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Prefeitura nega caso de negligência no Hospital Municipal, denunciado por leitora ao Expresso Catuense

Enfermaria do Hospital Municipal
No dia 13 de fevereiro, uma leitora (preservaremos o nome) entrou em contato com o Expresso Catuense para relatar uma denúncia envolvendo uma série de negligências ao atendimento de pacientes, que ela havia presenciado, no Hospital Municipal de Catu. Além da negligência do atendimento, a leitora nos relatou que existe uma política de facilitação ao atendimento dos  'achegados' dos funcionários, que não precisam nem preencher a ficha de atendimento.  Outros leitores já entraram em contato com o Expresso para relatar queixas sobre o atendimento no Hospital Municipal. Veja abaixo o relato da leitora encaminhado no dia 13 de fevereiro (extraído na integra):

"Queria através desse site tentar mostrar minha revolta! O Hospital Municipal de Catu está entregue as baratas,uma tremenda falta de consideração para com o ser humano.Pessoas chegam para a emergência e são atendidas 5,7 e 8 horas depois,ficam esperando sentindo dor,sangrando.....Idosos não tem preferência e muito menos crianças, um absurdo!!Digo isso porque senti na pele,o que é ser morador de Catu e precisar de uma assistência médica completamente falha! Um caos total!Na recepção trabalham pessoas completamente despreparadas para atender a população pois te tratam com o ar de ironia o tempo todo!!Em relação ao atendimento por ordem de chegada é pura ilusão, o atendimento é por ordem de conhecimento que você possa a ter com alguém que trabalhe no local.Digo isso porque vi e presenciei esse fato.Presenciei cenas que me deixaram indignada,mãe que saiu com seu filho sem ser atendido porque não aguentou esperar,mãe que chegou11:00 da manhã e desistiu as 16:43.Uma vergonha total!!!Pessoas que tinham algum conhecimento com que trabalha no hospital chegava e nem ficha faziam,passavam direto para a sala do medico para ser atendidas,enquanto crianças,idosos ficavam esperando a boa vontade do medico atender. Se quiserem provas é só chegar e sentar logo ali na frente e esperar para ver."
Hospital Municipal de Catu. Foto: Fevereiro 2012
No dia seguinte a denúncia (14), entramos em contato com a Prefeitura Municipal de Catu para que a mesma pudesse se pronunciar sobre o relato da leitora. Cinco dias depois, no dia 19, recebemos uma nota da Prefeitura de Catu sobre o relato da leitora. No dia seguinte a nota (20), a Assessoria de Comunicação entrou em contato novamente, entre outras informações, relatando que a prefeita autorizou a Secretária de Saúde a contratar um profissional de Serviço Social para acompanhar a recepção dos pacientes no hospital. Veja abaixo, na integra, a nota encaminhada ao Expresso no dia 19:
Em relação aos questionamentos acerca do atendimento no Hospital Municipal, a Prefeitura de Catu esclarece:

1)      Na denúncia não estão registradas informações básicas – data, horário e o nome (ou nomes) do (s) funcionário(s) que teria(m) agido de forma inadequada. As providências a serem tomadas dependem de maior clareza e transparência das informações.
2)      O máximo que raramente pode acontecer é um médico ausentar-se do plantão por motivo de saúde e apenas um colega ficar responsável pelo atendimento dos pacientes.
3)      O tempo de espera relatado por uma paciente (e leitora do site) está fora dos padrões do Hospital Municipal de Catu. Nos horários de pico, os pacientes podem esperar entre duas e quatro horas. A imprensa da capital registra que em hospitais de Salvador os pacientes de planos privados de saúde também esperam por horas para serem atendidos.
4)      É preciso registrar que o Hospital Municipal de Catu é uma unidade voltada para atendimentos de emergência. Diariamente, pacientes que poderiam e deveriam ser atendidos nas unidades do Programa de Saúde da Família se dirigem ao hospital para resolver casos simples. Nestes casos, de fato, a espera é maior, por conta do perfil da unidade de saúde e também porque há confusão (dos pacientes) entre o que é emergencial e o que pode aguardar.
5)      É mentirosa a afirmação de que pessoas com fortes dores e sangramentos aguardam horas e horas para serem atendidas. Os casos comprovadamente graves são atendidos imediatamente. Isso é básico em medicina, porque situações críticas, em qualquer unidade que lida com emergência, terão sempre prioridade.
6)      A denunciante diz que uma pessoa que se enquadrava em situação característica de emergência esperou das 11horas até às 16h43 e foi embora. Qualquer pessoa de bom senso – e sem outras intenções – avaliará que um paciente grave não seria negligenciado por tanto tempo. E o mais grave: se realmente o paciente – fato que não se aceita como verdade – portasse alguma situação digna de ser caracterizada como emergencial, quais as razões que levaram seu ou seus acompanhantes a retirá-lo das dependências do Hospital Municipal?
7)      A administração do hospital, seguindo determinações da prefeita do município, não compactua com negligência e com o não cumprimento do dever profissional de todos aqueles que exercem suas funções no Hospital Municipal.
8)      O trabalho dos profissionais de saúde do Hospital Municipal é técnico e não resvala para questões políticas, porque o ser humano e sua integridade física/emocional são bens inegociáveis e não moeda de troca para quaisquer tipos de barganhas.
9)      Mesmo não acreditando especificamente na denúncia da leitora do site, a administração municipal instaurará os devidos procedimentos administrativos para checar as informações, porquanto entende que o cidadão catuense deve contar com o melhor atendimento possível.
10)   Ademais, o Hospital Municipal possui câmeras de monitoramento que resguardam quaisquer intercorrências, incluindo as que estejam fora dos padrões e processos da unidade. Nada com esta característica foi registrado nos últimos trinta dias.
11)   A direção do Hospital Municipal e seus funcionários nunca se negaram (e não se negarão em qualquer hipótese) a atender pacientes graves, cujas queixas e sintomas foram/são enquadradas como emergência.
12)   O “jeitinho brasileiro” e as amizades não prevalecem na ordem da emergência, visto que a gravidade dos casos e a cronologia de chegada é que determinam o atendimento.
13)   Nenhum funcionário está autorizado a definir a ordem de atendimento na emergência, visto que os critérios são eminentemente médicos e estes profissionais (e auxiliares), graças aos seus conhecimentos, é que estão habilitados para fazer esta seleção.
14)   A direção do Hospital Municipal de Catu se coloca à disposição para esclarecer a imprensa e a população do município acerca de qualquer tema vinculado às suas atividades, com transparência e respeito aos que nesta cidade vivem e trabalham.

Por: Magnum Seixas