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Desgaste do governo Wagner ameaça candidaturas petistas na Bahia

Candidatos petistas às eleições em 2012 na Bahia estão preocupados com os desdobramentos da greve dos professores. Em diversos municípios o desgaste do governo já pode ser sentido nos pré-candidatos a prefeitura tendo como caso mais evidente Alagoinhas, com a forte rejeição que passou a ter a candidatura do então deputado estadual e ex-prefeito da cidade, Joseildo Ramos. Em Alagoinhas, o principal opositor de Joseildo, o atual prefeito Paulo Cesár soube aproveitar-se muito bem da saia justa em que o deputado acabou entrando ao ter que votar contra o interesse dos professores na Assembleia Legislativa . Joseildo teve seu rosto espalhado em outdoors pela cidade, na lista de deputados que “votaram contra os professores”. De favorito disparado no início do ano, Joseildo se vê enfraquecido e abandonado por antigos aliados, inclusive os tradicionais, PC do B e PSB.

Professores já fazem campanha de retaliação nas
eleições municipais
Se em 2008 houve ‘briga’ para se ter o governador nos palanques, em 2012 é bem provável que não haja a mesma disputa. Pelo contrário, apesar do apoio, que continua a ser importante, os candidatos, especialmente da base, irão preferir seguir outras estratégias para trabalho da imagem. Já se sabe que a greve dos professores tomou proporções comprometedoras, mas a capacidade de infecção ainda não é possível mensurar. Na dúvida é melhor não arriscar. Os professores são uma categoria forte, influente e que tem demonstrado isso nesta greve. Podem de fato dar o troco nas eleições. Apesar do ataque midiático contra os professores, uma maior parcela da sociedade, mesmo insatisfeita com a situação, apoia a categoria.

Apesar de ter crescido muito nos últimos anos, na Bahia o PT sempre teve dificuldades em penetrar nos municípios de maior porte, especialmente Salvador. Este ano a meta era conseguir ganhar nos principais municípios e se possível obter 100 prefeituras. As estimativas estão sendo refeitas, não há mais cenário para metas tão ousadas. O fato é que o governo não soube lhe dá com as greves, que em anos eleitorais são recorrentes. Em fevereiro foi a primeira prova de fogo, na greve das policias. Naquele momento começou o maior desgaste do governo e os demais grupos políticos, que controlam alguns movimentos sociais e categorias profissionais, perceberam que era o momento de avançar. Seria a momento exato de questionar a hegemonia de poder que vinha se desenhando e o questionamento, inclusive saindo de aliados históricos, tais como o PC do B, que tem feito jogo duro, tanto na greve dos professores, como nas disputas pelas majoritárias pelo interior a dentro.
Dezenas de outdoors com imagem do deputado Joseildo
 Ramos foram espalhados em Alagoinhas, com o título:
" Estes votaram contra os professores"

O próprio renascimento da direita na Bahia, esmagada pelo sucesso das políticas no governo Lula e em certa medida no governo Dilma, é fruto da instabilidade provocada pelos grupos de maior ‘confiança’ na base. A direita, sem espaço, ficou olhando o circo pegar fogo. Quando achava brecha ia alimentando o tumulto, mas com medo de pisar firme, em um chão desconhecido. Hoje já andam no tumulto como se fossem antigos ‘camaradas’, a ponto de ACM o Neto, se dizer a favor do sistema de cotas (mesmo o seu partido mantendo ação do STF contra as cotas), se passar por um quase ambientalista (se abraçando com os eco-capitalistas do Partido Verde). Até a Lula teceu elogios, só falta agora marchar junto com os grevistas e gritar que defende as causas do trabalhador e luta por mundo socialmente mais justo.

O cenário está tão tenebroso, que a própria sucessão de Wagner fica comprometida. Uma pena porque a possibilidade de Gabriele (ex-presidente da Petrobras) assumir o governo já animava muitos setores da sociedade. Com todo este receio, todas as atenções do PT se volta para Salvador, e mais uma vez as candidaturas pelo interior não deve achar muita coisa, com exceção de alguns poucos municípios prioritários que estão em situação mais confortável. Como maior colégio eleitoral do estado, Salvador tem papel fundamental nas eleições de 2014 e cair a prefeitura no colo do DEM seria desastroso nos objetivos do PT. Todo esforço tem sido no sentido de trazer os ‘meninos malcriados’ de volta pra casa, que continua insistindo em manter candidaturas próprias. Porém, a coisa está complicada.

Quanto a greve dos professores, que sem negociação e sem previsão, acende o sinal vermelho para os vermelhos pelo interior.

Por: Magnum Seixas