Violência poderia gerar proibição em clássicos: Só torcedor do Vitória no Barradão, só torcedor do Bahia no Pituaçu?
Com o crescimento da violência nos clássicos BA-VI, já começaram a cogitar, os jogos entre Bahia e Vitória apenas com a torcida mandante. Ou seja, se for no Barradão só torcida do Vitória e se for no Pituaçu só torcida do Bahia. Mas será que isso vai solucionar o problema? Na verdade o problema é muito mais complexo e essa solução não vai ajudar. É um problema de segurança pública, e esse problema ainda não chegou ao nível dos clássicos paulistas onde se há confronto entre torcidas dentro do estádio e as vezes os membros da mesma torcida partem para briga entre si.
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| Torcedor do Bahia baleado |
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| Futebol Inglês é exemplo de combate a violência no futebol |
O principal exemplo de modelo, é o futebol inglês. A partir da década de 60 surgiram na Europa, os Hooligans(Vândalos), que estiveram muito presentes no futebol inglês onde causaram várias tragédias. A que mais ficou marcada foi em 1985 durante a final da Taça dos Campeões (Atual Liga dos Campeões) onde Liverpool da Inglaterra e Juventus da Itália jogavam no Estádio de Heysel, na Bélgica. Neste jogo ocorreu um confronto extremamente violento que resultou em 38 mortos e um número indeterminado de feridos. Os hooligans ingleses foram responsabilizados pelo incidente, o que resultou na proibição das equipes britânicas participarem em competições europeias por um período de cinco anos. A partir daí as autoridades inglesas passaram a tomar atitudes drásticas com leis severas para quem praticasse vandalismo fora ou dentro do estádio. Hoje se alguém invadir o gramado de jogo na Europa é banido e mais nunca pode pisar os pés no estádio. A presença maior dos hooligans é na Inglaterra. Nas outras partes da Europa prevalecem os Ultras que são considerados menos perigosos. Num jogo de futebol hoje na Europa, a polícia local das cidades, onde ocorrem os eventos futebolísticos, prepara um forte esquema para inibir a violência antes, durante e depois da partida. Não se consegue evitar 100% a violência, mas hoje é evidente que amenizou muito essa questão na Europa e não se precisou por num estádio apenas uma torcida.
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| Proibição estaria punindo os verdadeiros torcedores |
Aqui na Bahia essa idéia de torcida única, está ganhando força, porém é desnecessária e não resolverá o problema. O Esporte Clube Bahia publicou uma nota sendo a favor de uma torcida só, já o Vitória quer as duas torcidas no estádio. Não precisa torcida única, basta punir aqueles que vão com a intenção de provocar violência. Os torcedores comuns que não pertencem a torcidas organizadas não podem pagar por um coisa que não fizeram, seria totalmente injusto. Essa questão de torcida única é apenas para tentar omitir o problema. Tiramos, por exemplo, em Minas Gerais onde os clássicos são de uma torcida só, e não resolveu o problema. Lá os índices de violências em clássicos entre Galo e Raposa são grandes ainda e registros de mortes são frequentes. É preciso mesmo é tomar uma atitude que realmente solucione o problema, o que perpassa por uma legislação mais severa.
É preciso que o Ministério Público junto com a Polícia, prendam esses marginais travestidos de torcedores. Que haja punição severa para aqueles que cometam crimes. Se em outros países essa situação foi controlada sem o uso de uma torcida só no estádio, porque aqui isso não pode acontecer? Já acabaram com a torcida mista - o maior orgulho dos bons baianos que vão a estádio -, inventaram 10% para os visitantes e agora querem ampliar essa assepsia nas arquibancadas. A culpa pelo medo em dias de jogos não é do futebol, mas é um problema de segurança pública. O que já aconteceu na Bahia foi homicídio. Crime é com a polícia e a Justiça.
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| Apesar de adversários, Cerezo e Falcão, são grandes amigos. |
O futebol da Bahia viu sim morte em estádio por descaso público, como foi a tragédia da Fonte Nova. E agora querem botar na conta do torcedor a questão da segurança pública. A família brasileira ama o futebol alegre, de vida, gozação, abraços e risos. Não deixem tirar isso de você. Muito menos no Ba-Vi. Todos querem PAZ nos estádios para isso é preciso soluções claras, não é colocar ''panos quentes'' na situação que resolverá o problema. Os técnicos de Bahia e Vitória, dão exemplo apesar de atuar em lados opostos. Falcão e Cerezo são grandes amigos de longa data, jogaram juntos na espetacular seleção brasileira de 1982. Hoje estão de lados opostos mais não deixam a amizade de lado rivalidade é só dentro de campo nos noventa minutos de partida, não se pode confundir rivalidade com ódio.
*Texto elaborado antes da reunião do MPE e das torcidas organizadas do Bahia e do Vitória, onde ficou decidido a continuidade das duas torcidas nos jogos.
*Texto elaborado antes da reunião do MPE e das torcidas organizadas do Bahia e do Vitória, onde ficou decidido a continuidade das duas torcidas nos jogos.








