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Greve da Polícia Militar: controvérsias entre segurança, desordem e medo -- o enfrentamento do Estado por seu próprio aparelho


Medo, insegurança. Estes são alguns sentimentos gerados pela ausência da polícia nas ruas em Salvador e Feira de Santana e algumas outras cidades onde as atividades policiais foram suspendidas, ou supostamente suspendidas como em Catu e em Alagoinhas. Somente a suspeita da ausência da polícia difundiu o medo veemente em ambas as cidades, o que ocasionou o fechamento de boa parte do comercio.
Os Policiais Militares reivindicam aumento salarial, a incorporação de gratificação e adicionais de periculosidade. Muito embora boa parte da mídia tenha focado no medo e na violência gerados pela greve, não tem se mostrado muito das negociações. Até porque o governador não aparenta apresentar disposição para negociações, vez que convocou junto a esfera federal a Força de Segurança Nacional e Exército. Não obstante a aparente falta de preocupação do governo Estadual, a greve pode causar alguns transtornos para além daqueles que ameaçam a segurança publica do Estado, caso se prolongue.
A afirmação é pertinente por dois motivos. Primeiro, por causa da aproximação da festa “popular” mais esperada do ano: o carnaval; segundo por que o corrente ano é eleitoral. Supomos que a estratégia do comando de greve dos militares é o poder de barganha vinculado a estes dois motivos.
Em outras palavras pode acontecer, no extremo limite, pela primeira vez na história, o adiamento da festa mais popular da Bahia, como aconteceu com alguns eventos no fim de semana ultimo (4 e 5). Este fator pode descredibilizar por completo o poder Estadual e Municipais. Nestes termos uma coisa leva a outra. A consequência, portanto, seria o descredito massificado que poderá enfraquecer ainda mais ambas as esferas de poder e impactar diretamente nas eleições no outubro vindouro.
A esta altura é importante afirmar que as demandas dos grevistas são muito justas. Embora um destaque maior deva ser feito, pois não obstante serem justas as demandas, os policias que praticaram atos criminosos devem ser punidos na forma da lei. Não podemos esquecer que o mesmo órgão que age no momento como movimento social é o mesmo que reprime estudantes, professores, operários, agindo na maioria das vezes de forma covarde e estão sendo tratado da mesma forma pelo Exercito e Força Nacional.
É este mesmo poder – o militar –, que materializa um enfrentamento do Estado por seu próprio aparelho repressor. Enquanto a incorporação de gratificações aos salários, a regulamentação para o pagamento de adicionais de periculosidade e acidente tramitam na mesa de estratégia dos poderes Legislativo e Executivo a população enfrenta as controvérsias de segurança, desordem e medo.