Ao papel do acaso: descoberta, catástrofe, competitividade e investimento em pesquisa
Texto escrito em 01 de julho de 2010, por Magnum Seixas
Quando o economista americano, Michael Porter, esboçou o modelo do Diamante, reforçando os fatores que revelavam a competitividade de uma nação, não imaginou como um fator coadjuvante, o acaso, dos seis apontados, emergiria como fundamental para alavancar a competitividade da economia brasileira. O acaso, no nosso caso, são as opulentas reservas de petróleo e gás em águas ultra-profundas na bacia continental brasileira, e popularizada como pré-sal.
Se os árabes se dão ao luxo de achar petróleo a poucos metros da areia, a Petrobras terá que encarar mais de 7.000 metros para transformar em realidade as descobertas. Para muitos, o principal problema será capitalizar os aproximados US$ 600 bilhões. Bem verdade não seja algo trivial, a capitalização é o menor dos problemas quando defrontada com a necessidade de tecnologia e de formar uma rede de apoio solida capaz de dá sustentação a um desafio sem precedentes para a indústria do petróleo.
Recentemente a catástrofe ambiental que envolveu a British Petroleum no Golfo do México, acionou os sinais vermelhos para a comunidade internacional quanto à produção em água profundas. Se a 700 metros as possibilidades de estancar o vazamento parecem inexistentes, a 7000 metros com o atual estágio tecnológico é algo impossível. Logo a melhor maneira de sair de um problema como este é não chegar até ele. Para tanto os investimentos em tecnologia serão volumosos, especialmente com a segurança ambiental do processo de produção.
Talvez pela primeira vez o Brasil experimente uma avalanche de investimentos em fatores avançados e especializados, assim como numa ampliação expressiva de segmentos correlatos e de apoio a indústria petrolífera. A alavancagem da pesquisa é inevitável, em meio a um país que mal possui os fatores básicos atendidos e acostumados a importar tecnologia. Fazer engenheiros, pesquisadores e especialistas de diversas áreas será essencial e um processo irreversível. Não é uma realidade somente para técnicos e trabalhadores semi-qualificados.
Não serão simplesmente os trilhões de dólares gerados com a produção de petróleo que irão estimular o desenvolvimento do país. A necessidade de romper os paradigmas socioeconômicos brasileiros para efetivar a produção que irão gerar uma nova realidade e caminho a ser seguido pelas políticas governamentais, estas que continuam como fator coadjuvante. O acaso será responsável por tudo aquilo que os governos no Brasil e a iniciativa privada não foram competentes para realizar.
Veja tambem texto de Magnum Seixas sobre:
- Poderá o Brasil com " mal holândes"?
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Magnum Seixas
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