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Eleições 2010: Saldo negativo para Catu


Texto escrito em 5 de outubro de 2010, por Magnum Seixas
As eleições do último dia 3 de outubro deixou claro que o entendimento da população no que concerne a política de interesse da comunidade é bastante restrito. A afirmação não só faz referencia ao fato de não se ter elegido o candidato que possuía como slogan de campanha “filho da terra” e sua plataforma de campanha direcionada por propostas ao município. Mas sim ao fato de votação expressiva de candidatos que expressamente declarou as prioridades de mandatos aos interesses da sua área de influência. Para o município de Catu a eleição de Maria Luiza Láudano e Joseildo Ramos significou uma derrota maior do que a não eleição de Nego. No caso da primeira candidatura, a de Maria Luiza Láudano, os catuenses já experimentaram o quanto foi e continua a ser perigosa. No segundo caso, a de Joseildo Ramos, o problema é outro e com um grau de complexidade maior o entendimento de sua problemática. O agora deputado eleito Joseildo não aparece como uma ameaça explicita como no caso da deputada Maria Luiza Laudano, mas os desdobramentos das práticas que serão adotadas em função de suas prioridades de atendimento da sua área de influência impactara negativamente sobre o município de Catu, mesmo sendo este último parte de um grupo com certa representatividade em Catu. Tentarei ser mais claro.
O caso Maria Luiza Laudano é muito claro, embora não pareça ter sido para mais de 18,5% da população catuense, ou sendo mais preciso, 5.014 eleitores. A reeleita deputada foi à principal responsável pela tomada do Parque Industrial de Santiago do município de Catu, sendo talvez a maior disputa territorial atualmente no Brasil. São milhões em Impostos, taxas e royalties. Mais recentemente, a deputada cumpriu importante papel ao não incluir o município de Catu na Região Metropolitana de Salvador, que neste período incorporou os municípios de São Sebastião do Passé, Mata de São João e Pojuca. A inserção na Região Metropolitana de Salvador garante a ampliação de recursos federais aos municípios, não é uma simples negação de pertencimento a região do Litoral Norte/Agreste de Alagoinhas. Dentre estes e outros, são inúmeros os projetos em que o município de Catu não pode ser beneficiado em conseqüência de falta de apoio que poderia ser realizado pela “representante da região”. Como este caso é bastante claro não me aprofundarei, tirando um pouco da cortina de descrença do eleitor catuense na seus políticos fica tudo bem simples e explicito. Neste caso, a maior vitoria eleitoral para o município de Catu pode ocorrer após o 3 de outubro, em caso do Supremo Tribunal Federal aprovar que a Lei do ficha Limpa entre em vigor já neste ano, o que culmina na elegibilidade da Deputada Maria Luiza Laudano, suja pelo abuso de poder econômico.
Ainda assim, a eleição da deputada pojucana, foi negativa não só pelos empecilhos criados ao desenvolvimento do município de Catu, mas também num movimento que engloba a também eleição do deputado Joseildo, que em Catu garimpou 1.125 votos. O que digo é que os municípios de Catu, Alagoinhas e Pojuca vivem atualmente em disputas para atrair investimento, particularmente Alagoinhas e Pojuca, o município de Catu ainda está como telespectador no processo. As disputas, em especial, baseadas em incentivos para atração de empresas extrapolou a absurda disputa inter-estadual para a inter-municipal. O caso mais recente envolve a disputa entre os municípios de Pojuca e Alagoinhas para atrair a empresa Baker Huges e sua controlada BJ Services, localizada no município de Catu.
Neste movimento o jogo se tornou extremamente perigoso ao município de Catu. Com presença na Assembléia estadual os municípios vizinhos estão em vantagens nos “acordões” de benefícios fiscais a partir do estado às empresas e complementados pelas isenções municipais. O fato de Catu está bastante atrasado do ponto de vista da competitividade industrial, uma vez que não possuem um ambiente atrativo as empresas, especialmente pela infra-estrutura precária, como a falta de um parque industrial, agrava ainda mais a competição entre os municípios, neste momento bastante desfavorável a Catu. O risco de no curto e medio prazo assistirmos a saída das multinacionais prestadoras de serviços a industria petrolífera é alto e eminente.
Neste sentido, a inserção no jogo do município de Alagoinhas, é ainda mais perigosa. Alagoinhas é um municipio que se expandiu e se fortaleceu a partir do comércio e serviços aproveitando o fluxo de renda de municípios que não conseguiram dinamizar suas economia, como Catu, Pojuca, Esplanada, Entre Rios e etc. Se tornou o principal centro de comércio da Região.
O município de Catu é um formador de rendas, isto é, sua “indústria” possui elevados padrões de salários quando comparado as demais regiões. Ainda assim, boa parte de sua renda aflui para outros centros, especialmente Salvador, em um volume consideravelmente superior a Alagoinhas. O fato é que de certa forma, para manter a expansão das atividades Alagoinhas precisa atrair rendas, e uma das formas é produzir renda. Este movimento vem sendo possibilitado pela industrialização no município, mas que para continuar a acelerar sua expansão não pode limitar o crescimento industrial. Desta forma a política municipal é de atração de empresas, que geram rendas e um dos alvos são as empresas de salários mais elevados localizadas no município de Catu.
Com este objetivo, acordos de isenção fiscal já foram celebrados com o governo do estado. Agrava que, esta política tende a ser ampliada à medida que o atual deputado do mesmo grupo do governo do estado poderá possibilitar está expansão. É de interesse do deputado, perpetuar sua influencia na região e é de interesse do governo estadual consolidar sua base na região, hoje expressa pelo deputado. Agrava o caso, o quadro político do município de Catu, representado por um grupo que não é coalizão do reeleito governo do estado. É neste sentido que se torna preocupante a eleição do deputado Joseildo, não pela mesquinhagem política ao municipio de Catu apresentada pela deputada Maria Luiza Laudano, mas pelo jogo de prioridades do candidato.
Concluo que as eleições de 2010 foi um fato desolador para o município de Catu, e as expectativas infelizmente são as piores possíveis. Deste fato só se espera que o povo também possa pensar de maneira estratégica nos próximos pleitos, porque se o quadro não mudar não ficará nem a tela.

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Magnum seixas.

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