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Ser ou não ser (im)parcial



 O jornalismo nos moldes em que se dá atualmente, haja vista os debates acerca da profissionalização da atividade e não obstante a ele, se apresenta vazio e opaco. Igualmente, o discurso sobre parcialidade e imparcialidade, esvaziados de si mesmos, inviabilizam o ou um processo de apreensão da realidade o qual se faz essencial para que os indivíduos se apropriem dum devir reflexivo. Eu acho também que este texto, não obstante ser de cunho “jornalístico” (sic), o que pressupõe o uso da primeira pessoa do plural; o que, também, apenas funciona como recurso lingüístico para dar as tonalidades de imparcialidade, está sendo escrito na primeira pessoa do singular. Tendo em vista que todas as pessoas desse texto serão eu mesmo. 1ª, 2ª, 3ª e quantas mais aparecerem por aqui e em qualquer outro texto tecido por mim. O pensar enquanto atividade reveladora exige coragem, ousadia e questionamento. Isso porque pensar é uma atividade deveras difícil! Que é isso que estou falando? Isso mesmo! O pensar imparcial, segundo Nietzsche é se despir dos valores que o envolve e se debruçar sobre uma reflexão que nem sempre ou quase nunca agradará os receptores. Enquanto isso não acontecer – pois até hoje ao meu ver, em primeira pessoa do singular, o único a fazer de modo tal foi ele –, logicamente falaremos de um lugar comum. O problema é quando o tal lugar comum se torna um ponto objetivo na orientação de interesses particulares e não coletivos... Enquanto isso, a parcialidade reclamada por muitos caracteriza-se apenas por recursos lingüísticos de dissimulação. Ademais, se caracteriza como uma subestimação dos leitores uma vez que tais recursos tentam maquiar uma real intenção. Pensar dói? Dói naqueles que expressam seus pontos de vista e são censurados. Doeu em Nietzsche que se lançou numa empreitada de meio século em 40 anos o que colaborou, também, para sua loucura no fim da vida. Dói em alguém mais... Em meus eus de primeira, segunda, terceira pessoas, tanto do singular quanto do plural. Ser parcial tem sido só um recurso; não uma verdade. 

Por: Rafael Rosa
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