ESPAÇO DO LElTOR: El derecho a decir
Texto enviado pelo leitor Everton Avelino.*
O grande inconveniente da vida real e que a torna insuportável para o homem superior é que, se para ela são transportados os princípios do ideal, as qualidades se tornam defeitos, tanto que, muito frequentemente, aquele homem superior realiza e consegue bem menos do que aqueles movidos pelo egoísmo e pela rotina vulgar. (Epígrafe de Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto)
![]() |
| Triste fim de Policarpo Quaresma |
Filho de pai enlouquecido pelas agruras da profissão; alcoólatra e pobre, negro e silenciado na Semana de Arte Moderna de 1922, Lima Barreto, em 1911, legou-nos seu excelente Triste Fim de Policarpo Quaresma, cujo fim triste do personagem principal simbolizaria a existência e ampliação do abismo entre as pessoas idealistas e aquelas que se preocupam apenas com seus interesses e com sua vida comum. Policarpo Quaresma é de um nacionalismo avesso ao patriotismo cego ou estrangeirismos esnobes comuns às elites médias do país à sua época. Policarpo e Barreto, ambos, criatura e criador, ainda hoje, arrefecem na caverna do silêncio destinada a todo aquele que também se arriscar às coisas do idealismo libertário.
Já não nos há heróis que possam morrer de overdose, mas os inimigos perpetuam-se ainda no poder. Querem-nos público passivo e convenientemente participativo, mas não povo ou cidadão. Entre nós, o sistema representativo político-eleitoral comprovadamente falhou. Seguimos reféns das regras de um jogo do qual nunca participamos. A Democracia Representativa, toda ela, é uma farsa realista ornada em quadro republicano. O que lhe há de real não ultrapassa uma possibilidade, fé ou promessa. É um sistema que pode vir a ser, no entanto, permanece não sendo, não acontece! Crítico agudo do governo de Floriano Peixoto, bem como da República nascente, Lima Barreto, morto em 1922, chegara a rogar que algo parecido com a Revolução Russa acontecesse entre nós.
Não aconteceu, Lima morreu clandestino, irreconhecido e, como ele, atualmente experimentamos o dissabor do silêncio. Não o silêncio daqueles que nada têm a dizer, e sim o silêncio sistematicamente produzido e reproduzido. À sombra de uma lei do código penal nacional, que se projeta sobre o pensamento ao mesmo tempo em que o mutila e o restringe a uma opinião. Os conflitos que se situam no âmbito da manifestação do pensamento seguem o destino de todos os conflitos: a judicialização. Não, não é a justiça nossa pedra filosofal e nem mesmo a constituição federal cartilha da liberdade. Justiça é o julgamento, e o julgamento decorre da máquina de silenciar. Nossa justiça é fruto de consolidação burguesa, usada para silenciar reis e não promoção social ou defesa do homem. Hay que endurecerse no caminho e na luta, novamente, por el derecho a decir. Não nos enganemos, pois quando os códigos penais não forem suficientes, burgueses ou reis não exitarão em replicar: ¿Por qué no te callas?
*Os materiais publicados neste espaço não refletem necessariamente as idéias e opiniões do Expresso Catuense. A responsabilidade pelo conteúdo é de quem o escreveu.
Já não nos há heróis que possam morrer de overdose, mas os inimigos perpetuam-se ainda no poder. Querem-nos público passivo e convenientemente participativo, mas não povo ou cidadão. Entre nós, o sistema representativo político-eleitoral comprovadamente falhou. Seguimos reféns das regras de um jogo do qual nunca participamos. A Democracia Representativa, toda ela, é uma farsa realista ornada em quadro republicano. O que lhe há de real não ultrapassa uma possibilidade, fé ou promessa. É um sistema que pode vir a ser, no entanto, permanece não sendo, não acontece! Crítico agudo do governo de Floriano Peixoto, bem como da República nascente, Lima Barreto, morto em 1922, chegara a rogar que algo parecido com a Revolução Russa acontecesse entre nós.
Não aconteceu, Lima morreu clandestino, irreconhecido e, como ele, atualmente experimentamos o dissabor do silêncio. Não o silêncio daqueles que nada têm a dizer, e sim o silêncio sistematicamente produzido e reproduzido. À sombra de uma lei do código penal nacional, que se projeta sobre o pensamento ao mesmo tempo em que o mutila e o restringe a uma opinião. Os conflitos que se situam no âmbito da manifestação do pensamento seguem o destino de todos os conflitos: a judicialização. Não, não é a justiça nossa pedra filosofal e nem mesmo a constituição federal cartilha da liberdade. Justiça é o julgamento, e o julgamento decorre da máquina de silenciar. Nossa justiça é fruto de consolidação burguesa, usada para silenciar reis e não promoção social ou defesa do homem. Hay que endurecerse no caminho e na luta, novamente, por el derecho a decir. Não nos enganemos, pois quando os códigos penais não forem suficientes, burgueses ou reis não exitarão em replicar: ¿Por qué no te callas?
*Os materiais publicados neste espaço não refletem necessariamente as idéias e opiniões do Expresso Catuense. A responsabilidade pelo conteúdo é de quem o escreveu.





