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O medo da fala


 Gera desconforto o falar; mas ora, o Império é de papel! O nosso papel. Papel multicolorido que constrói castelos, status e um vácuo. Ás vezes tapa buraco nas ruas também. São 15 milhões de papéis. Que pagaremos com cálices de vinho tinto. Tin Tin. A vossa corte agradece. Um brinde ao silêncio que querem nos imputar. Um brinde à panacéia de Catu: o nosso silêncio. Um brindo à tentativa de cansaço. Um brinde não ao fracasso. Mas ao processo sucedâneo do sucesso do devir. No cálice dos Reis taumaturgos há injúrias e lamurias. Há um “nós” que é digno de três. E nas palavras do Velho Chico que também é Buarque: “Pai, afasta de mim esse cálice”. O silêncio que querem nos imputar, neste sentido, a ausência absoluta de vibração, de ruídos, não existe; pois somos inevitavelmente compostos por moléculas vibratórias; somos som; somos texto; somos vida. O Cale-se de uma repressão verbal, a cesura não nos silenciará. Agora silêncio... preciso me escutar.

Por: Rafael Rosa