Queda de secretários encena mais um quadro fatídico na política catuense
Quando ainda na semana passada ganhou vulto os boatos da queda dos secretários de infraestrutura, finanças e possivelmente o de saúde, inúmeras interrogações surgiram sobre o cenário que se está a construir no município de Catu em vista das eleições municipais em 2012. Afirmar que trata-se apenas de marketing político seguindo os efeitos da política de limpeza dos ministérios realizada pela presidenta Dilma Russef, seria minimizar um câncer há muito conhecido e que não recebeu o devido tratamento durante mais de meia década de angustia. Da mesma forma, que por mais coerente que seja, induzir as análises a disputa por espaço e articulações de quadros para os pleitos de 2012 seria insuficiente como parâmetro analítico dos acontecimentos. De fato o desgaste da atual gestão é nítido e no senso comum era resultante dos setores agora posto em cheque, muito embora saibamos que vai muito alem, em verdade toda a máquina foi viciada e está contaminada.
O secretário de infraestrutura, Joselito Souza, sempre foi alvo de descontentamento deste governo municipal e sabido por todos que nunca foi uma preferência da prefeita, que o manteve na segunda gestão, muito mais forte, após a sua saída na primeira gestão. Foi o secretário de infraestrutura, o responsável pela articulação política em 2010 em torno do nome de Mario Negromonte do Partido Progressista (PP), por enquanto ainda Ministro das Cidades. Encorpando e com objetivo de ampliar o apoio a Negromonte articulou-se com o principal nome, naquele momento, a candidato a deputado estadual no município, o vereador Nego. Daí acreditavam estes que teriam ainda mais fôlego nos processos decisórios, sobretudo força para nomear o próximo candidato a prefeito da atual situação. Mas não tiveram. Ainda dentro de todo este cenário apresentado aparece a figura há décadas presente no retrato da política catuense, o secretário de finanças e dito “o conselheiro”, Eliseu Medeiros. A finanças e a infraestrutura passaram nesta gestão, a se apresentar quase que uma coisa só, numa aliança que hoje conduzirá, por mais que acreditem que não, ao isolamento político por mais vis que sejam as estratégias. Embora sejam rumores, mas não se pode descartar a possibilidade da ida do Dr. Andre para a Secretária de Saúde, o que seria um desenho claro de caminho da situação direcionado por falta de opção.
Sem lugar para festas. Este é o clima em ambos os segmentos, seja para a gestão, seja para os afastados, seja para a população, seja para os demais grupos políticos. O momento é de profunda analise no rabisco que foi feito e que se tornará um desenho mais claro nos próximos dias. Para a gestão é notável que o afastamento dos membros mais criticados não irá diminuir o desgaste que estes também ajudaram a construir e não haverá recuperação de popularidade. Para os afastados o cenário é o mais preocupante, mesmo tendo em vista o quadro que pretendem estabelecer como força política para 2012, mesmo que seja para atuar nos bastidores. O objetivo é a permanência na estrutura de poder. Para a população a decisão em pouco muda a situação dos setores, afinal aqueles agora postos em cheque, foram os responsáveis por este projeto de governo e que sem sombra de duvidas não será abandonado, sobretudo com as eleições batendo a porta. E para os demais grupos políticos do município embora seja um cenário de muito avaliação, uma nova rodada de cartas foi posta a mesa e cabe aproveitar a fragilidade dos grupos de situação (e afastados) que estarão fazendo aposta com risco mais elevado diante da pressão que estão passando.
Por: Magnum Seixas



