Assassinato em festa reacende debate sobre a capacidade do município de Catu para realização de eventos de massa
Tiros em plena praça pública – Era a vida de mais um jovem indo embora no primeiro dia do ano.
Enquanto os políticos eleitos catuenses comemoravam a posse, a nossa realidade os mostravam em tempo real, praticamente, que o trabalho será mais intenso do que qualquer entusiasmo motivado pelo prazer de atingir o poder.
Assim se iniciou mais um ano na insegura Catu.
De acordo com o noticiário local, o nome do rapaz alvejado na cabeça, era Jodson de 24 anos. Alvejado após uma discussão ao fim da festa, que contou com muito pagode e trio elétrico [o Barretão].
Apesar de não ter sido um grande evento, o episódio reacendeu a discussão acerca da capacidade do município produzir grandes festas de massa, como micaretas.
A verdade é que maior parte das festas têm servido para protagonizar desastres.
A nova gestão vem com a promessa de grandes festejos "populares", incluindo a micareta.
Nos próximos dias (05 e 06) acontece a “tradicional” festa de Reis, no bairro Barão de Camaçari e pretende contar com algumas atrações mais conhecidas do público e que deve atrair um público significativamente maior que anos anteriores.
Não há novidades das séries de violências que ocorreram nas festas de Reis. Primeiro, uma festa desvirtuada, que perdeu sua essência cultural e passou a ser mais um evento onde predomina as produções artísticas hegemônicas e totalmente fora do conceito do que significa a festa de Reis.
Mas se o povo quer circo – tome festa.
Uma das últimas micaretas que ocorreu em Catu de grande porte faz muito tempo. Ainda criança lembro do resultado – inúmeros assassinatos.
Obviamente que o lazer, as festividades devem ocorrer.
Mas primeiro um detalhe importante: Cultura pode ser divertida, mas nem todo divertimento é cultura.
Ao Estado cabe difundir cultura.
O São João, apesar de toda distorção que se tem dado nos últimos anos, se transformando numa indústria, ainda guarda sua herança cultural que justifica o investimento público.
As demais festas tem qualquer outro objetivo fora o cultural.
Chamo a atenção: Não estamos preparados para grandes eventos de massa. Poderemos assistir a mesma carnificina do último ‘grande’ micareta em Catu.
E uma questão ainda mais importante: Diante de tantas necessidades vale a pena gastar milhões em festas?
Uma das sábias decisões tomadas em administrações anteriores foi a abolição das micaretas.
Um evento caro, que não trás retorno financeiro e cultural. Trás apenas o ônus de jogar milhões de reais dos cofres públicos para a produção de barbáries.
Mas se prometeu e o povo quer circo - tome festa.
E o que não se faz pelo povo?
Mas se prometeu e o povo quer circo - tome festa.
E o que não se faz pelo povo?




