Prefeita pede anulação do empréstimo de R$ 10 milhões
Na última sessão da Câmara
de Vereadores (13), foi lido pela mesa da casa um projeto enviado pela
prefeitura onde pede a revogação do projeto que autorizou a tomada do
empréstimo de cerca de R$ 10 milhões, junto ao DESENBAHIA.
A votação do empréstimo foi
uma das maiores polêmicas na política catuense dos últimos anos. Foram duas
votações em 2011 com a plenária da Câmara de Vereadores, com um imenso público
contrário a tomada do empréstimo. A opinião pública de forma geral caminhou
contrária a decisão que na época havia sido aprovada pelos vereadores.
Naquela ocasião, somente os
vereadores do Partido dos Trabalhadores (PT), Adilson e Seles, votaram contra o
empréstimo, seguindo uma decisão que foi tomada após votação por unanimidade
pelo PT, que compareceu com todos os seus representantes no dia da votação na
Câmara, em protesto. Veja matéria: Em sessão tumultuada, empréstimo de 15 milhões de reais
foi aprovado
O Caso
Ainda no final do ano de
2011, após aprovação na Câmara de Vereadores, a documentação necessária foi
encaminhada ao DESENBAHIA. Tratava-se de uma solicitação de empréstimo no valor
de aproximadamente R$ 10 milhões para ser pago em 10 anos (Inicialmente se
tratava de um empréstimo de até R$ 15 milhões, valor aprovado na Câmara).
A prefeitura de Catu chegou
a licitar as obras que seriam realizadas com a utilização do recurso. Em julho
deste ano foi publicado no Diário Oficial do Município que a empresa GD
Engenharia venceu a licitação, por aproximadamente R$ 10 milhões para
realizar obras de contenção, drenagem e pavimentação asfáltica. Veja matéria: Prefeitura contratou empresa por quase R$ 10 milhões para
execução de obras
Contudo, o empréstimo não
saiu até o momento.
Disputa
na Câmara
Poderá vir mais uma
polêmica. Até o fim do ano ocorrerá mais cinco sessões e pode ser que o projeto
não seja colocado em votação. Dependerá da “boa vontade” do presidente da casa
e da mesa diretora.
Se for para votação a
disputa será apertada e a revogação poderá ser aprovada. Dos vereadores que
votaram a favor, alguns já se posicionaram que votaram a favor da revogação.
Outros afirmam que manterá a posição inicial.
A
opinião pública e o PT
É de pleno conhecimento
geral que a opinião pública foi totalmente contrária ao empréstimo desde o
início, inclusive realizando manifestação dentro da câmara. As conversas também
ganharam corpo a cada esquina da cidade.
Qual será a posição do PT
neste momento também é a expectativa do público. O Partido realizou reunião ainda
na época da votação e todos os membros aprovaram por unanimidade que os
vereadores do partido deveriam votar contrário. Na sessão de ontem o vereador
Paulo de Cacinho fez uma provocação aos vereadores petistas: E agora como vão
votar? De imediato o vereador Adilson gesticulou que manterá sua posição tomada
na primeira votação.
A situação vai mudar
agora? E se não for aprovada a revogação o empréstimo será tomado da mesma
forma?
O que
alegaram os que votaram contra
As principais alegações
dos que votaram contra foi: O empréstimo não é necessário, uma vez que a
situação financeira do município é estável, e as contas municipais mostram
isso; O custo do empréstimo é alto demais para o município; O tempo de
pagamento do empréstimo compromete outras gestões (são 10 anos pagando as
amortizações e juros do empréstimo); O empréstimo era estratégia eleitoreira;
entre outros detalhes.
Uma audiência foi
realizada na Câmara de Vereadores por convocação do PT, no sentido de mostrar
que o empréstimo era danoso ao município. A comunidade participou.
Um abaixo assinado também circulou a cidade e a
internet com o objetivo de tentar obstruir a tomada do empréstimo pelo apelo
público. ( Na internet o abaixo assinado continua ativo, veja: Não ao endividamento de Catu
O que
muda da votação de 2011 e a de agora?
Em termos financeiros e
situação orçamentária da prefeitura nada (veja a análise feita por este
perseguido blogueiro em outubro de 2011: Empréstimo representa ameaça as contas do município que
pode ficar estrangulado).
A avaliação negativa
sobre o empréstimo foi no mesmo sentido pela Assessoria Jurídica da Câmara,
veja matéria: Assessoria jurídica da Câmara alerta vereadores para
perigos do empréstimo de R$ 15 milhões que a prefeitura pretende tomar
O que muda é
politicamente. Os vereadores que votaram a favor do empréstimo em 2011 não
deixaram de ironizar todos aqueles que agora querem o empréstimo. A frase de
maior parte deles foi: Fomos chamados de vendidos, jogaram moedas e agora a situação é diferente.
O vereador Nego foi taxativo ao afirmar que da mesma forma que houve discussão
para construir o debate sobre a aprovação do empréstimo deve ser feito a
construção do debate para o projeto que revoga o empréstimo.
O vereador Nego Bé
relembrou o fato do vereador Nenga do Leite ter recebido os “ Pêsames” na época
do prefeito eleito, Geranilson, por ter aprovado o projeto.
A pergunta agora é: quem tem interesse no empréstimo e por quê?
A pergunta que continua
é: Há necessidade de contrair empréstimo?
O empréstimo considerado
famigerado voltará ao centro das atenções, trazendo novas
polêmicas.




