Proclamação da República
Excetuado o fim da escravidão, participar dos eventos significativos para a História do Brasil não tem sido a nossa. Eventos tais têm sido conduzidos por uma elite política sem que ao menos as populações questionassem o que, quando, como e porque. Me refiro, a princípio, ao 7 de setembro, com origem em 1822, ano cujo sentido marca a Independência do Brasil. Marcado, também, pelo grito às margens do riacho Ipiranga: “Independência ou morte”. Um dos símbolos desta data é a marcha do 7 de setembro. Entretanto, cabe considerar que a marcha tanto quanto o evento em si ensejam a Independência como um evento que aconteceu por cima.
Hoje, o 15 de novembro, ou seja, a data de comemoração da Proclamação da República, tão impregnada pelo esvaziamento Republicano, ganha o sentido de um feriado(ão) cujo o povo assiste passar bestializado, parafraseando Aristides Lobo. Esvaziado, ressignificado, reinterpretado, o 15 de novembro de 1889 reverbera do passado as disputas ideológicas onde o positivismo, o jacobinismo e liberalismo se digladiavam buscando qual melhor postura ideológica para conduzir a República Brasil.
Longe, talvez, do que tais ideologias propuseram, o Brasil se encontra num lugar onde o Republicano apóia a censura, vive de corrupção e de altos tributos, ostentam luxo e sorri cinicamente, quando necessário. Muito mais longe temporal e conceitualmente da Politéia de Platão a atual república está envolvida num ciclo de degeneração no qual a pura racionalidade não mais existe.
O novembro 15, enfim, significa mais um dia de descanso do que uma representação de “liberdade”. Representa mais uma estrutura formalmente pró minoria em detrimento da coletividade. Significa não res publica do latim, Coisa Pública; mas sim um sistema de representação privado no qual, permitam-me o provérbio, farinha pouca, meu pirão primeiro. Espera-se o dia em que o 15 da Proclamação seja tomado como um dia de combate contra a má utilização do dinheiro público; contra a censura; contra a corrupção. Enquanto isso estiver no devir, o povo assistirá tudo bestializado.
Por: Rafael Rosa




