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Alagoinhas recebe o III Encontro de Arte e Cultura do Litoral Norte e Agreste Baiano. Confiram a programação

Travessias Poéticas chega a Alagoinhas
Mostra de espetáculos de Mia Couto integra a programação da Semana de Arte – III Encontro de Arte e Cultura do Litoral Norte e Agreste Baiano
Com: A Outra Companhia de Teatro / Eduardo Okamoto / Grupo Matula Teatro / Grupo Peleja

Grupo pernambucano Peleja apresentará o
 espetáculo "Gaiola das Moscas
"
Acontece em Alagoinhas, entre 23 e 26 de outubro, o projeto Travessias Poéticas, contemplado com o Edital Prêmio Procultura de Estímulo ao Circo, Dança e Teatro 2010. Trata-se de uma mostra cênica com artistas brasileiros que pesquisam a obra do escritor moçambicano Mia Couto. O projeto aconteceu em  São Paulo e Campinas (SP), e chega a Alagoinhas integrando a programação da Semana de Arte – III Encontro de Arte e Cultura do Litoral Norte e Agreste Baiano.

Entre os artistas envolvidos estão a companhia baiana A Outra Companhia de Teatro, o ator paulista Eduardo Okamoto, o Grupo Matula Teatro, também de São Paulo, e o Grupo Peleja, representando o estado de Pernambuco.
A circulação do projeto Travessias Poéticas começou no Estado de São Paulo na segunda semana de setembro. Agora o projeto acontece na Bahia nas cidades de Salvador e Alagoinhas com apresentações dos espetáculos “Mar Me Quer” (A Outra Companhia de Teatro), “Chuva Pasmada” (Eduardo Okamoto/Grupo Matula Teatro) e “Gaiola de Moscas” (Grupo Peleja), além de oficinas e palestras.

A parceria entre os grupos surge a partir do interesse pela obra do escritor moçambicano Mia Couto, autor de contos sobre os quais os artistas se debruçaram gerando os espetáculos citados. Além do desejo de troca de experiências artísticas e profissionais envolvidas no teatro de grupo, acerca de temas sobre as relações culturais entre Moçambique e Brasil e as interfaces entre a Literatura e as Artes Cênicas.

::SERVIÇO::

Alagoinhas
O que: Espetáculo “Chuva Pasmada”, com Eduardo Okamoto e Grupo Matula (SP)
Onde: Centro de Cultura de Alagoinhas
Quando: dia 23 de outubro, às 16 horas e às 20 horas
Quanto: gratuito
Realização: A Outra Companhia de Teatro
E-mail: aoutra@gmail.com

Grupo Paulista  "A outra companhia do Teatro"
apresentará o espetáculo "Mar me quer"
O que: Espetáculo “Mar Me Quer”, com A Outra Companhia de Teatro (BA)
Onde: Centro de Cultura de Alagoinhas
Quando: dia 24 de outubro, às 16 e às 20 horas
Quanto: Gratuito
Realização: A Outra Companhia de Teatro
E-mail: aoutra@gmail.com

O que: Espetáculo “Gaiola das Moscas”, com Grupo Peleja (PE)
Onde: Centro de Cultura de Alagoinhas
Quando: dia 25 e 26 de outubro, às 20 horas
Quanto: Gratuito
Realização: A Outra Companhia de Teatro
E-mail: aoutra@gmail.com


O que: Oficina de Iniciação Teatral, com Grupo Peleja (PE)
Onde: Centro de Cultura de Alagoinhas
Quando: dia 25 e 26 de outubro, às 09 horas
Quanto: Gratuito
Realização: A Outra Companhia de Teatro
E-mail: aoutra@gmail.com

Outras informações no blog da mostra: www.travessiaspoéticas.wordpress.com.br

::Artistas envolvidos::
A Outra Companhia de Teatro surge em 2004 no Teatro Vila Velha, em Salvador (BA), reunindo artistas de diferentes origens e formações. Com uma atividade continuada, o grupo investe na pesquisa por uma linguagem que traz uma cenografia mutável com objetos multifuncionais, um ambiente de composição sonora e uma dramaturgia fragmentada em diálogo direto com as tradições populares, em especial da região Nordeste. Em meio a cirandas e rodas, o espetáculo Mar Me Quer surge contando a saga do pescador Zeca que para continuar vivo deve recorrer as suas memórias e assim conquistar Luarmina, sua vizinha e outrora amante de seu pai. Tendo estreado em 2010, a peça baseada na obra homônima de Mia Couto (conto e versão dramática) participou de festivais e mostras cênicas no Brasil, além de realizar temporadas em Salvador e São Paulo.

O ator Eduardo Okamoto é graduado em Artes Cênicas, Mestre e Doutor em Artes pela Unicamp, onde atualmente é professor de Interpretação do Departamento de Artes Cênicas. Apresentou espetáculos e diversas atividades formativas em diversos estados brasileiros e no exterior: Espanha, Suíça, Alemanha, Marrocos, Kosovo, Escócia e Polônia. É autor do livro “Hora de Nossa Hora: o menino de rua e o brinquedo circense” (Editora Hucitec, 2007). Por sua atuação em “ELDORADO”, Eduardo Okamoto foi indicado ao Prêmio Shell 2009 na categoria de Melhor Ator. O Grupo Matula Teatro, sediado em Barão Geraldo desde 2000, desenvolve atividades fundamentadas no trabalho do ator: criação e apresentação de espetáculos teatrais, pesquisas sobre diversos aspectos do fazer teatral e cursos / oficinas sobre metodologias e processos de criação. Celebrando os 10 anos de trabalho continuado do ator e do grupo, nasce o espetáculo Chuva Pasmada, com direção de Marcelo Lazzarato, num cenário minimalista que apresenta personagens que são construídos a partir da mímesis corpórea de pessoas e fotos.
O Grupo Peleja se envereda por caminhos que envolvem mistura, intercâmbio, gerando frutos no teatro, na dança, na pesquisa acadêmica e em produções audiovisuais. Esta diversidade está presente na formação dos integrantes – sendo duas dançarinas, um ator/iluminador e um ator/antropólogo – e aparece nas produções artísticas, nas oficinas oferecidas pelo grupo e nas parcerias que desenvolvem. Suas investigações artísticas transitam pelo mundo das Artes Cênicas e pelas manifestações das Culturas Populares, sempre focadas em questões que passam pelo corpo. O trabalho com energias, estados e qualidades vem fundamentando as buscas do grupo desde seu início, quando seu trabalho cotidiano foi se configurando a partir do treinamento do grupo Lume Teatro e das pesquisas corporais com o Cavalo Marinho, manifestação popular da Zona da Mata de Pernambuco. A convivência com os brincadores desta brincadeira popular, permitiu a construção de partituras corporais que impulsionaram o processo de criação do primeiro espetáculo do grupo, Gaiola de Moscas, realizado em parceria com a diretora Ana Cristina Colla, do Grupo Lume Teatro. A encenação é uma adaptação do conto homônimo do escritor moçambicano Mia Couto, extraído do livro “Contos do nascer da Terra”. De maneira essencialmente cômica, mas, ao mesmo tempo, comovente, apresenta uma cena ritmicamente pulsante, resultado da fusão entre dança, música ao vivo e contação de história. O que aconteceria em um pequeno povoado de Moçambique onde a pobreza que se supera criativamente a partir da invenção de trabalhos insólitos, se transpõe facilmente para a nossa realidade, evidenciando aspectos sociais compartilhados pelos dois países. As ilusões de um amor por um forasteiro, vendedor de batons, e um desfecho quase dramático compõem a narrativa contada pelos atores-dançarinos que se colocam no papel de brincadores do conto.


::ESPETÁCULOS E ATIVIDADES FORMATIVAS::
MAR ME QUER / A Outra Companhia de Teatro (BA)
SINOPSE
Mar Me Quer, oitava montagem d’A Outra Companhia de Teatro (ago.2010), é baseada na novela do moçambicano Mia Couto e do texto dramático construído em parceria com a portuguesa Natália Luíza publicada pela Coleção Cena Lusófona. Valendo-se dessas duas obras homônimas para construir a dramaturgia e criar um universo repleto de imagens, sons, e, estórias de pescador, amor e tradição, o grupo apresenta uma encenação contemporânea valorizando o jogo cênico entre os atores que manipulam o cenário, executam a composição sonora do ambiente, e corporificam a dramaturgia rica em imagens.
Sem ser mais uma estória de pescador e nem mais uma de amor, Mar Me Quer pode ser uma alusão a brincadeira dos apaixonados, onde cada pétala retirada significa o destino do amor às vezes não correspondido. Ou ainda pode ser uma referência ao mar que conduz o destino de uma comunidade quase abandonada de pescadores que tanto o querem.
Em cena, cinco atores se revezam nos personagens contando a saga de Zeca, um pescador cheio de histórias que tenta fugir de seu passado, num diálogo eterno com seu Avô, morto. Apaixonado por Luarmina, sua vizinha e outrora amante de seu pai, ele necessita recorrer as suas memórias para conquistar seu amor e continuar vivo, uma vez que ele é castigado por uma promessa que não cumpriu.

Ficha Técnica
Texto / Inspiração: Mia Couto
Direção, Dramaturgia e Adaptação: Luiz Antônio Jr.
Assistência de direção: Hayaldo Copque
Atuação: Eddy Veríssimo, Israel Barretto, Luiz Antônio Jr., Luiz Buranga e Roquildes Júnior
Consultaria de dramaturgia e encenação: Fernando Yamamoto
Direção musical: Marco França
Assistência de direção musical: Diana Ramos e Roquildes Jr.
Músicas:  Antônio Almeida e Oldemar Magalhães (Marcha do remador – trecho)
Diana Ramos (Para o mar ou para a guerra / Mar me quer)
Luiz Antônio Jr. (Balada Perpétua de Zeca)
Mestre Baracho (Morena vem ver / Meus cabelos brancos)
Preparação corporal: Fábio Vidal
Preparação vocal:  Diana Ramos
Cenografia: Lorena Torres Peixoto
Caracterização: Luiz Santana
Iluminação: AC Costa e Marcos Dedé
Produção: A Outra Companhia de Teatro
Site

CHUVA PASMADA – Eduardo Okamoto e Grupo Matula Teatro (SP)
SINOPSE
Indecisa entre céu e terra, a chuva não cai: uma chuvinha suspensa, leve pasmada, aérea. Ninguém se recordava de um tal acontecimento. Aquele lugar poderia estar sofrendo maldição.
“Chuva Pasmada” encena o conto homônimo do escritor moçambicano Mia Couto. O espetáculo, no entanto, não procura, em chão de África, a imagem da terra árida; entrevê, nas relações humanas, centelhas de gotas que não se desempenham. A chuva é o Avô que, em rio seco, mingua sonhos de navegar até o mar. É o Pai que, estancado junto à vida, não é o mais velho, mas o mais envelhecido de todos. É a Mãe, segredando com a chuva, mistérios de mulher e de água. É o Filho amanhecendo conhecimentos de vida e de morte. É a Tia que, sem cumprir a estação do matrimônio, recolhe-se em reza de cruz e rosário. Como uma inundação sem chão, esta chuva é cada um e, ao mesmo tempo, todos nós, que nascemos água e morremos terra.
No espanto de uma chuva que não cai, “Chuva Pasmada” esconde-nos, como em enigma, a imagem oposta: sonho e intenção de um rio sobrando da terra. No fluir infindo de uma correnteza sempre nascendo, reiventamo-nos outros – sempre! “Chuva Pasmada”lembra-nos: há rio e canoa. Façamo-nos, nós mesmos, remos.


FICHA TÉCNICA
Texto Original: Mia Couto
Dramaturgia: CássioPires
Direção e Iluminação: Marcelo Lazzaratto
Atuação: Alice Possani e Eduardo Okamoto
Figurinos e Cenografia: Warner Reis
Música: Michael Galasso
Arte Gráfica: Alexandre Caetano
Fotografia: Ferndando Stankuns
Produção: Daniele Sampaio e Grupo Matula Teatro
Documentação: Paula Diana
Duração: 70 min

SITES
eduardookamoto.com / grupomatulateatro.com

 

GAIOLA DE MOSCAS – Grupo Peleja (PE)
SINOPSE
Adaptado do conto Gaiola de Moscas do escritor moçambicano Mia Couto e inspirado na brincadeira popular pernambucana do Cavalo Marinho.
Zuzé é um curioso comerciante, vendedor de cuspes que, para salvar os negócios, se torna vendedor de moscas. Sua mulher, cansada das ideias do marido, se encanta por um forasteiro vendedor de "pintadas" de batons.
A história nos remete a um vilarejo imaginário que poderia estar localizado em Moçambique, no Brasil, ou em qualquer outro lugar onde se combine desigualdade social e criatividade. A encenação envolve o espectador num universo de precariedade e alegria, onde se sobrevive entre destroços e sonhos. Como "brincantes do conto", músicos e atores-dançarinos apresentam sua própria brincadeira contemporânea e instauram o clima vivenciado nos brinquedos populares.

Ficha Técnica
Texto Original: Mia Couto
Direção e Concepção: Ana Cristina Colla (Lume Teatro)
Elenco: Carolina Laranjeira, Eduardo Albergaria, Lineu Gabriel, Tainá Barreto
Iluminação: Eduardo Albergaria
Trilha Sonora: Alexandre Lemos e João Arruda
Músicos : João Arruda e Pedro Romão
Figurino: Juliana Pfeifer e Warner Reis
Confecção de Adereços : Sebastião Simão Filho e Zé de Freitas 
Assistência de Direção: Ana Caldas Levinsohn
Concepção e Pesquisa com Cavalo Marinho: Beatriz Brusantin, Carolina Laranjeira, Daniel Campos, Lineu Gabriel, Tainá Barreto
Duração: 50 min
Site

Oficinas de Iniciação Teatral
As Oficinas de Iniciação Teatral serão realizadas em São Paulo, Bahia e Pernambuco e serão ministradas em cada um destes estados por um dos grupos envolvidos na mostra. As inscrições serão gratuitas e voltadas para estudantes, atores, dançarinos e demais interessados em conhecer o trabalho dos ministrantes. Nortearão esta atividade as experiências artística e pedagógica dos grupos/ator, com o objetivo de despertar o gosto pelo fazer teatral. Assim,  serão trabalhadas ferramentas técnico-expressivas baseadas em trabalhos corporais e musicais que fundamentam as investigações artísticas destes profissionais. Duração: 8h

Com informações da divulgação do evento