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Irmã Dulce: Muito mais do que um milagre





A beatificação da Irmã Dulce dos Pobres foi um dos temas em maior evidência desta semana, em especial aqui na Bahia. Há uma grande comoção na expectativa da primeira santa baiana. Confesso que até eu, mesmo não tendo tendência para o catolicismo, presto muita atenção a este assunto. Não pelo fato de o Papa Bento XVI poder dar um dia o título de santa a freira baiana. Não creio que mude em nada as ações dela ou se realmente poder tiver para intervir pelos vivos com este título ou sem ele o fará. 

Também não quero fazer destas linhas uma discussão religiosa. Longe de mim querer debater a crença de cada um. Portanto, não irei me delongar em milagres atribuídos a pessoa Maria Rita (Irmã Dulce). 

Esta mulher de semblante sereno merece o reconhecimento não só dos católicos, mas de todos que tem noção de tudo o que ela fez pelo próximo. Não deveria ser preciso reconhecer milagres para determinar a santidade. O Anjo Bom da Bahia merece este título o mesmo tanto que alguém que matou a fome de um vizinho. O que ela fez foi isso. Matou a fome e a sede dos necessitados. O único milagre que podemos realmente atribuir a Irmã Dulce, com cem por cento de certeza, é o de salvar vidas, mas através da bondade em seus atos. 

O maior reconhecimento a Irmã Dulce é ajudar as suas Obras. Creio que isso lhe faria mais alegre, mais ainda do que a cerimônia de beatificação. Instalada na Cidade Baixa, no Largo de Roma, as Obras Sociais Irmã Dulce (OSID) é o maior milagre da vida desta mulher, igual a todas as outras, que firmou um compromisso com Deus em prol de ajudar os pobres abandonados a própria sorte. Ela estendeu a mão àqueles a quem os governantes viravam as costas. 

As Obras Sociais Irmã Dulce atendem a milhares de pessoas  e conta com 17 núcleos: tem o Centro geriátrico, o Centrinho que é referência em fissura labial, o Hospital da Criança, o Hospital Santo Antônio (com Centro Cirúrgico e UTI) e Fisioterapia. Lá é sempre o local dos pacientes já cansados de receber um “não” dos outros serviços de saúde. A idéia de Irmã Dulce de que sempre tem lugar para mais um ainda pode ser vista até hoje. 

Nos corredores ou em qualquer canto a presença da freira é sentida através dos quadros espalhados pelas paredes. Todos lá estão sob o seu olhar atento que diz: “Tenha fé. Continuo presente”. Um conforto para qualquer um saber que por ali passeia a bondade daquela mulher. 

As Obras são bem administradas e contam com doações de empresas e ajuda do governo do Estado através do SUS. Também com a colaboração de voluntários como os Anjos de Irmã Dulce e de vários estagiários, internos e residentes, sendo referência em Ensino Médico no Estado. A estrutura é eficiente e o atendimento humanizado e de qualidade. No complexo ainda consta o Memorial Irmã Dulce com o seu legado, incluindo o seu quarto onde dormiu por mais de 30 anos em uma cadeira de madeira por conta de uma promessa. Há também a Capela das Relíquias da Igreja da Imaculada Mãe de Deus onde está sepultado o seu corpo. As OSID ainda contam com o Centro Educacional Santo Antônio (CESA), em Simões Filho, que atende cerca 700 crianças e adolescentes de família de baixa renda. São oferecidos cursos profissionalizantes e ensino fundamental (1ª até 8ª série) além de assistência aos alunos.

Fico muito contente que a Irmã Dulce foi beatificada e que se tornará mais uma santa dentre os milhares do catolicismo. É só mais um reconhecimento do milagre maior da Irmã Dulce dos Pobres: o de ajudar o próximo.



Obras Sociais Irmã Dulce - OSID
Por: Romisson Silva

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