Catu: O voto nulo promete ser a grande surpresa da eleição municipal
Muitos acreditam que o voto nulo
ou branco, isto é, a invalidação do voto, seria um equivoco do eleitor quanto
aos objetivos políticos, ou mesmo alegam os mais eloquentes que revelaria uma
forma de se isentar do processo político. Mas
a pergunta que fica é: seria equivoco votar nulo ou equivoco seria votar em quem
você não acredita por falta de opção? Estes eloquentes que afirmam que o
eleitor que invalida o voto estaria jogando sua participação fora, é no fundo o
defensor da tese “vote no menos pior”. E no fundo não existe ‘menos’ ou ‘mais’
pior, o que existe são aqueles que não lhe representa dentro do que você espera
de uma política adequada ao seu modo de pensar. Se o voto “branco” fosse um
equivoco, a tecla não estaria lá. Se o voto nulo fosse um equivoco, não seria
permitido confirmar voto em candidato inexistente. Logo se a possibilidade
existe é porque o sistema eleitoral, por se dizer democrático, lhe dá todas as
opções, inclusive de votar contra todos os candidatos apresentados, na ausência
daquele que você acredita que deveria ser o seu governante. Sendo assim, a
invalidação do voto não é simplesmente um ato de protesto, é uma escolha que
está a sua disposição. Protesto seria não ir às urnas, por não acredita no
sistema que lhe é apresentado, e com isso arcar com o pequeno ônus financeiro,
pouco superior a três reais por “não comparecimento sem justificativa plausível”
Muitos afirmam, especialmente no
Brasil, que votar é um ato de cidadania e que é um dever do cidadão em um
sistema democrático. Contudo, o Brasil é um dos poucos países do mundo onde o
voto é algo obrigatório, ao contrário de países com um sistema democrático
maduro e com melhor funcionamento, como os Estados Unidos e países europeus.
Nestes países o cidadão tem o direito de escolher se quer ou não votar. Mas o voto como ato obrigatório não seria
algo antidemocrático? O ideal não seria que o cidadão tivesse a livre escolha
de ir ou não as urnas, sem punição? Num sistema democrático o cidadão tem
direito as suas escolhas e uma delas é inclusive não ir votar. Pena que no
Brasil, país dito democrático, o cidadão tem que pagar o equivalente a 3 reais
pela sua não participação nas eleições, o que é uma punição. É obvio que na
pratica este valor não força o cidadão a comparecer as urnas, mas demonstra a
imposição que não se adéqua a um sistema democrático real.
Ainda existe o velho argumento
emocional: “Agora que todos podem votar, ninguém quer mais votar”. Porém este
argumento é totalmente infundado. E é infundado porque a luta travada há anos foi
para que todos os grupos, classes e segmentos pudessem ter direito a voto, mas
nunca para que todos fossem obrigados a votar. Obrigar-te a votar em um país
marcado pela corrupção e de desrespeito ao que é público te coloca de frente
com o velho eloquente “só lhe resta votar no menos pior”. Ao mesmo tempo forçam
uma campanha de que você invalidar seu voto estaria jogando-o no lixo, que não
é bem verdade. Na verdade é uma escolha legítima quando só lhe restam os
piores. Quando o eleitor vota em uma pessoa, mesmo que não encare como a ideal,
ou seja, a “menos pior”, está sustentando aquele candidato, sendo mais um a
colaborar para que este chegue ao poder. E quando este estiver lá, e puser suas
práticas em ação, você que o ajudou a colocar lá é também co-responsável pelas
ações. Ao votar o eleitor passa uma procuração legitimando o eleito a falar e
agir em público em seu nome. Não adianta se esquivar e dizer que deu uma
oportunidade ou estava testando. Talvez até negue depois na rua que votou. Mas
a sua consciência nunca o deixará mentir e livrar-se do seu equivoco. Alguns equívocos
custam caro e impactam sobre a vida de muitas pessoas. E quando o equívoco é em
massa o estrago é maior ainda.
Por desencargo de consciência se
os candidatos não lhe agradam, ou não acredita neles, não tenha vergonha de
declarar seu voto nulo. Em algumas situações é o mais consciente de todos os
votos, e mais do que um ato de coragem ou protesto, ele pode ser um ato de
sabedoria e defesa de princípios.
Por: Magnum Seixas




