Quinta-Feira da Alegria

As fantasias coloriam as ruas, os homens mascarados espalhavam mistério, medo e alegria por onde passavam. Estava tudo pronto. Já era a Quinta-feira da Alegria.
“Canta, canta e encanta,
Fui acordado pela cantoria dos Velhos Amigos, o único bloco que ainda marca presença desde a primeira farra. Corri até o meu armário, procurei em todos os cantos e...
Roda, gira e pinoteia,
Balança as cadeiras,
Vem nessa hora, Vem agora brincar...”
“Onde está a minha máscara?”
Encontrei-a no quarto dos fundos e o festejo lá fora continuava:
“Acorda, menino!
Pula da cama,
Sacode a preguiça
E vem pra rua dançar...”
Eu estava irreconhecível. Peruca rosa, máscara de monstro, todo de preto e cheio de miçangas e retalhos coloridos. Caí na folia como nunca fiz antes. Vi meninos correndo do Bumba-meu-boi e os velhinhos se esforçando para completar o trajeto, o qual ia da esquina do Rosário até a Antiga Estação.
Dancei, pulei e brinquei o dia inteiro. Meus pés pareciam que já não existiam...de tanta farra não podia senti-los. Porém, mesmo assim não parei um só minuto. No meio da folia, beijos não faltaram. Eu era um homem livre, meu corpo não tinha dono. A todos beijei, mas naquele dia ninguém eu amei.
“Fui pra Estação, ô, ô, ô...
Bebi e me diverti, ô, ô, ô...
Agora de volta estou,
De volta para o Cabaré do Amor”
A fraca luz do Sol e a cantoria das rameiras e dos travestis me acordaram naquela Manhã da Ressaca. Eu estava deitado num dos bancos da praça da Igreja e ao meu redor muitos outros farristas também foram apagados pelo cansaço. Juntei minhas coisas e fui andando descalço de volta para a minha casa. O corpo estava moído e eu pronto para a próxima Quinta-Feira da Alegria.
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A partir de hoje pertenço ao reinado de Momo.
Estarei de volta após o período carnavalesco com matérias que vão dar o que falar.
Desejo um ótimo carnaval a todos.
Curtam com responsabilidade. Bebida e carro só se for no banco do carona.
E sexo só com camisinha.
Deem... valor a vida.
Romisson Silva



