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Mea Culpa


Reencontrar pessoas, dar passos mais adiante, apurar melhor o olhar. Vivendo, somos postos à prova a todo momento: a dúvida, a certeza, o impacto, a surpresa, tudo nos alcança e envolve. Somos o que fazemos de nós, de nossos sentimentos, mas não estamos presos a eles, nem ao tempo. A nossa vida é como um mosaico, com cores, formatos, texturas, saberes diversos, que dão identidade ao que escolhemos para definir o “quem sou eu”. Nesse caminho, longas curvas, pedregulhos e muito Sol para obnubilar nossa visão. Por isso não somos parte de todo algum, nós somos um todo integral, completo e híbrido, complexo e por tudo isso humano e divino.

Então se somos tudo isso mesmo, peçamos licença à amiga culpa, desculpando-nos desde já pelo que possa se tornar um incômodo ou um mal-estar, dizendo assim: “culpa minha, eu não te pertenço, e você não me tem. Aplausos para tudo o que consegui realizar hoje em parte devido a sua pressão em cima de mim. Mas seu mérito se encerra aqui. O resto do caminho foi eu quem trilhou, te abandonando de vez e me guiando com a ousadia, num ensaio sagaz de coragem.”

Com esse arroubo de valentia, não estaremos nos isentando dela, claro, mas sim escolhendo caminhar com mais liberdade e também solidão. Haverá muito o que (des)equilibrar, mas paciência, vai-se vivendo e reequilibrando novamente. Não é a vida feita de cacos, já disse, é mosaico criativo, desenhado com nosso livre-arbítrio. Dentro de um lugar, um estar, um viver, caminhando sempre e a cada novo dia, abrindo nossos olhos e interagindo com todos que estão na intersecção com nossa vida.  Já se diz por aí, “mude e o Universo conspirará”. Pois é, vamos nessa, na inspiração e na conspiração.

Mas nos preparemos, pois a culpa vai gritar, se descabelar, mas faz parte de toda boa separação, não é? Por isso, não tenhamos remorsos por ferir a “dita cuja”, porque saberemos que ela vai voltar a atacar, pelas costas e nos momentos mais inoportunos, só para nos testar, para reafirmar seu poder sobre nossas cabeças e destinos. Então, vamos continuar para vê no que dá, em todo esse caminho, daqui até lá.