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O problema do SAAE de Catu é o estrangulamento financeiro e não a gerência


Há muito tempo que as críticas aos serviços do SAAE de Catu se acumulam especialmente no abastecimento de água, que tem sido praticamente o único serviço prestado pela autarquia que legalmente possui outras funções.

Com os problemas os oportunistas de plantão e pelas ondas do rádio não perdem a oportunidade de fazer uma extorsão ‘psicológica’, sem fundamentação, sobre a autarquia, em especial a atual diretora Maria das Graças, uma das mais gabaritadas profissionais da área no país. [Dê o sentido que quiser a extorsão e pretensões, estas últimas prefiro omitir por enquanto]

O abastecimento de água em Catu já foi alvo de manifestações públicas por moradores, assim como sua precariedade chamou a atenção do vereador Adilson (PT) que convocou audiência pública para tratar do assunto.

Por sinal, a audiência que ocorreu em maio deste ano, serviu para se ter uma dimensão dos entraves aos serviços relacionados a água e as alternativas para melhoria do sistema e contou com a presença do engenheiro sanitarista e ambiental Julian Damasceno (atualmente Eng. da Embasa), com a diretora da autarquia e também engenheira sanitarista, a senhora Maria das Graças e de um dos maiores especialistas do mundo na área, o Dr. Luiz Roberto Santos Moraes (Prof. do departamento de Eng. Ambiental da UFBa).

Cabe ressaltar que Maria das Graças e Luiz Moraes fizeram parte de uma equipe que elaborou e ajudou a implantar um dos mais audaciosos e pioneiros projetos de saneamento básico do país. O projeto foi realizado em 2001, em Alagoinhas, quando na época Maria das Graças era diretora do SAAE do município.

Provocaram uma revolução na forma de conduzir a política publica, com ampla participação popular. O projeto foi e continua a ser alvo de méritos pelo país. O que foi feito há mais de 10 anos atrás em Alagoinhas, milhares de municípios pelo Brasil começam a galgar por agora. Clique aqui e conheça mais sobre o plano elaborado para Alagoinhas.

Na gestão do SAAE em Alagoinhas Maria das Graças também conseguiu avanços nos demais segmentos de serviços da autarquia. Com a colaboração do executivo municipal (na época o prefeito era o atual deputado estadual Joseildo Ramos(PT)) conseguiu reverter o quadro caótico do SAAE e afastar aos propensões de entregar a autarquia a EMBASA.

Mas retornemos para a tupiniquim Catu, onde tudo parece que não dá certo.

Uma das decisões mais acertadas da atual administração foi a nomeação de Maria das Graças para dirigir o SAAE. Como já mostrei anteriormente trata-se de uma profissional de alto nível, gabaritada e com experiência.

Os problemas do SAAE não só continuam, eles são graves. Mas poderiam ser bem piores e talvez a autarquia já não tivesse mais sobre a posse do município, como muitos desejaram (Era iminente o risco de entrega a EMBASA ou mesmo a privatização). Muitos avanços ocorreram na instituição que possui atualmente uma administração mais profissional. A valorização dos servidores também é reconhecida pelos funcionários (impressão e relatos que obtive com os próprios funcionários).

Mas a questão é: Por que Maria das Graças não conseguiu no SAAE-Catu os mesmos resultados que obteve em Alagoinhas?

Primeiro pontuo o sério estrangulamento financeiro diante das necessidades de um sistema com quase meio século de atividade. Quando o sistema de abastecimento de água em Catu foi implantado devíamos ter pouco mais de 20 mil habitantes. Hoje temos mais de 51 mil distribuídos em mais de 15 mil domicílios espalhados por diversos cantos do município.

Com um orçamento anual pouco superior a R$ 3 milhões (maior parte para cobrir a folha de pagamento e gastos com energia), a autarquia tem que conviver com uma alta inadimplência e uma imensidão de demandas que surgem a cada dia, em função de um sistema sucateado e ultrapassado.

O crescimento da demanda por água no município foi sempre maior do que os investimentos realizados. A busca por água nos lençóis freáticos envolvem custos altos e as reservas tendem a diminuir (a medida que a propecção avança para atender uma demanda por água cada vez mais ampliada) aumentando ainda mais os custos, sobretudo com energia.

No verão a situação se complica ainda mais, quando os níveis das águas nos poços ficam significativamente em níveis muito baixos. Outros problemas técnicos, e talvez, até piores, devam existir.

Bom, mas em Alagoinhas a atual diretora deve ter se defrontado com problemas tão ou senão mais graves. Mas o porque aqui não teve condições de reverter o quadro?

Ao meu ver a resposta é simples: deram o abacaxi para ela descascar sozinha. Diferentemente aconteceu em Alagoinhas, quando o prefeito Joseildo Ramos deu todo o suporte para aprofundar as mudanças que a autarquia precisava passar.

A autarquia é independente, disso todos sabem. Mas entre independência e pouca ou quase nenhuma cooperação há uma diferença muito grande.

O SAAE não conseguirá sozinho, com a estrutura que tem, mudar a situação do abastecimento de água em Catu (muito menos nas demais atribuições, entre elas o serviço de esgotamento). Existem formas de financiar o desenvolvimento do SAAE através de recursos do executivo municipal, sem quebrar a autonomia entre instituições - se trata de amplo interesse público. Assim deveria ser pensado caso a questão fosse tratada como prioridade.

E mais que isso. É preciso olhar o SAAE como um complemento fundamental do município, especialmente agora com as políticas de saneamento básico que serão implantadas.

Assim, vejo que o problema do SAAE não é de gerência, mas sim sistêmico.