SUS: um dos maiores programas públicos de assistência à saúde

Nas minhas vivências como profissional da saúde, pude observar as carências que o povo em geral enfrenta no SUS. O problema é de uma grande dimensão e complexidade. Não vou me estender em apontar as falhas do governo porque isto já é bastante divulgado em todas as mídias.
Para falar do SUS e de saúde deve-se antes de tudo entendê-los, pois, do contrário, seria leviana qualquer afirmação. Mas, afinal, o que seria saúde? Seria apenas o bem-estar do corpo? Seria a ausência de doenças? Ou a definição de saúde pode ser mais ampla?
Para a OMS (Organização Mundial de Saúde), saúde não é apenas a ausência de doenças, e sim o completo bem-estar físico, mental e social. Essa definição causa algumas discussões, pois a idéia de completo bem-estar soa como utopia, como perfeição, algo que não pode ser atingido; e também por separar o físico do mental e do social. Atualmente, são aceitas definições mais dinâmicas.
O artigo 196 da nossa Constituição de 1988 faz a definição que talvez seja a mais próxima do ideal de saúde:
“A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”.
Esta definição da saúde pela Constituição nos mostra fatores determinantes e condicionantes, como: a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais.
Apesar dos problemas apresentados pelo SUS, ele ainda é um dos maiores programas públicos de assistência a saúde. Oferecer atenção a saúde a milhões de pessoas de forma gratuita e integral exige uma complexidade enorme, além de um controle rigoroso na aplicação dos custos.
Algum dia todos nós já usamos o SUS por mais que desconheçamos este fato. Campanhas de vacinação como a da rubéola, de prevenção às doenças, combate à dengue, doação e recepção de sangue e hemoderivados são alguns exemplos.
Porém, o que tenho percebido é que, apesar de todos da área de saúde saberem disso, os gestores (que nem sempre são da saúde, infelizmente) não tem dado a importância necessária ao nível básico, a atenção básica da saúde.
Segundo o Ministério da Saúde, a porta de entrada do sistema de saúde deve ser preferencialmente a atenção básica (postos de saúde, centros de saúde, unidades de Saúde da Família, etc.). A Atenção Básica à Saúde trata-se do primeiro nível de atenção à saúde, segundo o modelo adotado pelo SUS. A população tem acesso a especialidades básicas, que são: clínica médica (clínica geral), pediatria, obstetrícia e ginecologia. Estudos demonstram que a atenção básica é capaz de resolver cerca de 80% das necessidades e problemas de saúde.
É fácil saber porque a atenção preferencial deve ser a atenção básica. Ao permitir que a população tenha acesso aos serviços básicos da saúde pode-se evitar as lotações futuras dos serviços mais especializados.
Além da promoção da saúde compete ao nível básico a prevenção. E nisso também não se observa um grande empenho dos gestores da saúde e dos municípios. Saúde não é apenas ofertar medidas curativas, não é puramente a administração de assistências terapêuticas. A saúde engloba o indivíduo como um todo. É possível estar bem de saúde consumindo água poluída? Ou ainda, considera-se bem-estar a condição de um indivíduo que convive sem rede de esgoto, ou vivendo em uma cidade com o ar poluído?
Prevenir é ofertar à população as condições ideais para a não instalação das doenças. Entram nesse leque o saneamento básico, políticas de distribuição de renda e também a conscientização da população sobre qualidade de vida.
Porém, ainda preferem gastar mais com os problemas futuros do que investir em políticas corretas de prevenção. Preferem investir em projetos cegonhas do que mostrar aos jovens as formas corretas de não engravidar. Os mais desavisados podem dizer que hoje só não sabe quem não quer. Erram. Ainda há pessoas que realmente engravidam porque desconhecem as medidas contraceptivas.
É preciso um melhor investimento dos recursos da saúde, inclusive em Catu. Não adianta ter vários postos de saúde e não ter médicos neles. Não adianta ter um hospital e ser negado o atendimento à população. Sem falar da cara feia e falta de educação de muitor colegas da saúde.
Bom foi ver a 3ª Campanha da Saúde promovida pelo PSF do bairro Barão de Camaçari. Um belo exemplo de promoção da saúde, focando em atividades preventivas.
Caponi define bem o que é produzir saúde:
“Produzir saúde por meio da perspectiva da promoção da saúde significa comprometer-se com sujeitos e coletividades que expressem (...) capacidade para gerenciar satisfatoriamente os limites e os riscos impostos pela doença, (...) enfim pela vida”.
Por: Romisson Silva



