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Entrevista: Radiovaldo Costa, Diretor do Sindipetro fala sobre situação da Lupatech


Para falar sobre a crise que se instalou na Lupatech, o Expresso Catuense entrevistou Radiovaldo Costa, Diretor por 4 mandatos consecutivos do Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro). Na entrevista foram abordadas questões relacionadas a atual situação da empresa, seus impactos sobre os trabalhadores e as ações que vêm sendo adotadas buscando solução para  a problemática instalada. Radiovaldo Costa é Técnico de Operação Pleno da Petrobras, ex-diretor por 2 mandatos da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e está no seu 3º mandato como vereador do município de Alagoinhas.

Veja entrevista abaixo:

Expresso Catuense: Qual a atual situação da Lupatech?

Radiovaldo Costa: A empresa de fato passa por profundas dificuldades. Os motivos são diversos, uns antigos e outros mais recentes. A empresa possui um divida com fornecedores muito grande. Poderíamos afirmar que nesse momento, a única coisa que a empresa ainda consegue manter em dia, é o pagamento dos salários e benefícios dos trabalhadores (as) e encargos sociais. Nas atividades que historicamente são desenvolvidas em Catu, desde a antiga SOTEP, os problemas vêm se acumulando desde 2009, quando naquele primeiro momento, a SOTEP, foi vendida para o grupo GP Investimentos. A partir dali a empresa não conseguiu mais se equilibrar, principalmente por conta das diversas “barbeiragens”, cometidas. Outra grande dificuldade foi a constante troca de comando. A entrada e saída de gestores da empresa, com muita rapidez e frequência, já sinalizava o desequilíbrio econômico, financeiro e administrativo da empresa. A péssima gestão a partir do grupo GP Investimentos, foi determinante para levar a empresa para condição que se encontra hoje (isso em relação ao segmento Sotep, Prest e SAI).

Expresso Catuense: Normalmente em situações de crise os trabalhadores são os primeiros a ser impactados com as medidas de contenção de gastos. Trabalhadores que foram demitidos alegam que não tem recebido os direitos trabalhistas; outros ainda em trabalho revelam que o adicional noturno não tem sido pago; contracheques não tem sido gerados; entre outros atos que atingem diretamente os funcionários. Como está agindo o sindicato?

Radiovaldo Costa: O sindicato vem acompanhando de perto, a situação da Lupatech. Fechamos um bom acordo, apesar da dificuldade da empresa. Temos buscado a direção da empresa para cada demanda que é apresentada pela categoria e principalmente acompanhando as questões relativas aos acidentes e problemas relacionados a segurança industrial. É claro que o cenário de dificuldade da empresa, diminui muita a margem de negociação da direção da Lupatech, com a direção do sindicato. A empresa, esta muito recuada, expondo as suas fragilidades e isso acaba refletindo negativamente nos trabalhadores (as). Apesar disso, estamos vigilantes e vamos defender acima de tudo, os interesses da categoria e seus direitos.

Expresso Catuense: A Lupatech é uma terceirizada da Petrobras na região. Qual tem sido a postura da Petrobras diante dos acontecimentos?

Radiovaldo Costa: A Petrobras tem adotado em situações como esta a postura de “não intervir nos assuntos internos das empresas prestadoras de serviço”. Isso tanto para a Lupatech, como para qualquer outra empresa. O Sindipetro Bahia e a FUP (Federação Única dos Petroleiros), tem acompanhado as dificuldades dessas empresas de perto e cada vez mais, cobrado um posicionamento da direção da Petrobras, principalmente no que diz respeito a garantia dos direitos dos trabalhadores (as), adotando medidas que venham evitar calotes nas verbas rescisórias pelas empresas contratadas. Entendemos que a Petrobras e co-responsável com essa situação e tem responsabilidade solidaria e subsidiaria com desdobramentos que ocasionem prejuízos aos trabalhadores (as).

Expresso Catuense: Os últimos acidentes envolvendo a empresa estariam relacionados a diminuição dos investimentos e na manutenção dos equipamentos existentes?

Radiovaldo Costa: Tenho certeza que sim. Pelas dificuldades que a empresa vem passando, em especial com fornecedores, a manutenção dos equipamentos é impactada, principalmente a manutenção preventiva, que é a mais importante. Isso é muito grave, pois coloca em risco a segurança das operações, expondo os trabalhadores (as).

Expresso Catuense: Em caso de falência da Lupatech quais são as alternativas para a unidade em Catu já que a empresa mantém contratos firmes com a Petrobras? Ser incorporada por outro grupo ou mesmo fechar as portas?

Radiovaldo Costa: Caso essa possibilidade venha a acontecer, não acredito na incorporação por um outro grupo privado. A Petrobras, fatalmente realizaria novas licitações, para suprir as lacunas deixadas pela Lupatech, o que significaria o “fechamento da empresa” e a venda dos seus ativos para pagamento dos trabalhadores (as) e fornecedores. Para o segmento de sondas terrestres, marítimas e serviços especiais, acredito e defendo que a única e melhor alternativa, para os trabalhadores, Petrobras e sociedade, seria a incorporação pela Petrobras, assumindo os ativos e naturalmente os passivos, porem o maior ganho com essa medida, seria o social, evitando a demissão de milhares de trabalhadores (as), não só na Bahia, mais no ES, RN, SE e RJ. Defendo que seja criada uma espécie de subsidiaria, para atender as necessidades de sondagem da Petrobras em todo o Brasil, com isso a empresa, passaria a ter um conjunto de sondas próprias, para atender as suas necessidades, juntamente com as sondas das demais empresas contratadas.

Expresso Catuense: A experiência recente mostrou que a troca de donos na empresa, como foi o caso da Sotep para San Antonio e agora da San Antonio para Lupatech, sempre tem sido seguida de demissões. O que pode se está fazendo para impedir uma demissão em massa numa provável mudança de gestão na empresa?

Radiovaldo Costa: Realmente aquilo que até 2009, era SOTEP, não só na Bahia, como em outros estados, vem diminuído de tamanho, ano a ano. Essa diminuição é fruto da crise alongada que a Lupatech e as empresas sucedidas, passou e continua passando. Com a diminuição de tamanho, perda de licitações, acaba acontecendo demissões. A antiga SOTEP perdeu varias licitações recentemente, e olhe que estamos falando daquela que já foi a maior operadora de sondas terrestres do Brasil até 2010. O que mantém os empregos, são contratos, coisa que infelizmente a Lupatech, vem perdendo ano a ano, em especial no segmento da sondagem.

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