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ESPAÇO DO LEITOR: O pré e o pós-eleições

Findado o processo eleitoral, um novo cenário politico foi desenhado em nossa cidade viabilizado por alguns fatores.

De um lado, o grupo do candidato, e ex-prefeito da cidade, José Nardson, ao qual poderíamos atribuir uma análise equivocada já no processo de composição das candidaturas, quando articulou de forma exitosa, o apoio da atual gestão do município, minimizando, porém, a necessidade de reverter a interpretação do eleitorado, de que sua candidatura representaria  uma “continuidade”, do desgastado projeto politico que comandou o município nos últimos sete anos.

Ainda por parte do grupo do petebista, pesou a tentativa de resgatar o período em que foi prefeito (1997/2000), ação que se mostrou como uma “faca de dois gumes”: A lembrança de algumas iniciativas relevantes, não foi suficiente para amenizar a lembrança dos problemas gerados durante sua gestão, dificultando ainda mais a possibilidade de aproximar a imagem do candidato à idéia de renovação, recorrente e pulsante no imaginário do eleitorado neste pleito, principalmente entre o segmento médio, formador de opinião.

Nem mesmo as  greves dos policiais militares e dos professores do Estado, e o julgamento do mensalão no STF em pleno período eleitoral, foram capazes de minimizar, a nível local, a credibilidade adquirida pelo grupo encabeçado pelo PT, PSB, PDT e PC do B, entre as classes C e D que representam mais da metade do eleitorado em nosso município, principais beneficiadas com os avanços sociais nos últimos dez anos a nível nacional.

Além disto, a candidatura do petista Geranilson, sob a bandeira da mudança, não descuidou do fenômeno da personificação do voto, tão presente nas eleições municipais, sendo para isto, apresentadas a perseverança e a competência, presentes na trajetória de vida do candidato Gera, como pontos de aproximação entre este, e a maior liderança politica da atualidade, o Lula.
Cabe estarmos conscientes de que a renovação, nunca garantiu por si só, as reais mudanças necessárias ao desenvolvimento do município, que virão apenas através de muita habilidade politica do novo gestor, necessária, já de inicio, para conseguir equacionar os diversos fatores que fomentaram a chegada ao poder, no processo de composição de uma equipe de governo que esteja preparada para enfrentar e solucionar os problemas estruturais, que perduram há anos em nossa cidade. Caso contrário, será ver daqui a quatro anos o discurso da renovação como principal arma dos seus futuros adversários. O exemplo está aí!



Por: Michel Santos*

*Michel Santos é graduando em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia.



*Os materiais publicados neste espaço não refletem necessariamente as ideias e opiniões do Expresso Catuense.