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FEMMIC 2012: O Brasil esteve aqui

A FEMMIC 2012 foi organizada pelo Grupo de Pesquisa em Educação Científica e Popularização das Ciências (GPEC), vinculado ao IF Baiano. O evento ficou estruturado sob cinco categorias principais: a Feira dos Municípios, tradicionalmente feita há mais de 30 anos em Catu (BA); a Mostra Científica, que congrega participantes da Educação Básica, Técnica e Superior, onde estudantes apresentam projetos de pesquisa que desenvolvem nas mais variadas áreas do conhecimento; realização de Minicursos e Oficinas, abrangendo a qualificação de pessoas nos diversos assuntos; Mesas Redondas, abertas a professores, que discutiram questões pertinentes à Educação Científica na Bahia e no Brasil; e Espaço Cultural, que contou com a participação ativa de vários alunos, tanto em plateia quanto na ala de apresentações do palco principal do evento.

Uma mesa de honra abriu o cerimonial com a presença: do Reitor do IF Baiano, Sebastião Edson Moura; do Pró-reitor de Extensão deste Instituto, Alberto Oliveira; do diretor do Campus Catu, Alex Batista Dias; e da representante da prefeitura desse município, Maria Joanil Silva Souza.

Em oportunidade, o Reitor do IF Baiano lembrou da tradição que as antigas Escolas Agrotécnicas Federais (EAF) tinham na promoção de Feiras de Ciências. Sebastião Edson destacou a importância que esses eventos possuem na integração entre instituições de educação, empresas e comunidade. Para Moura, os encontros feitos anteriormente tinham esse intuito, porém, eram restritos à comunidade local.

“Com a transformação em IF Baiano, essas unidades passaram a se portar como uma Rede de Institutos Federais. Assim, o diálogo entre os IF's se estreitou ainda mais e as ações desenvolvidas entre eles reforçam os vínculos cada vez mais fortes e duradouros na promoção de uma Educação Científica e Tecnológica em cadeia nacional”, afirmou o reitor.

A FEMMIC 2012 teve o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb) e do projeto Ciência, Arte e Magia, vinculado à Universidade Federal da Bahia.

Expansão de uma Rede Científica e a formação de jovens pesquisadores

A FEMMIC 2012 é a consequência de um conjunto de projetos que a antecede; uma culminância de políticas do Governo Federal em descentralizar a produção e difusão do conhecimento.

Os trabalhos apresentados e a origem dos seus autores demonstram o intercâmbio educacional e cultural que marcou este evento. “A troca de informações sobre as diferentes realidades da Educação no país é imprescindível para cada instituição participante avaliar o trabalho que tem desenvolvido e, assim, qualificar ainda mais sua atuação na sociedade”, enfatiza o diretor do Campus Catu, Alex Dias.

Um diferencial da FEMMIC 2012 foi a inscrição de projetos científicos por alunos da Educação Básica.

De acordo com o presidente da FEMMIC, o IF Baiano tem incentivado, cada vez mais, a participação de estudantes em projetos científicos.

A FEMMIC é o resultado de uma das etapas de formação desses jovens pesquisadores. O IF Baiano provou, mais uma vez, que é possível aliar 'Ensino, Pesquisa e Extensão' já na Educação Básica. Eventos como estes quebram os mitos de que só se faz pesquisa em universidades. A Educação deve ser projetada seguindo essas etapas de formação pedagógica e social dos estudantes. É preciso investir na base até que os retornos também aconteçam na Educação Superior”, comenta Marcelo Souza.
  
O Diretor de Inovação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), Artur Caldas Brandão, esteve no evento, visitou os estandes e se reuniu com o Reitor do IF Baiano, com o Diretor do Campus Catu e com o Coordenador Geral de Inovação do IF Baiano, Denilson Sodré, para discutir a ampliação da parceria entre a Fapesb e o IF Baiano em projetos de pesquisa e inovação.

Atualmente a Fapesb tem contemplado alguns projetos do IF Baiano com a concessão de bolsas para doutores-pesquisadores desse Instituto. Mas, com a culminância da FEMMIC, essa articulação deve se estender ainda mais. “Depois das discussões que tive aqui vou colocar na minha pauta de ação, tentar da melhor forma e da maneira mais rápida possível dar uma escala de dimensão estadual a essa iniciativa que já vem sendo desenvolvida com o IF Baiano há alguns anos. Estas experiências bem sucedidas têm que ser fomentadas, financiadas, trabalhadas e difundidas. Temos que levar outras instituições, de outros municípios, a trilhar por esse caminho que é pleno e seguro ao desenvolvimento”, declara Brandão.

Ações integradas de Educação para o desenvolvimento local

De acordo com a representante da Prefeitura de Catu, Maria Joanil Silva Souza, a atuação do IF Baiano na comunidade catuense demonstra o avanço na qualidade de Educação na esfera municipal, com o intermédio do Governo Federal.

Joanil relatou sobre os projetos do Ministério da Educação executados nessa cidade com a intervenção do Instituto Federal Baiano - como o Programa de Educação de Jovens e Adultos (Proeja) - e também da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica que têm levado cursos do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) ao município. A representante da gestão política de Catu ressalta que eventos como a FEMMIC são importantes para esclarecer aos trabalhadores, estudantes, adultos e crianças sobre as ações tomadas em prol da Educação na região.

O conhecimento chega à comunidade
Segundo a Coordenadora de Difusão Técnico-Científica e Cultural da Pró-reitoria de Extensão do IF Baiano (Proex), Cristiane Brito, a FEMMIC foi um espaço em foi possível obter um retorno também da comunidade em relação aos projetos desenvolvidos pelo Instituto. A Proex foi representada, também, com um estande onde os visitantes puderam tirar dúvidas e fazer sugestões.
O 'Escola Itinerante' foi lembrado pelo diretor do Campus Catu e também por estudantes que exercem ou já participaram de atividades do projeto. Trata-se de um projeto desenvolvido pelo IF Baiano há quase 20 anos – iniciado no Campus Catu, e atualmente trabalhado, também, no Campus Santa Inês – que desloca uma equipe multidisciplinar destes campus até as comunidades. O objetivo é orientar pessoas em suas atividades cotidianas, com base em pesquisas realizadas no Instituto.

Inclusive, durante o evento, a Coordenadora de Programas e Projetos do IF Baiano, Mercia Xavier, anunciou a criação do chamado “Programa Ciência Itinerante”. O objetivo é ampliar o atual Escola Itinerante, e assim, potencializar a disseminação e popularização da ciência e do conhecimento produzido no Instituto Federal Baiano.

Camila Santos Torres é moradora de Catu e visitava os estandes da FEMMIC. Ela é uma ex-aluna do IF Baiano e participou, por dois anos, do projeto Escola Intinerante, através de iniciativas de Extensão. Camila defende que o Escola Intinerante, assim como outros de interação ‘escola-comunidade’, devem ser preservados.
Organizações e responsabilidades a cumprir
A ex-aluna do curso Técnico em Agropecuária agora se qualifica na área de Petróleo e Gás. Camila foi aos estandes adquirir mais informações sobre sua nova e futura profissão. Por isso sabe bem sobre a importância que tem a valorização da Educação por empresas e instituições de uma região; ela é bem categórica em relação a esse assunto e faz sugestões: “o que se faz por jovens, hoje, tem retornos. Não estou falando simplesmente de ajuda, e sim, de investimento. As empresas podem participar da formação de trabalhadores e cidadãos”, afirma. A região do município de Catu tem uma economia com imenso potencial para o desenvolvimento da Indústria Petrolífera. Por isso, dois estandes apresentaram o tema: o do Curso Técnico em Operação e Produção de Petróleo e Gás, modalidade Subseqüente, oriundo de uma parceria entre o IF Baiano e a Petrobras S.A; e o Curso Técnico de Petróleo e Gás, modalidade Integrado ao Ensino Médio, do Colégio Estadual Pedro Ribeiro Pessoa, também com incentivos da Petrobras.

Com o foco ‘Destino dos Resíduos Sólidos Petrolíferos’, Mônica Santos mostra seu projeto de pesquisa. O estande do Colégio Estadual Pedro Ribeiro apresenta sobre a cadeia produtiva desse que é um dos setores mais expansivos na economia global e local. O curso é dirigido pela Superintendência de Educação Profissional da Bahia (Suprof-BA), sob a coordenação da professora Heloísa Lemos de Santana, com duração de quatro anos, formando sua primeira turma em dezembro de 2012.
Segundo essa gestora, a feira é um espaço imprescindível para que as pessoas conheçam o curso. “Somos a única instituição do país a ofertar essa formação técnica com a gerência de um governo estadual. Mas, ainda assim, tentamos contar com a colaboração de empresas, instituições e pessoas para darmos prosseguimento ao curso”, revela a professora, enfatizando sobre a necessidade de parcerias com outros agentes.

O estande que essa turma apresenta na FEMMIC reflete a postura pedagógica e social de formação desses discentes. “Procuramos, acima de tudo, motivar nossos alunos para os desafios da profissão. Além disso, conscientizamos esses estudantes a terem uma visão mais ampla dos processos de produção, para que eles possam compreender, também, os impactos sociais e ambientais das atividades petrolíferas”, aponta a coordenadora do grupo que expõe sobre o ciclo da “mina do ouro negro” de Catu e região.

Comunidade participa das atividades

Em todos os dias do evento, foi notável a inclusão da comunidade com as propostas da FEMMIC. O diretor do Campus Catu explica que a FEMMIC tem por objetivo estimular alunos e professores a continuar estudando e pesquisando na tentativa de ampliar os horizontes do conhecimento e, também, reunir a comunidade nessa caminhada conjunta.

“Acredito que a ciência deve ser feita para descobrir o novo, reforçar e somar os conhecimentos adquiridos para que sejam proporcionadas mudanças e melhorias sociais”, destaca o professor Alex Dias.

As próprias mostras de projetos traduzem um trabalho desenvolvido pelo Instituto Federal Baiano a cada dia. Os visitantes puderam identificar nos estandes o resultado de estudos feitos com produtos agropecuários, com as reações químicas constituintes desde o petróleo ao alimento que cozinhavam em casa.

Os estandes comportaram gêneros agropecuários e produtos artesanais processados e feitos por cooperativas parceiras do IF Baiano. Algumas destas mostras garantiram a renda de pequenos proprietários e comerciantes locais. Algumas prateleiras carregavam parte dos gêneros alimentícios oriundos de atividades laboratoriais dos cursos técnicos de agroindústria e de cozinha. Os alunos aprendem sobre as propriedades dos alimentos em sala de aula; praticam esse conhecimento visando, também, exposição em eventos como a FEMMIC. Essa é uma ação de Extensão desenvolvida por um pesquisador e também por um extensionista. Segundo a Coordenadora de Difusão Técnico-Científica e Cultural, ainda que haja pesquisa sobre os mais variados temas, o conhecimento não pode ficar restrito a um grupo ou instituição. “A produção científica deve fornecer subsídios para que a comunidade se identifique com a troca de conhecimentos e saberes”, reforça Cristiane Brito.

Lícia Ferreira é uma outra curiosa que passou pela FEMMIC. Ela conta que encontrou na FEMMIC novidades dentro de sua área de interesse. “Eu gosto muito de plantas. Consegui aprender sobre a aplicação de alguns vegetais no preparo de medicamentos caseiros. Por isso, além de mudas de plantas, levo conhecimentos que vou cultivar nos meus afazeres”, disse.

Informe Publicitário do IFBaiano-Catu