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Matéria Especial: Famílias catuenses estão menores e uma explosão de construções cria novos desafios sociais

Centenas de moradias foram construídas na região do Estádio
O crescimento urbano no município de Catu é uma questão de ordem do dia e os problemas gerados um grande desafio para as políticas públicas. A equipe do Expresso preparou esta matéria especial para mostrar através dos números oficiais e das visitas há algumas localidades a proporção desta expansão urbana.

Em 2010, segundo o Censo do IBGE, a população catuense ultrapassou os 51 mil habitantes. No ano 2000 éramos pouco mais de 46,7 mil habitantes. De fato, não houve um crescimento expressivo da população, com taxas abaixo de 0,8% ao ano. Mas o fator que tem gerado o crescimento urbano significativo é o aumento do número de famílias. As famílias estão com o numero de membros menores quando comparado ao ano 2000. E o aumento do número de famílias gera uma pressão sobre a necessidade de novas residências. Somente nos últimos 10 anos foram mais de 3.700 novas residências construídas em Catu. Enquanto a população teve crescimento inferior a 10% na última década, o número de casas cresceu 33%.

Baixada Ouro Negro: localidade sofreu grande crescimento
As típicas famílias numerosas que abrigadas em residências com avós, pais, filhos, tios, etc., estão desaparecendo e cedendo espaço para famílias pequenas. Cerca de 60% das famílias catuenses possuem até 3 membros. Chama a atenção o número de pessoas que estão vivendo sozinhas, são quase 1.800, um crescimento de 60% em relação ao ano 2000. São mais de 3.100 casas com apenas duas pessoas. No sentido inverso estão as famílias grandes. O número de famílias com mais de 5 membros caiu quase 20%.

A tendência é que a pressão imobiliária no município permaneça. Ainda existem cerca de 3.000 famílias consideradas ‘grandes’. Além de que, ainda segundo o Censo, mais de 2.100 famílias vivem de aluguel.

Santa Rita: exemplo de crescimento desordenado
O lado perverso deste crescimento fica evidenciado pela expansão de moradias inadequadas e em áreas precárias, sem a menor assistência dos serviços públicos básicos. O município de Catu não está, claramente, preparado para esta expansão urbana. E as políticas públicas estão favorecendo o crescimento precário da área urbana, como o caso de aprovação de loteamentos sem a garantia dos serviços públicos as áreas. Como ocorre de maneira geral, o planejamento vêm a reboque da ação. Aqui mesmo no Expresso Catuense, através do ‘Expresso nos Bairros’ foram veiculadas inúmeras matérias mostrando a precariedade de localidades no município, normalmente recentes e criadas com consentimento do poder publico. Um dos melhores exemplos sobre estas questões são os loteamentos Boa Vista e Santo André, localizados atrás do Estádio de Futebol da cidade. Há cerca de 10 anos aquela região abrigava não mais que uma dezena de casas em construção. Hoje virou um grande bairro da cidade, com centenas de residências, mas que convive em uma situação de completo desleixo do poder público, com ausência de serviços básicos.

Nos próximos anos mais milhares de residências serão construídas em Catu. Em pouco mais de 2 anos e meio foram aprovadas mais de 432.116 m² de área para construção pelo município. Neste período foram criados 7 novos loteamentos (4 somente em 2011) e duas grandes áreas foram desapropriadas(no segundo semestre de 2009) para programas de habitação de interesse social. Veja abaixo quadro com as novas áreas para construção aprovada pelo município(clique na imagem para melhor visualização):

Conjunto habitacional popular na Santa Rita 
O que poderia ser uma solução para mitigar o déficit habitacional do município, tem se transformado num problema maior ainda. Quando se permite a construção de um loteamento tem que se ter em mente os custos com serviço público que em teoria serão gerados. Mas estes custos ficam somente na teoria, pois é bem verdade que os serviços públicos levam anos para chegar as novas áreas, mesmo aquelas de implantação pelo poder público. Um exemplo é o conjunto habitacional de casas populares construídas no bairro da Santa Rita. Naquela localidade ao se chegar fica latente a falta de planejamento ou execução incompleta do projeto original. As ruas sem pavimentação e calçamento, iluminação precária, entre outros inúmeros problemas. Da mesma forma está um conjunto habitacional construído no início dos anos 2000 na localidade Alto da Esperança, no bairro Barão de Camaçari.

Além dos evidentes problemas estritamente sociais provocados pelas construções inadequadas situadas em localidades urbanamente precárias, tem-se os problemas ambientais que estão sendo gerados para a expansão imobiliária. Além das tradicionais queimadas das matas flagradas e denunciadas pela equipe do Expresso, em algumas localidades riachos tem desaparecido ou estão comprometidos para ceder espaço a casas e obras públicas.

O discurso populista dos políticos locais não cede espaço para a reflexão sobre uma expansão urbana planejada e atenta aos aspectos socioambientais. Qualquer política de restrição ou de maior vigilância é antipopular e poucos estão dispostos a assumir esta frente. 

Veja abaixo algumas imagens de loteamentos criados recentemente em Catu:
Loteamento Condomínio Vital Residence, localizado no bairro do Pioneiro, ocupará mais de 86 mil metros quadrados.
Loteamento Timbó Residencial, localizado na estrada que liga o Rua Nova ao Gravito, ocupara mais de 63 mil  metros quadrados.
Loteamento Parque Antônio Luciano, localizado no Bairro do Bom Viver, ocupará mais de 41,5 mil metros quadrados.
Loteamento Eco Água Grande, localizado no bairro Planalto II, ocupará mais de 24,4 mil metros quadrados
Área sendo aberta para construção em localidade próximo ao Estádio Municipal, sentido Rio do Una
Por: Magnum Seixas