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Seleção adversa e risco moral: Uma abordagem no âmbito da política


Seleção Adversa e risco moral são dois termos bastante utilizados e estudados nas Ciências Econômicas, sobretudo no que se refere às políticas monetárias no mercado de ativos financeiros. Ainda assim são conceitos que podem ser adequadamente aplicados a análise da política de forma geral, em especial as políticas eleitorais em seu cenário atual e o que se segue como conseqüência destas políticas. Não sendo, com toda certeza, fundamentalmente objeto de estudo apenas de economistas. Irei apresentar o que significa seleção adversa e risco moral, mas antes devo falar das assimetrias de informações, afinal tanto a seleção adversa e o risco moral só ocorrem pela existência de informações assimétricas. As informações assimétricas surgem quando em uma tomada de decisão, uma das partes envolvidas não possui toda informação disponível da outra, o que impede de tomar uma decisão correta com respeito a sua decisão.
A inexistência de informações relevantes das pessoas ou de um grupo durante um processo eleitoral, ou seja, assimetrias de informações, irão gerar dois problemas: a seleção adversa e o risco moral. A seleção adversa ocorre antes que a decisão seja tomada, isto é, ocorre quando não é possível distinguir os grupos com informações pertinentes e acaba o eleitor sendo induzido a tomar a decisão que não é a mais indicada dentro daquilo que pensa e que deseja. Ela normalmente ocorre, pois aqueles que apresentam um maior risco(de não representar aquilo que o tomador da decisão espera) são os que mais insistem sobre o processo quando comparado os de menores riscos e, portanto, procuram mais insistentemente o público. Como devido a falta de informações, o público não tem condições de avaliar adequadamente o risco, é provável que pela insistência e massificação ele acabe por tomar a decisão em prol do agente de maior risco, uma vez que este é o que mais o procura.
O segundo problema da inexistência de informações relevantes disponível ao público é conseqüência justamente da seleção adversa, isto é, ocorre depois que a decisão ( o voto) já foi tomada. Já vimos que o primeiro problema ocorre quando o cenário nos leva a decisão incorreta. O retorno desta decisão (do voto) dependerá do comportamento e ações da pessoa a quem o eleitor passou a procuração mediante voto de falar e agir no ambiente público. Mas o que garante que este trabalhará com afinco depois de receber o voto? Muitas vezes pode custar caríssimo ao eleitor monitorar as atividades do eleito (pois as informações tendem a ser cada vez menores) de forma a garantir o melhor desempenho de sua decisão inicial. Assim o problema do risco moral ocorrera na política quando os eleitores não conseguem monitorar as atividades do eleito. Por exemplo: como saber que vereadores realizaram acórdão com executivo, tipo votos por cotas de carro ou indicações a serem realizadas, se estas ações não vão ao público?
Desta forma, uma primeira conclusão que podemos retirar é que a falta de informação pode levar o eleitor a uma decisão equivocada dentro daquilo que ele espera de um político, uma vez que acabam votando naqueles que mais insistem e possuem um risco maior e não conseguem perceber aqueles com maiores oportunidades e capacidades de atender suas demandas. Este fato ira gerar uma ineficiência política, pois estarão representando uma comunidade aqueles que não são os mais aptos, da mesma forma que irá gerar um desgaste e descrença dos eleitores com o mundo político tendo como conseqüência seu afastamento, que resulta ainda mais em assimetrias de informações e alimentação de um processo de ineficiência política.
No mercado financeiro a regulação das informações ajuda a diminuir as assimetrias de informações, sendo um dos segmentos mais regulamentados do mundo, e por mais que o risco esteja sempre presente na tomada de decisão, os agentes possuem uma serie de informação que o ajudam nas tomadas de decisão e minimizar o seus riscos. Mas como regulamentar as informações políticas? Como não deixar que informações que visam ludibriar o publico sejam propagadas? Como fazer que o público conheça as informações pertinentes a uma decisão de todos os grupos?
Primeiro aspecto importante a ressaltar é que todas as pessoas fazem política. Isto que dizer que o simples gesto de dizer que não liga e quem não gosta de política é também uma ação política. Neste caso uma ação de aceitação inevitável do que acontece, ou seja, a inércia também é uma ação política. De fato um forma de se fazer com que as informações cheguem a população é fazendo a população participar e buscar informações. Mas ainda assim somente isto não é suficiente e muito provavelmente as informações pertinentes não serão conhecidas devido ao caráter sigiloso (sobretudo daqueles que faltam escrúpulos) dado aos fatos por grupos políticos. Diante disso o avanço da regulamentação pública sobre as informações políticas são fundamentais, embora também não sejam suficientes em vista de suas limitações diante da complexidade que abrange as necessidades de informações pela população na tomada de decisão. O fato de a justiça declarar a posse de bens ou mesmo de divulgar se o individuo candidato responde a processos já é um grande avanço. Contudo tais medidas apenas esclarece ao público informações sobre o individuo, mas a capacidade de gestão como apresentar ao público?
Além da necessidade do público o programa proposto de governo pelo candidato é necessário a busca de informações sobre os antecedentes do candidato relacionados as suas atividades. Antecedente no sentido de articulação política, gestão de recursos nos cargos em que ocupa, apresentação de projetos, indicações, dentre outras coisas. Torna-se fundamental no ambit local acompanhar as sessões da Câmara de vereadores, entrevistas em rádios dos entes políticos, panfletos, jornais e mídias eletrônicas. Com o avanço dos meios de comunicação tornou-se mais fácil buscar estas informações, uma vez que normalmente as ações dos indivíduos são rapidamente propagadas. Acompanhar diariamente os acontecimentos locais e os mais abrangentes são fundamentais. Obviamente que toda informação é passível de viés e cabe ao público saber filtrar as informações e mensagens, pois, por exemplo, em cima de um simples dado pode ser fazer inúmeras analises.
Contudo, por mais que se busque as informações, sempre terão informações relevantes que não aparecerão e não irão aparecer porque é do interesse de grupos que elas não venham a público. Enfim, o objetivo é reduzir as assimetrias de informações o que irá fazer com que o eleitor tome uma decisão numa situação de menor risco possível.
Por: Magnum Seixas