Secretário serve de bode expiatório, mas problemas são muito mais embaixo
Não é mais novidade que o escolhido para ser responsabilizado pelos problemas de Catu é o Secretário de Infraestrutura, Jose Seles. Ocupa uma pasta problemática e as críticas naturalmente surgiriam a medida que o andamento das atividades estão abaixo das expectativas da população sobre uma nova gestão. Contudo, quando as críticas surgem da oposição é um fato natural, afinal é o papel da oposição, assim como o da população criticar, assim como dos meios de comunicação reproduzir os fatos ocorridos. E assim devem fazer. Agora, quando os “aliados” atuam nos bastidores alimentando e reforçando a forca do colega político e de trabalho a coisa ganha outros contornos.
No Brasil política e futebol formam uma simbiose incrível.
No campo do jogo de futebol quando a coisa não dá certo sobra sempre a cabeça do treinador - virou rotina e algo aceito normalmente pela grande massa. Poucos atacam os dirigentes e sua má administração dos recursos e as ingerências cometidas, as más contratações sem consulta aos treinadores, entre outros males que assolam a paixão esportiva dos brasileiros. Poucos querem saber se o baixo rendimento do atleta está relacionado a ineficiência do departamento físico ou médico. Que o baixo desempenho dos atletas estão ligados as questões extra campo, por uma péssima ação do departamento de imprensa que não dá a devida cobertura do atleta ou mesmo por questões que estão no campo jurídico e que o setor atua de forma equivocada, ou simplesmente não atua. Poucos querem saber se os contratos com bons atletas não saem devido a falta de visão e ingerência do departamento responsável.
E por tudo isso acima apresentado, quando os setores que também são responsáveis pela situação de um clube não são enxergados por quem cobra, sobra para cabeça do treinador. Muitas vezes de forma premeditada como escape por aqueles que não estão aos olhos dos críticos.
Na política não é diferente.
Ora, não quero aqui defender a situação do Secretário, até porque não é meu papel. Quem deveria fazê-la não faz de forma adequada. Mas é de fato muito injusto acreditar que todos os problemas atuais de Catu se restringem a um setor e, sobretudo, a uma pessoa.
Os problemas de Catu exigem pessoas qualificadas, recursos e planejamento, não necessariamente nesta ordem. Não existiu um planejamento adequado para o setor de forma a resolver os problemas emergenciais. Tanto é que não estão disponíveis o pessoal qualificado e nem os recursos. Pergunta-se: Como esperam que as obras e as intervenções saiam quando uma secretaria desta importância conta atualmente apenas com menos de uma dezena de pessoas? Como esperam que as obras possam ser realizadas quando a contratação de empreiteiras necessárias para executarem os serviços se quer foram programadas para atuar neste período em que as cobranças se avolumam?
Ruas em estado de calamidade e obras congestionadas: essa é a realidade atual. O estado de calamidade das ruas se arrastam historicamente pela ingerência das gestões que por aqui passaram e que se somam aos quase 6 meses de novo governo. As obras congestionadas recebidas de gestão anterior, com contratos firmados em gestão anterior.
Como no futebol, o nosso problema também é estrutural, isto é, envolve diversos setores. A máquina tem que funcionar plenamente. O setor jurídico, o setor de licitações e contratos, o RH, a comunicação, as secretarias afins como Serviço Público devem atuar num ritmo semelhante.
Quando os setores atuam em descompasso é na execução que se evidenciam os problemas e naturalmente, aos olhos do povo o ponto falho. Ciente disso, e em busca do apoio popular, segue a oposição e seguem, covardemente, aqueles “aliados” que não querem compartilha dos resultados obtidos.
A crítica feita de que o perfil do secretário é muito mais político do que técnico para a pasta pode ser até um ponto de convergência para muitas pessoas. Contudo, depositar as justificativas neste aspecto é no mínimo uma leviandade.
Pergunto: Se fosse trocado hoje o secretário você realmente acredita que os problemas da infraestrutura estariam resolvidos?
Como no futebol, a situação é muito semelhante, não adianta mudar o técnico, muitas vezes o problema está no time, não só o que entra em campo, mas no que atua fora também e que são responsáveis por fazer um bom time pôr o pé na grama.




