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Fundação SOS Mata Atlântica condena o Rio Catu

Mais uma vez a Fundação SOS Mata Atlântica realizou monitoramento em rios da Bahia e o resultado não foi satisfatório. Durante os meses de fevereiro e março deste ano, o caminhão do projeto “A Mata Atlântica é aqui – exposição itinerante do cidadão atuante”, visitou seis cidades do estado – Jacobina, Catu, Canavieiras, Itamaraju, Prado e Caravelas – com o objetivo de sensibilizar o público sobre conservação ambiental por meio de diversas atividades. Além desta ação, a equipe selecionou rios locais em cada município visitado, para análise de sua qualidade. No total, foram feitas sete coletas, mas nenhuma obteve resultado positivo.

Para realizar essa análise, a equipe da SOS Mata Atlântica conta com um kit de monitoramento desenvolvido pelo Programa Rede das Águas, da própria ONG. O kit classifica a qualidade das águas em cinco diferentes níveis de pontuação: péssimo (de 14 a 20 pontos), ruim (de 21 a 26 pontos), regular (de 27 a 35 pontos), bom (de 36 a 40 pontos) e ótimo (acima de 40 pontos).

Este ano, foram analisados os seguintes corpos d’água: Rio Itapicuruzinho que obteve 28 pontos o que o classifica como regular e Rio Itapicuru Mirim com 24 pontos considerado ruim, ambos em Jacobina; Rio Catu, obteve 26 pontos que também foi considerado ruim; Rio Pardo, em Canavieiras 30 pontos considerado regular; Rio Jucuruçu, com coleta de água em Itamaraju com 30 pontos e Prado 32 nas duas amostras considerado regular; e o Rio Caravelas, localizado em Caravelas com 31 pontos classificado como regular.

Em 2010, foram analisados: Rio Itanhém, em Teixeira de Freitas; Rio Buranhém, em Porto Seguro; Rio Cachoeira, em Ilhéus; Rio Verruga, em Vitória da Conquista; Rio Jaguaribe e Rio Pituaçu, ambos em Salvador e o Rio Jacuípe, na cidade de Feira de Santana. Ao todo, foram realizadas 14 análises de água no estado.

As que obtiveram o melhor resultado foram as do Rio Pituaçu, na capital baiana, e do Rio Jucuruçu, em Prado. Ambas somaram 32 pontos e foram classificadas no nível “regular”. O pior resultado ficou para o Rio Verruga, em Vitória da Conquista (BA), com 17 pontos, classificado no nível “péssimo”.

Segundo Malu Ribeiro, coordenadora do Programa Rede das Águas, esses resultados comprovam que os rios da Bahia estão cada vez mais comprometidos, mesmo nas regiões em que seriam esperadas boas condições.
“A mobilização da sociedade é fundamental para a conservação da água, pois embora seja um recurso natural essencial à vida, ainda é tratada com descaso. Os índices de saneamento básico e de áreas de preservação permanente conservadas no país são muito baixos, o que reflete em ameaça à saúde da população. Queremos despertar nas pessoas o estado de alerta, o conhecimento e a vontade para a mudança de comportamento.”

Ela reforça que a população local poderia se envolver mais e formar grupos voltados a acompanhar a situação destes rios e, dessa forma, cobrar medidas adequadas das autoridades.

Os níveis de pontuação são compostos pelo Índice de Qualidade da Água (IQA), padrão definido no Brasil por resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA). O resultado é obtido com a soma da pontuação de 14 parâmetros físico-químicos, biológicos e de percepção, avaliados pela comunidade com auxílio do kit. Cada um desses parâmetros pode receber de um a três pontos, obtendo o mínimo de 14 e o máximo de 42 pontos.

Os parâmetros são: temperatura, turbidez, espumas, lixo, odor, peixes, larvas e vermes brancos ou vermelhos, coliformes totais, oxigênio dissolvido, demanda bioquímica de oxigênio, potencial hidrogeniônico, níveis de nitrato e de fosfato.
Fonte: Cristiane Flores/Tribuna
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