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Denúncia: Moradores relatam três casos graves de falta de atendimento por ausência de ambulâncias no Hospital Municipal de Catu

Por:Magnum Seixas
Hospital estaria sem ambulâncias disponíveis para
atender a noite e na madrugada, alegam denunciantes.
Nos últimos dias, o Expresso recebeu três denuncias de moradores catuenses sobre a ausência de ambulâncias para atender casos de emergência no período da noite, sobretudo na madrugada. Um dos casos resultou em morte. Os denunciantes, que não se negaram a identificar-se, relatam o drama vivenciado por familiares e amigos que necessitaram dos serviços.

A última denúncia que recebemos foi do jovem Manuel Silveira, 29 anos, que relatou o drama pelo qual sua esposa grávida passou, prestes a dar luz a seu filho, na madrugada da última quinta (31). Após idas e vindas pela cidade, com o auxílio de um vizinho taxista, com sua esposa em nítida necessidade de intervenção médica, resolveu recorrer ao Hospital Municipal de Catu (HMC) para ter acesso a uma ambulância. Contudo foi informado que as ambulâncias do HMC não ficam disponíveis após a meia-noite.
Foi nesse momento que liguei para o HMC as 02:10, pois já havia acordado o vizinho taxista uma vez pedindo o suporte que não foi de graça, porém a atendente me informou sem maiores explicações: "a ambulância não rodava apás a 00:00". Fui obrigado mais uma vez a acordar o meu vizinho taxista para leva-la ao HMC. Chegando lá vi a ambulância parada no pátio para minha indignação! A médica plantonista vendo que ela já havia sido atendida e o quadro avançado do trabalho de parto, disseram que nada poderiam fazer, pois lá também não possuem suporte para um caso desse tipo”, relatou Manoel.

O drama de Manoel e sua esposa, que já haviam passado anteriormente pelo Hospital Agnus Dei sem sucesso, se ampliou após a informação que deveria ser encaminhada para outro hospital. Sem carro próprio, sem dinheiro e com a esposa em trabalho de parto, Manuel teve que insistir para que uma ambulância do HMC o levasse até o município de Alagoinhas, conforme nos informou:
Me recomendaram mais uma vez pegar o carro particular e procurar outro hospital com maiores recursos. “Ai aumentou meu desespero! Procurei saber deles se não poderia sair na ambulância, onde me informaram que só sairia na ambulância se cumprissem um protocolo de regulação para outro hospital, que é bem demorado, e ela não poderia esperar esse processo! Por muito insistir consegui que levassem minha esposa para a maternidade de ALAGOINHAS, porem me informaram que teria de mentir meu endereço e que mesmo assim deveria ir um carro particular para antes de chegar na maternidade ela deveria mudar de carro para eles n perceberem nosso verdadeiro endereço. Foi assim que ocorreram todos os fatos e que graças a DEUS só deu tempo descer do carro na maternidade logo a criança nasceu com 2,8 kg e passa bem!”

Outros Casos
Ainda na última segunda (28), o jovem Erick Melo nos relatou um episódio que culminou em morte. Ele presenciou de perto o drama do senhor Emiliano da Paixão, de 80 anos, que era morador do bairro Bom Viver, na rua Ayrton Sena. Erick ajudou os familiares a socorrer o senhor, com o seu próprio veículo, que estava em estado gravíssimo e sem atendimento em uma longa espera por ajuda médica.

De acordo com Erick:
“Estava vomitando sangue. Ligaram antes de me chamar [para o Hospital], pedindo uma ambulância, mas disseram que não havia nenhuma disponível. Ao me chamarem, fiz várias ligações à SAMU e não atenderam. [...] Tentaram por muito tempo entrar em contato com alguma ambulância, por muito tempo mesmo. Disseram que a ambulância não estava lá [...] Quando chegamos lá estava à ambulância, com o motor frio e sem sinal de utilização recente. Tive que levá-lo às pressas para o HMC. Ele já chegou por lá aparentemente, morto, mas não tinha ninguém preparado para recebê-lo. Eu mesmo tive que colocá-lo na maca, a falta de materiais necessários era notória. chegou a ser atendido, mas o atendimento daqui é sempre precário [...] Fiquei por cerca de 15 minutos, quando recebi a confirmação da morte”.

Já no dia 23 (terça), a moradora Elisangela Teixeira, nos relatou uma situação vivenciada no bairro Barão de Camaçari, também relacionada a falta de ambulâncias para atendimento no HMC:
“No Domingo[21], eu e alguns amigos ligamos o hospital e pedimos uma ambulância. Nos informarão que não tinha disponível. Era por volta das 22:30. Não tinha ninguém no local para dar socorro, eu tive que embora e o pessoal ficou resolvendo”.

O Expresso entrou em contato com a Prefeitura de Catu para saber se as ambulâncias não estavam em atendimento no período a partir das 21 horas. Formos informados pela ASCOM que:
Essa carga horária não procede. O Serviço de ambulâncias é de 24h. Atualmente, só estão disponíveis 2 (duas) ambulâncias pois as outras ambulâncias se encontravam em péssimo estado,  sem condições de funcionamento e estão passando por reformas para então estarem aptas para atendimento”.