Educação: Catu ocupa a 212º posição no IDEB entre os municípios baianos
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| Escola Municipal em Pau Lavrado. Foto: 2010 |
Durante muito tempo, propagandas e publicidades da administração municipal, comemoravam os resultados obtidos pela educação de Catu. Para muitos ficou a impressão que grandes avanços foram obtidos nos últimos anos na educação municipal e que estávamos no futuro – “alcançamos o IDEB 2013”. Contudo, não é isso que mostra os dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), que revelou que o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) do município de Catu, no último exame realizado em 2009. Não há o que comemorar, nem de longe Catu esteve próximo dos melhores resultados do Estado, estando inclusive num patamar bastante inferior a municípios próximos como São Sebastião do Passé e Mata de São João.
Segundo os dados do INEP, na avaliação dos estudantes concluintes do ensino fundamental (8ª série/9ºano), com nota correspondente a 2,9 (varia de 0 a 10) a rede municipal de Catu ficou na posição 212º entre 417 municípios baianos. O melhor resultado foi na avaliação dos estudantes da 4ªsérie/5ºano, que ficou com nota 4,1 e Catu ficou na 50ª posição no estado.
Muito se foi propagado sobre este feito. A nota prevista para os alunos da 4ª série/5ºano para o ano de 2009 era de 3,3. Contudo a nota obtida foi de 4,1 o que fez Catu atingir uma projeção de 2013. Mais isso não quer dizer muita coisa. Por exemplo, o município de São Sebastião do Passé e Mata de São João atingiram a previsão para 2017. Outro exemplo é o pequeno município de Boa Vista do Tupim (com 18 mil habitantes), que registrou em 2009 (para alunos da 4ªsérie/5ºano) a nota 5,8 e ultrapassou com folga a nota de 4,5 prevista para 2021. Ou mesmo o caso, do ainda menor município de Licínio de Almeida, com pouco mais de 12 mil habitantes, que ultrapassou para as turmas de 8ª série/9ºano a nota prevista para 2021.
Nota por escola
Enigmático. A Escola Municipal Gilberto Alves conseguiu ao mesmo tempo a melhor nota entre as escolas com alunos da 8ªsérie/9ºano e a pior nota entre as escolas com alunos da 4ªsérie/5ºano. O que coloca em cheque o próprio sistema de avaliação do MEC. Como pode alunos da mesma escola ter desempenhos tão diferentes? Em geral as escolas estaduais tem desempenho inferior as municipais (por inúmeros fatores), em Catu a exceção ficava por conta do ex-Colégio Estadual Inocêncio Góes, que obteve a maior nota entre os alunos da 8ªsérie/9ºano. Veja abaixo as notas por município:
Clique aqui para ver o posicionamentos dos municípios (4ª série /5º Ano)
Clique aqui para ver o posicionamentos dos municípios (8ª série /9º Ano)
Clique aqui para ver o posicionamentos dos municípios (4ª série /5º Ano)
Clique aqui para ver o posicionamentos dos municípios (8ª série /9º Ano)
O IDEB
A grande falha do IDEB é que, como ele premia as escolas com baixo índice de repetência, incentiva a aprovação quase automática de alunos, para que os municípios possam ‘pousar’ como avanços que não há de fato. O IDEB é composto pela avaliação de uma prova (com questões de português e matemática) e tempo médio de conclusão da série. Este último aspecto tem elevado as notas das escolas e muitos professores por todo o país tem denunciado que tem recebido orientação de direções de escolas e representantes de educação para realizar a aprovação quase automática dos estudantes. Em teoria, o IDEB, deveria funcionar perfeitamente sua metodologia, isto porque a avaliação por prova obtém a noção de qualidade de ensino e o tempo médio de conclusão a eficiência da unidade de ensino. Em tese, escolas que praticam a aprovação automática de alunos tenderiam a ter notas menores nas avaliações dos estudantes na reta final do curso, em função de está aprovando alunos deficitários. E de fato neste aspecto o IDEB tem se mostrado eficiente, as notas dos alunos no fim do ensino fundamental são drasticamente inferior as notas dos alunos saindo do antigo primário (4ª série/5ºano), o que sugere que pode esta ocorrendo a pratica da aprovação automática e como resultado notas baixas nas avaliações de português e matemática. Ainda assim o índice continua falho, porque a aprovação automática acaba tendo um peso maior no resultado final do que as avaliações de prova.
Por exemplo:
- Se um aluno tomou uma nota 4 na prova e so precisou de 2 anos (repetência) tempo médio de conclusão, a nota dele será:
4 x (1/2) = 2
- Se este mesmo aluno tomou uma nota 4 na prova e so precisou de 1 ano (sem repetencia)tempo médio de conclusão, a nota dele será:
4 x 1 = 4
Ou seja, a diferença é enorme nas notas quando há aprovação automática.
Por: Magnum Seixas





