado por uma amplição e  reforma, sendo inaugurado no ano passado. As intervenções no campo foram iniciadas ainda em 2011, sendo gastos inicialmente 200 mil para a construção de arquibancada e mudança do gramado. Inaugurado no dia 1º de maio pela ex-prefeita Gilcina Carvalho, algumas reivindicações dos moradores somente foram atendidas depois da inauguração, como a construção de vestiários e colocação de telas de proteção, que consumiram cerca de R$ 130 mil.

Associação mantém campo diante da omissão do poder
público.
Contudo, desde sua inauguração o campo estaria sendo mantido pela Associação dos Coroinhas, que pratica esporte no campo. A situação tem se mantido até os dias atuais. Depois de muito tempo um representante político se manifestou sobre o assunto, gerando polêmica. Há cerca de dois meses um morador da localidade, que não quis se identificar com receio de represálias,  havia reclamando na rede social facebook, informando “Os moradores não tem acesso ao campo se não for de uma associação de futebol. Uma associação que diz ter investido no campo que faz essa exigência. Eles cobram uma taxa de R$ 160 por semana para cada associação. Eu não cheguei a jogar, mas pessoas ligadas a associação diz que eu estaria arranjando problema. Isso vem ocorrendo desde que o campo foi inaugurado. Se chegarem aqui para jogar você será impedido [...] A prefeitura não tem nenhum envolvimento, o vigia é da associação”.

Na tarde de hoje (21), participaram de um programa local de rádio, o Diretor de Esportes da Prefeitura, Zenas Silveira e um representante da Associação dos Coroinhas, o senhor Derival, com o objetivo de rebater as críticas feitas pelo vereador Paulo de Cacinho.

O diretor de esportes admitiu que a associação vem mantendo o controle sobre o campo, classificando a prática como natural, embora tenha afirmando que não há cobrança pelo uso. “Como todos sabem a administração está começando agora e realmente é essa associação [Associação dos Coroinhas] que vinha controlando o uso lá do campo. E infelizmente houve essa denúncia, mas que na verdade não há cobrança no uso do campo e sim as associações que mais colaboram, que é natural, é coisa natural. As associações que tem um funcionário que não é do poder público, que não é nosso, que eles vem mantendo [...]Tubulação, afiação, isso tudo feito por eles. Na verdade este campo foi passado para eles desde maio do ano passado e eles vem mantendo. Na verdade aquele campo vem sendo mantido daquele jeito”. Afirmou Zenas Silveira.

Contudo, em seguida a fala do diretor de esportes, o representante da Associação dos Coroinhas, assumiu que a associação tem efetuado a cobrança pelo uso do campo: “É complicado, as pessoas às vezes tem determinados tipos de colocações que não tem conhecimento do que esta acontecendo. A cobrança que é feita lá é a questão da manutenção”.

O Dilema
Apesar da cobrança feita pela associação, que se constitui uma prática ilegal, uma vez que se trata de uma área pública e a associação não tem concessão da mesma, se observou que não existe má fé por parte da associação. Pelo contrário, a associação busca uma forma de manter o patrimônio público diante da omissão e descaso do poder público, responsável legal pela área. E muito provavelmente o campo estaria numa situação bastante precária se não fosse a ação da associação, conforme é possível observar no depoimento dado ao programa pelo representante da associação, “Pois nós precisamos comprar material de limpeza, material de higiene pessoal para colocar nos vestiários, ta entendendo? Pintar o campo. As pessoas quando chegam lá encontram o campo todo arrumadinho, todo bonitinho, mas não quer saber quanto é que gasta para manter aquele campo [...] Estamos inclusive colocando um tanque para poder irrigar o campo a noite, porque o colega tem que colocar a bomba na beira do rio carregando nas costas uma bomba de 25 quilos para poder  drenar a água do rio e fazer a irrigação do gramado. Do que é arrecadado a gente passa uma parte para esse rapaz e outra parte com material para o funcionamento do campo. Então para falar alguma coisa as pessoas precisam passar por lá para ver a situação de perto e conhecer o que realmente tem sido feito para manter aquela praça esportiva no nosso bairro, que por sinal é o nosso cartão de visita”.

Cabe ressaltar que todas estas despesas que estão sendo mantidas pelos usuários do campo deveriam ser custeadas pela prefeitura. Se o poder público assume o seu papel estes conflitos se quer existiriam. A associação pode até receber doações de usuários do campo, mas não pode limitar o acesso àqueles que contribuem e muito menos impedir o uso do espaço público por qualquer que seja o cidadão, por melhor que seja a intenção da associação.