População de Pojuca dá aula de luta democrática
Eles congestionaram as ruas e os noticiários em uma ação de
força popular que acendeu a chama da luta democrática sem precedentes na história
do município.
Estão derrubando a elite econômica e política local –
esfacelando o impetrado sistema oligárquico que predominou nas últimas décadas
em Pojuca.
Pojuca era até então, talvez, o único município próximo a
capital, onde uma única família concentrou com tanta consistência o poder.
Um monopólio com
tamanha rigidez que somente um levante popular poderia por um basta.
Qualquer semelhança com a primavera árabe não seria mera coincidência.
A população foi às ruas. Criaram a tensão. Chamaram a
atenção. Questionaram o nosso frágil sistema democrático. Colocaram o
judiciário na parede.
E fincaram o pé: Aqui quem manda é o povo e vão as favas com
suas interpretações que não condizem com a realidade.
O que farão os pojucanos a partir de agora é outro capítulo
para a história.
Que escrevam sua própria história e não sejam mais [a
população] coadjuvantes dos que querem se intitular mártires e heróis.
Por tempos, cantada como cidade modelo, em verdade, Pojuca
agonizava por dentro. Uma cidade traumatizada.
Uma bomba que estava prestes a explodir.
O que estamos acompanhando é apenas o estopim.
A cada eleição um vexame expondo a cidade ao ridículo. Urnas
que somem, brigas na justiça que tiram e colocam prefeito, ficha sujas e por ai
segue.
A humilhação de ser a única cidade do estado a usar urnas
biométricas – pelos motivos que todos conhecem – no fundo, envergonha cada
pojucano. As urnas não representavam a modernidade, mas as práticas arcaicas que
as colocaram ali.
“Sem vergonha e sem culpa. Na Paz” as manifestações pedem
mudanças.
Mas e agora o que fazer?
‘Derrubar’ Gerusa é uma luta para fazer valer o direito à
democracia.
O maior desafio será saber usar o direito democrático de
forma a evitar que ocorra apenas uma substituição de família.
Por que não nascer de dentro das lutas os representantes das
transformações?




