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A incontrolável geração Facebook

Já fomos a ‘geração coca-cola’ gritando às ruas com as caras pintadas ‘que país é este’ e caminhamos em busca de uma ‘ideologia’ porque ‘ o tempo não pára’. No ‘teatro dos vampiros’ riam da ‘geração perdida’ e éramos classificados, quando pouco, de ‘subproduto de rock’ ou a ‘ovelha negra da família’. Fomos inquietos e enquanto queriam criar uma nova censura um ‘cowboy fora da lei’ nos incitava ao ‘faça, force e fuce’. Tivemos também um pastor da ‘imunização racional’ que para ‘além do horizonte’ dizia ‘não quero dinheiro’ e se intitulava ‘o descobridor dos sete mares’. De um burguês escutávamos que a ‘burguesia fede’ pelas ‘rádios piratas’ que esbravejavam a mil ‘Revoluções Por Minuto’. Era uma ‘panela do diabo’, um verdadeiro ‘aborto elétrico’ cheio de ‘IRA!’ em uma ‘Nação quase Zumbi’. Muito contribuíram, mas nossas piscinas ainda continuam cheias de ratos e o futuro insiste em repetir o passado. As guerras não trouxeram a paz e o Brasil não se tornou o país do futuro. As revoluções não se completaram e aquela geração passou a bola adiante, que foi bem dominada pelas copas de futebol acompanhantes do pão e circo animados pela expansão da vulgaridade. Ficamos anestesiados e quase nos faziam acreditar que teríamos uma geração perdida. Mas agora passam a experimentar da sua própria criação – a globalização tecnológica - um veneno sem antídoto que penetra por meios incontroláveis, praticamente incensuráveis.

Por anos criaram meios de nos controlar e fomos enganados por uma velha e tradicional mídia golpista que se intitulava o ‘4º poder’. Mas ‘agora chegou nossa vez e vamos jogar de volta o lixo em cima de vocês’. A velha mídia, com status de esfera de poder político, conjuntamente com seus apadrinhados, se vêm atônitos com a revolução provocada pela nova geração da sociedade do conhecimento. Já riram muito das insinuações rebeldes ‘suas crianças derrubando reis, fazer comédia no cinema com as suas leis’. Mas, ficam amarelos de apatia ao ver suas crianças criando meios de comunicação de dentro de um quarto. Enquanto observam suas sólidas e impenetráveis instituições ruírem pelas crises, suas crianças estão criando os maiores negócios do mundo, por diversão que vira coisa séria. Uma daquelas tradicionais pesquisas de mercado americana (sem utilidade) mostrava que entre as primeiras coisas pensadas pelos jovens eram em ordem: iPod, Facebook, sexo e cerveja.  E os números mostram o que isto reflete, três símbolos da nova geração estão entre as maiores empresas do mundo: Apple (maior valor de mercado do mundo); Google e Facebook.

Aberto ao público exatamente 5 anos depois da queda das torres gêmeas americanas, no dia 11 de setembro de 2006, o Facebook é uma das maiores revoluções de interação social a nível mundial, agrupando quase 850 milhões de pessoas que passam horas por dia se comunicando e se informando por esta rede social. O Brasil já é o 3º terceiro país com maior número de usuários. E a mídia tradicional e seus sustentadores ficam apavorados com as cutucadas de curtição do novo e quase que alienígena para a velha corte. De 'twittadas', 'scraps' e 'postagens' brotam desde primaveras no oriente médio a caminhadas contra a corrupção no Brasil. Vassouras que se aglutinam harmonicamente limpando o caminho para a passagem da informação sem restrições, navegadas em velocidade incalculável. As pesquisas indicam que site e blogs passam a ocupar o lugar da velha mídia na informação e influência sobre a população, que passa a interagir e criar informações por estes meios, deixando de serem passivas. Enquanto a criação de emissoras de tv, rádio e jornal impresso demanda elevados recursos financeiros e existem limitações burocráticas, os blogs, sites e perfis em redes sociais se criam em questão de horas. Hoje, a televisão passa a ser um complemento, o rádio um passatempo no trânsito, o impresso uma contravenção ambiental quase que desnecessária e a internet um ambiente cada vez maior de convivência.  Boa parte da população ainda não está inserida nesta revolução, mas este grupo de excluídos vêm diminuindo numa velocidade tão rápida quanto a da expansão da internet. Enquanto isso os famintos pelo poder vão buscando controlar também os novos meios, mas já perceberam que o desafio é bem maior do que a vontade de permanecer no poder.