Espaço do Leitor: O mensalão, o bicho e a lei de Gerson
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| Julgamento do Mensalão foi feito propositalmente em período eleitoral, para atender interesses da direita. |
As raízes do mensalão estão fincadas
na cultura da vantagem, propagada amplamente nas diversas classes sociais, que enaltece
práticas nem sempre corretas para a conquista de objetivos, fazendo com que o
“espertismo” seja confundido com inteligência. Práticas como furar uma fila,
trafegar pelo acostamento em um congestionamento, ganharam ainda mais espaço no
imaginário popular com o texto reproduzido por Gerson, jogador da Seleção
Brasileira campeã da copa de 1970, numa peça publicitária televisiva para uma
marca de cigarros (Vila Rica): "Por
que pagar mais caro se o Vila me dá tudo aquilo que eu quero de um bom cigarro?
Gosto
de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também, leve Vila
Rica!" ,caso que deu origem ao termo “Lei de Gerson”.
Ainda no território do futebol, que
em nosso país é utilizado para ilustrar as mais diversas situações, poderíamos
citar o famoso “bicho”, prêmio extra, em dinheiro, cobrado por jogadores ao
próprio clube (e bancado com o dinheiro dos torcedores) para cumprir com suas
obrigações de vencerem e levarem o time a conquistas de títulos, às quais por
si só, os salários astronômicos justificariam.
Na sociedade política não é
diferente, o “bicho”, ou mensalão, se expressa através da cobrança de uma contrapartida
(inclusive financeira) por alguns integrantes da bancada parlamentar para
entrarem em campo e viabilizarem a aprovação dos projetos enviados pelo poder Executivo
que atendem aos interesses da população,o que aponta para a necessidade de uma revisão
dos valores morais e éticos produzidos e reproduzidos na sociedade civil, berço
da nossa sociedade política.
Legitimar o discurso presente na
lei de Gerson significa estar contribuindo para naturalizar práticas como a do mensalão,
restando a alguns reproduzir inconscientemente, um discurso construído para
atender aos interesses de pequenos grupos que controlam tudo aquilo que lhes chegam:
seja pelas ondas do rádio, da TV, ou pela internet.
*Michel Santos é graduando em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia.
*Os materiais publicados neste espaço não refletem necessariamente as ideias e opiniões do Expresso Catuense.







