Gilcina Carvalho, ex-prefeita de Catu, fala sobre o seu governo e os planos para o futuro
A ex-prefeita de Catu, a pedagoga Gilcina Carvalho, falou em entrevista ao Expresso Catuense sobre como encontrou Catu e como deixou a cidade para o atual prefeito, Gera Requião. Temas como a criação da Fundação Gilcina Carvalho e da sua provável candidatura a deputada estadual também fizeram parte da conversa. Confiram a íntegra da entrevista.
Oito anos de Governo: O que era Catu em 2005 quando recebeu do prefeito Antônio Pena e o que é Catu em 2013 sendo entregue a Geranilson Requião?
Quando assumi a administração de Catu, em 2005, a cidade estava completamente sucateada, coberta de lixo. A gestão anterior deixou de recolher o lixo da cidade por vários meses, como também deixou três meses de salários dos funcionários sem pagar, inúmeras dívidas e outros problemas sérios. Inadimplência em todos os órgãos federais e municipais, o que dificultou, no início do governo, a celebração de convênios, e deixamos de conseguir recursos externos. A cidade completamente destruída!
A primeira providência que tomamos foi pagar os 3 meses de salários dos funcionários não pagos pela gestão anterior. Poderíamos ter feito uma grande obra na cidade para impactar positivamente a nossa gestão, mas entendemos que não se tratava de obra de pedra e cal e sim de uma grande obra social, resgatando a autoestima dos servidores públicos. A partir daí pagamos rigorosamente em dia os salários dos funcionários da Prefeitura e não deixamos dívidas de salários para o próximo gestor pagar.
A senhora pegou uma cidade endividada, mas deixa o governo com uma situação financeira inquestionavelmente favorável, sem dívidas e com a arrecadação elevada. Esta tendência é duradoura ou dependerá exclusivamente do desempenho do novo gestor?
É duradoura, a exemplo da elevação do FPM que conseguimos atingir mais de 50 mil, o que elevou o FPM de 2.0 para 2.2. Outro ponto foi a implantação da nota fiscal eletrônica, poucos municípios implantaram. Catu está sendo citada como referência na região, dentre outras ações que influenciaram no aumento da arrecadação. Se o novo gestor não tomar cuidado, se não tiver o mesmo zelo que tivemos, a arrecadação poderá diminuir, sim.
Algumas pessoas afirmam que houve perseguição a servidores e demissão em massa nos últimos meses da gestão. O que de fato houve?
Tínhamos que desacelerar algumas atividades por conta do final da gestão. E isso só aconteceu no último trimestre. E mesmo assim em pouquíssimos setores. Nunca houve perseguição com servidores da Prefeitura e todo mundo sabe disso. Me elegi e me reelegi sempre respeitando o servidor público. Logo agora que não fui candidata por que iria perseguir? O que eu acredito que aconteceu é que, as pessoas que encerraram suas atividades utilizaram esse artifício, o de perseguição, para convencer o próximo prefeito a contratá-las na próxima gestão.
Tem sido propagado que os novos gestores encontraram as estruturas sucateadas, sem condições de trabalho, contando apenas com pequenas mesas, falta de computadores e de ar condicionado. Estes fatos são verdadeiros?
Não, não são verdadeiros. Nós reformamos e ampliamos vários espaços para acomodar as Secretarias. Os móveis mais antigos nós reaproveitamos, sem pensar em comprar móveis luxuosos. Pensamos em promover uma estrutura com móveis simples. O dinheiro é público, conseguido através de impostos pagos pelo povo que trabalha de sol a sol. Não é justo que uma pequena parte da população, elitizada, usufrua com cadeiras acolchoadas e ar condicionados. Quem quiser luxo tem que arcar com seu próprio bolso. Evidentemente que não estamos desmerecendo nossos servidores, acredito que quem deve estar reclamando são os chefões.
Quanto a computadores, quando assumimos, todos eles eram alugados pela gestão anterior e foram recolhidos. Nós é que compramos dezenas de computadores com recursos próprios para toda a Prefeitura. É só verificar o levantamento patrimonial.
Qual foi o momento mais crítico da sua administração e quais questões não conseguiu resolver?
No ano de 2009 enfrentamos uma recessão a nível mundial, incluindo os Estados Unidos, e com Catu não foi diferente. Se não tivéssemos tido “pulso firme” e experiência administrativa, não teríamos enfrentado a tal recessão. Se tivéssemos desequilibrado a folha de pagamento do servidor público, já que representa a metade da arrecadação mensal da Prefeitura, as finanças hoje estariam totalmente descontroladas e desorganizadas.
O que muito me indignou foram as críticas negativas e severas do grupo opositor quando tomamos a iniciativa de adquirir um empréstimo com o Banco DESENBAHIA visando pavimentar os bairros da cidade ainda sem ruas asfaltadas. Alegavam que Catu tinha uma arrecadação alta e não era admissível um ato como esse. Endividar o município por 10 anos. Então nós recuamos e fizemos toda a pavimentação que pode ser vista na cidade, com recursos próprios. Evidentemente que tivemos que economizar em algumas áreas. Hoje fica somente parte do Bairro do Planalto II, parte do Santa Rita e Rua Nova e alguns loteamentos mais afastados. Nos demais, manutenção normal do asfalto. Como a arrecadação hoje está elevada e a administração atual não herdou dívidas, fica fácil realizar essas obras com recursos próprios.
A senhora permanece em Catu?
Como poderei me ausentar de Catu? Nasci e me criei em Catu, toda a minha família mora em Catu, inclusive grandes amigos. Amo a minha cidade. Continuarei atuando na área social, visando ajudar os menos favorecidos.
Como atuará a Fundação Gilcina Carvalho?
Com os mesmos propósitos da ASSOE - Associação de Assistência Sócio Educacional, da qual sou presidente há mais de 15 anos. A Instituição ficou sem atividade por algum tempo, já que a Prefeitura de Catu me absorveu por tempo integral.
Tive algumas pessoas que muito influenciaram a minha vida. Essas pessoas se dedicavam às causas sociais, ajudavam muito o povo menos favorecido. Minha avó, única parteira de Catu, durante muitos anos realizou partos gratuitos para ajudar o povo; minha mãe, que muito ajudou comunidades carentes e é reconhecida na cidade pelo tanto que fez, e meu marido José Carvalho, que fundou a Fundação José Carvalho e dedicou a sua vida inteira em prol da educação e obras sociais. Estou casada com José Carvalho há mais de 25 anos. Antes de ser Prefeita de Catu, atuei na Ferbasa e Fundação por 20 anos dos quais 16 anos na função de Vice-Presidente. Por isso que acumulo experiência administrativa. Tanto na Fundação (administrativa e social), quanto na Prefeitura (administração pública).
Como foi entregue a saúde do município?
Entregamos a Secretaria com todos os setores funcionando e com os salários dos funcionários e as contas pagas em dias, sem dívidas, e com obras de construção civil em andamento, importantes para a população. Além disso, implantamos o Caps - Centro de Atendimento Psicossocial que atende mais de 400 pessoas da cidade; implantamos o CEO -Centro de Especialidades Odontológicas, que realizam inclusive cirurgias bucais, além de outros atendimentos; revitalizamos os 15 PSFs - Postos de Saúde da Família, inclusive construímos um PSF novo no bairro Barão de Camaçari e iniciamos obras de reforma em cinco deles, deixando o dinheiro na conta corrente da Prefeitura para a sua conclusão; implantamos o HEMOBA (Banco de Sangue), reformamos o hospital, com o restante da obra com recurso garantido; adquirimos a ambulância SAMU e colocamos para funcionar, adquirimos também 4 ambulâncias novas. Deixamos toda a frota nova, já que a anterior estava totalmente sucateada.
Deixamos várias obras em construção: a UPA - Unidade de Pronto Atendimento, uma UBS - Unidade Básica de Saúde para duas equipes médicas, uma Academia de Saúde para práticas esportivas, dentre outras obras.
Quais as conquistas do seu governo que ficam para o próximo prefeito (entre obras e questões de gestão organizacional)?
Elevamos a arrecadação própria do município, através da implantação da nota fiscal eletrônica e revisão do IPTU, em mais de 1 milhão mensal, o que corresponde a mais de R$ 12 milhões anuais;
Incluímos a cidade na lista dos municípios com mais de 50 mil habitantes, através da revisão populacional do IBGE, elevando assim o índice de repasse do FPM de 2.0 para 2.2, o que aumentou a arrecadação;
Tornamos o município adimplente a nível Estadual e Federal após negociar e pagar dívida de administrações anteriores com diversos órgãos. Organizamos das Secretarias com espaços físicos estruturados;
Colocamos várias Ações Judiciais a favor de Catu, o que podem trazer em um futuro próximo bom retorno financeiro para o município; Também pagamos os salários dos funcionários da Prefeitura em dia, o que inclusive favoreceu o comércio local, hoje com as suas atividades aquecidas. Pagar os salários em dia representa a metade (50%) do que se arrecada no município; Deixei a cidade limpa e iluminada e vários bairros pavimentados, faltando completar o Planalto II, Santa Rita e Rua Nova.
Há também várias obras com recurso Federal ou Estadual garantidos, como: Hospital Municipal (2ª etapa a ser concluída); UPA - Unidade de Pronto Atendimento (Hospital para a cidade alta); UBS – mais um Posto de Saúde para a cidade alta; Academia de Saúde – para a população da cidade alta; Creche na Barão de Camaçari.
Citei somente algumas conquistas das inúmeras existentes na minha administração.
Faça um breve balanço dos setores da Prefeitura de Catu durante a gestão Gilcina Carvalho.
Finanças
Finanças
Quando cheguei na Prefeitura, a arrecadação própria era pequena, o Setor de Tributos funcionando aquém das suas possibilidades, o prédio que abrigava a Secretaria de Finanças tinha que acomodar também a de Infraestrutura e de Serviços Públicos. Os computadores da Prefeitura eram alugados e haviam sido devolvidos no final da gestão.
Reformamos o prédio da antiga Prefeitura e instalamos um novo Setor de Tributos todo equipado, com a instalação da nota Fiscal Eletrônica e Assessorias Jurídicas e Contábil, o que elevou em quase 1 milhão/mensal a arrecadação própria (de R$ 380 mil para R$ 1.200.00,00). Também o índice do repasse do FPM foi aumentado de 2.0 para 2.2, e isso só foi possível após o pedido ao IBGE para apuração da quantidade de habitantes e Catu passou a fazer parte da lista de municípios com mais de 50 mil/Hab.
Infraestrutura e
Serviços Públicos
Encontrei com problemas gravíssimos: ruas com esgoto correndo a céu aberto, a maioria das ruas sem pavimentação, e as que foram pavimentadas já muito gastas, o abastecimento de água da cidade muito precário, praças danificadas, incluindo a da Aruanha que estava muito danificada, dentre outros problemas.
Para resolver o problema de esgotos a céu aberto, fizemos diversas obras de esgotamento sanitário, a exemplo do instalado no Bairro de Santo André, de mais de 1 km no Bairro Barão de Camaçari (ao lado da via férrea), dentre outras localidades. Pavimentamos o trecho que liga a rótula do Pioneiro até o Comércio, Ruas no Bairro Fleming, Planalto I, Planalto II, Pioneiro, Santa Rita Barão de Camaçari e outros bairros. As praças também passaram por diversas reformas, inclusive a da Aruanha que foi reconstruída com muito mais equipamentos que a anterior que só possuía 3 quiosques e nada mais.
Saúde
Quando assumi a Prefeitura, os PSFs - Postos de Saúde da Família - estavam perdendo a certificação de funcionamento, o Hospital com estrutura precária. Inicialmente, revitalizamos todos os PSFs e o hospital. Colocamos o ambulatório de especialidades para funcionar. Implantamos o CAPS - Centro de Atendimento Psicossocial, o CEO - Centro de Especialidades Odontológicas e o Hemoba (Banco de Sangue).
Educação
Encontrei as escolas necessitando reforma geral e equipamentos. O acervo de livros da biblioteca muito pequeno, muitos professores sem o curso de nível universitário, dentre outros problemas.
O primeiro passo foi fazer uma reforma geral na estrutura física das Escolas e providenciar novos equipamentos. Também as Universidades ULBRA e FTC se instalaram na cidade, a nosso pedido, para capacitar os professores e hoje, quase 100% dos professores possuem nível superior. Além de outras ações e bons projetos os quais impactaram positivamente o índice do IDEB – Índice de Desenvolvimento de Educação do Brasil. Cumprimos também o aumento do salário do professor (valor de inflação, do piso salarial e de tabela). Implantamos 23 laboratórios de Informática nas Escolas e ampliamos o acervo bibliográfico das Bibliotecas Escolares. Dentre muitas outras ações.
Agricultura
A secretaria não existia. Somente um setor ligado ao gabinete com poucas ações desenvolvidas.
Criamos a Secretaria de Agricultura e incentivamos o pequeno agricultor com diversos projetos que contemplavam cursos, palestras, doação de sementes, aragem de terras, e outras ações importantes.
Esporte
Os times amadores e veteranos não eram contemplados. Só existia o time Catuense. Conseguimos resgatar todas as modalidades de futebol da cidade com 8 times cada um: Amador, Veteranos, Quarentões, Cinquentões, Evangélicos, Feminino; o Campeonato Sub-17 e a Copa 2 de Julho.
Lazer e eventos
As festas tradicionais não eram realizadas. Resgatamos todas as festas da cidade e elas foram comemoradas nos 8 anos de governo, como o São João (na sede, em Sítio novo e Bela Flor), a Festa de Reis (no Bairro Barão de Camaçari), a Festa de São José (em Sítio Novo), a Festa de Santo Antônio (em Pau Lavrado), a Festa de São Miguel (em Bela flor), o evento Catu para Cristo e Marcha para Cristo e o apoio à Festa de Senhora Sant’Ana (Padroeira da Cidade).
São muitas obras, projetos e ações realizadas. Impossível citar todas elas no momento. Em outra oportunidade posso fazer um relato mais apurado.
Seu nome tem sido cotado para disputar a eleição em 2014 como candidata a deputada estadual. A possibilidade é concreta?
Estamos pensando sobre o assunto. Peço a Deus sabedoria e orientação para definir a próxima etapa da minha vida. Vai depender primeiro dos propósitos de Deus e também do povo. Sem os quais seria inviável levar o assunto adiante.
Estamos pensando sobre o assunto. Peço a Deus sabedoria e orientação para definir a próxima etapa da minha vida. Vai depender primeiro dos propósitos de Deus e também do povo. Sem os quais seria inviável levar o assunto adiante.
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