Emprego: Números do Ministério do Trabalho mostram a discriminação aos jovens e mulheres no mercado de trabalho catuense
Os números apresentados pela Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2010, publicados pelo Ministério do Trabalho e Emprego apontam uma situação preocupante no mercado de trabalho catuense: a discriminação dos jovens e mulheres nas ocupações. A discriminação evidencia-se quanto à elevadíssima desigualdade salarial destes grupos no conjunto dos trabalhadores, alem do pequeno espaço ocupado quando comparado ao tamanho que representam na população catuense. As mulheres representam 51,4% da População em Idade Ativa (PIA) catuense, mas ocupam apenas 34,2% dos postos de trabalho com carteira assinada. Já os jovens com até 29 anos, ocupam os mesmos 34,2% dos postos de trabalhos, mas representando mais de 47% da PIA.
De fato os números apontam para uma segregação no mercado de trabalho, uma vez que no geral mulheres e jovens possuem escolaridade superior a media dos ocupados. A segregação fica ainda mais latente quando a comparação é feita dentro das mesmas classes de qualificação, como escolaridade e experiência. Em alguns casos com o mesmo grau de qualificação mulheres chegam a ganhar cinco vezes menos do que os homens. Inclusive, na média uma catuense com nível superior chega a ganhar menos do que um homem com apenas o ensino médio. Em catu, na média, uma mulher ganha três vezes menos do que um homem e um jovem chega a receber metade de um trabalhador maduro, tendo o mesmo grau de qualificação e tempo de emprego.
Ressalta que o termo segregação se encaixa nesta análise, uma vez que a segregação esta relacionada a discriminação do ocupado com base em critérios que não produtivos, tais como faixa etária, sexo, cor, dentre outros. Quando a discriminação ocorre com bases em critérios produtivos como escolaridade e experiência, convenciona-se chamar de segmentação. Desta forma o termo segregação é o mais adequado a se utilizar no cenário catuense, uma vez que, como os números abaixo mostrarão, mesmos nas faixas de critérios produtivos idênticas, jovens e mulheres auferem rendimentos bastante inferiores a média dos grupos predominantes.
Os números da RAIS mostram, também, que a soma dos salários dos trabalhadores formais em 2010, aproximou-se de R$ 177 milhões.
Salários dos jovens com até 29 anos são em média 77,5% menores
Em Catu são 2.569 jovens com até 29 anos trabalhando com carteira assinada e salário médio de R$ 1.299. Destes, quase a metade tinham no máximo 1 ano na ocupação. Ainda assim, como mostra o quadro abaixo, em todas as faixas de tempo de emprego os jovens recebem menos do que os trabalhadores em idade mais avançada. Em média, o salário do jovem é 77,5% menor. Se comparar os jovens e os demais trabalhadores, ambos com até um ano de emprego, um trabalhador maduro recebe 50% a mais que um jovem.
A indústria é o setor de maior desigualdade salarial entre jovens e trabalhadores mais velhos. A industria representa 34% de todos os postos de trabalho no município, alem de representar o segmento de maior média salarial. Neste setor o salário de um trabalhador maduro é mais que o dobro de um jovem. A Construção Civil e o Comércio são em seguida os setores de maior desigualdade salarial entre jovens e demais trabalhadores. Apenas na Agropecuária o salário do trabalhadores mais jovens é superior aos dos trabalhadores maduros.
Entre os jovens mais de 81% possuem pelo menos o ensino médio completo. Mesmo com o grau de escolaridade compatível ao dos trabalhadores maduros, ou em muitas vezes superior, os jovens em todas as faixas de escolaridade recebe menos que os trabalhadores maduros. Na média um jovem com o mesmo ensino médio completo de um maduro, recebe a metade deste ultimo trabalhador. A desigualdade salarial é tão evidente, que em média, um jovem com ensino médio completo, recebe menos do que um trabalhador maduro com apenas o 1º grau incompleto.
Mulheres recebem em média três vezes menos do que os homens em Catu
Em Catu 2.565 mulheres estão trabalhando formalmente, com salário médio de R$ 970,90. Em média o salário de uma mulher é três vezes menor do que o salário de um homem. No comércio e na Industria estão as maiores desigualdades salariais de gênero. Na industria, alem de receber 73,6% a menos do que os homens, a participação das mulheres é bastante reduzida. Este fato amplia a desigualdade social no município, uma vez que é neste setor que se oferece os melhores salários, e, sobretudo, pelo fato de se observar uma tendência nacional das mulheres ocupando a posição de chefes de família. Desta forma, a inserção precária da mulher no mercado de trabalho indica a ampliação do quadro de desigualdade.
A desigualdade salarial entre homens e mulheres fica mais contundente ao se observar o grau de qualificação destes grupos. Entre as mulheres ocupadas 97,2% possuem no mínimo o ensino médio completo, enquanto para os homens este indicador se reduz para 78%. Entre as mulheres 13,5% possuem nível superior, já entre os homens pouco ultrapassa os 8%. Uma mulher com nível superior recebe mais de quadro vezes a menos que um homem do mesmo nível, e ainda esta mesma mulher com nível superior recebe menos do que um homem com apenas o ensino médio. Em todas as faixas de escolaridade as mulheres recebem menos do que os homens.
Por: Magnum Seixas









