Cargos e contratos na prefeitura: veja onde estão os interesses dos apoiadores de campanha
Muitas pessoas às vezes ficam a
se perguntar porque existem indivíduos que defendem ferrenhamente determinados
candidatos em maior parte do tempo sem usar o mínimo de argumentação possível.
Fica a aparência que são apenas pessoas alienadas, apaixonadas, e até
mesmo inocentes. Contudo, o objetivo em maior parte destes apoiadores é um só:
interesses particulares. Não acreditemos em altruísmo destes indivíduos. Numa
Câmara de Vereadores e, especialmente numa Prefeitura, se tem espaço após as
eleições para os grandes apoiadores e para os pequenos que ajudam a encorpar
uma campanha. Basicamente existem três tipos de apoiadores: os grandes, também
conhecidos como os financiadores de campanha; os com influência política que
conseguem reunir eleitores; e os tarefeiros que fazem a parte operacional da
campanha.
Os grandes financiam campanhas
com interesses nos contratos da Prefeitura ou da Câmara. Interessam a estes os
contratos de fornecimento de bens, serviços e execução de obras públicas, de
onde esperam recuperar multiplicando os recursos investidos em campanhas. São
contratos como locação de veículos, transporte escolar, serviço de limpeza
urbana, fornecimento de mão de obra terceirizada, construção de praças,
estradas, entre outros bens e serviços públicos. Anualmente a Prefeitura e
Câmara gastam milhões de reais na contratação destes serviços e compra de bens.
Os apoiadores com forte influência política estão de olho nos cargos
comissionados (também conhecidos como de Confiança) de alto escalão, os cargos políticos,
como as secretarias. Ocupando estas posições estratégicas alimentam o ciclo de
favorecimento dentro dos órgãos públicos, seja com a ‘ajuda’ nas contratações
de obras e serviços, seja no apadrinhamento dos cargos, participando ativamente
do rateio das vagas. Já os apoiadores, conhecidos como os tarefeiros de
campanha, que fazem a parte operacional funcionar, estão de olho nos cargos de
menor escalão comissionados e temporários.
Apesar da existência dos
instrumentos burocráticos, que objetivam eliminar os vícios administrativos e a
prática da corrupção, não é novidade para nós brasileiros os jeitinhos
encontrados para ludibriar os instrumentos burocráticos. Muitas das vezes a corrupção
é praticada sem infringir ao pé da letra a própria lei, basta observar as licitações com os
vícios dos ganhadores ou mesmo a ampla utilização das modalidades Carta
Convite, Dispensa de licitação e Inexigibilidade que favorece a prática da corrupção. Dizem os especialistas que para você medir o tamanho da corrupção
num município basta observar a quantidade de Dispensas de licitações e
modalidades afins realizadas quando comparada às modalidades de licitações de
maior evidência pública. Cabe ressaltar que mesmo nas modalidades de maior
evidência pública, como a Tomada de Preços, Concorrência e Pregão
Presencial, os mecanismos para favorecimento são possíveis e, como sempre vemos nos
noticiários, acontecem. E ocorrem porque são nelas que estão os melhores
contratos, os mais altos.
Outra forma que há muito vem
sendo utilizada para favorecer os apoiadores de campanha, especialmente os
operacionais, são os cargos comissionados e temporários. Conheço município que
há 1 cargo comissionado e temporário para cada 3 cargos efetivos (concursados).
Não à toa, atualmente, os gastos de pessoal revela ser um dos principais gargalos
dos municípios, especialmente os pequenos. São verdadeiros cabides de emprego
para apoiadores. São raros os concursos públicos. Quantas pessoas você leitor
conhece que vive de política, sai nome e entra nome e lá está o indivíduo a
apoiar alguém? Reafirmo: poucos são os que fazem defesas de candidaturas por ideologia (estes
poucos observam um projeto político), pois a maioria está interessada nas
benesses da nossa máquina de corrupção que os paga com o nosso dinheiro.
Por: Magnum Seixas




