ARQUIVO EXPRESSO: Vida real - a realidade do Lixão de Catu. Veja vídeo e imagens impactantes
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| Catadores e urubus dividem o mesmo espaço |
Fora dos olhos de maior parte da sociedade catuense sobrevivem do lixo dezenas de famílias no aterro sanitário municipal, em sua maioria moradores do conjunto habitacional César Borges, no bairro Barão de Camaçari, em situação de extrema vulnerabilidade social. São cerca de 50 pessoas, que driblam a falta de oportunidade do mercado de trabalho e encontram no lixão seu meio de sobrevivência.
Os catadores chegam diariamente ao aterro por volta das 4 horas da manhã e por lá ficam até às 17 revirando o lixo à procura de materiais que possam ser aproveitados para a venda aos atravessadores da reciclagem.
No aterro os catadores trabalham em condições precárias. Ficam expostos ao Sol e a chuva, sem equipamentos de proteção e lá mesmo realizam as necessidades mais básicas, como as fisiológicas e a própria alimentação.
“Se este aterro aqui vier a ser fechado vai fazer falta a muita gente. Aqui tem muito pai de família, muita mãe de família. O pessoal sobrevive disso aqui mesmo. Não tem outro modo de viver”, disse o Sr Alagoas, 55 anos e há 12 no lixão.
O Lixo de Catu em números
21,9 mil toneladas
é a coleta anual de lixo
R$ 6,5 milhões
é o gasto anual médio com a coleta
1.845 Kg
é a produção média de lixo por casa
R$ 556
é o custo médio do lixo de cada casa por ano
Construído em 1998, atualmente o aterro sanitário recebe apenas os resíduos da cidade de Catu, mas há alguns anos chegou a receber o lixo dos municípios de Pojuca, Mata de São João e São Sebastião do Passé. Ainda assim, a quantidade de lixo que diariamente chega ao aterro é impressionante. De acordo com informações da Prefeitura Municipal, são recolhidas diariamente 60 toneladas de lixo. Quase que a totalidade deste lixo não recebe nenhum tratamento e, como não existem projetos de coleta seletiva na cidade, os catadores assumem um papel fundamental no processo de reaproveitamento do lixo.
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| Catadores reaproveitam quase tudo do lixão, inclusive ossos de animais. |
Os catadores aproveitam quase tudo que é possível comercializar. São montanhas de plásticos, metais, papelão e até ossos separados para venda. Eles afirmam que é possível obter uma renda para a sobrevivência, mas pelo fato de não estarem organizados em cooperativa recebem abaixo do preço do mercado na hora da negociação com os atravessadores. Acreditam também que poderiam obter melhores preços caso tivessem uma estrutura melhor para a separação do material recolhido.
“Em média recebemos 40 centavos pelo quilo da garrafa pet, mas o comprador paga até 80 centavos quando as garrafas vão separadas por cor”, comentou o Sr Alagoas.
Apesar de toda discriminação da sociedade e ausência de apoio do poder público, os catadores exercem um importante papel social. O objetivo do trabalho é a sobrevivência, mas o meio ambiente agradece ao retirar do lixão materiais que passariam centenas de anos para serem decompostos. Além de contribuir para a diminuição do impacto ambiental provocado pelo consumo humano, ajudam a ampliar a vida útil do aterro que passa a aterrar uma quantidade menor de resíduos.
O desafio: Milhões jogados no lixo
Seu lixo tem preço e não é barato. Um dos mais caros serviços públicos no município de Catu é a coleta de lixo. Em média a prefeitura gasta 6,5 milhões de reais por ano com o pagamento a ECO-LURB para se coletar cerca de 21,9 mil toneladas de lixo. Este valor corresponde a cerca de 10% de toda arrecadação em 2011. Os gastos poderiam ser ainda maiores caso todas as residências tivessem acesso à coleta de lixo. De acordo com o Censo 2010, pouco mais de 20% dos domicílios em Catu não tem seu lixo recolhido pelo sistema público.
Verba perdida
Ainda em 2009, a pedido do vereador Adilson Mota (PT), o deputado federal Luis Alberto (PT), destinou uma emenda parlamentar no valor de R$ 100 mil para ser aplicado em atividades de famílias carentes. A prefeitura municipal de Catu se comprometeu em documento assinado pela prefeita Gilcina Carvalho, em 29 de abril de 2010, a aplicação dos recursos e implantação de projeto de inclusão produtiva por meio de ações ligadas a reciclagem. Contudo, os recursos não foram aplicados e perdidos.
Fonte: Jornal Expresso Catuense
Originalmente publicado no dia 3 de setembro de 2012







