Curtir esta matéria

Maior parte dos professores de química da educação básica na região de Catu não tem formação na área, aponta pesquisa do IFBaiano – Catu

Imagem ilustrativa
Estudo produzido pela estudante Joelem Carvalho de Melo, do IFbaiano-Catu, orientado pela professora Mirna Ribeiro L. da Silva, apontou que maior parte dos professores que ensinam a matéria de Química nas escolas da educação básica da região de Catu não possuem formação na área. Normalmente os professores que estão ensinando química possuem formação em Biologia ou Pedagogia.  Foram obtidas informações primárias de três escolas da região, sendo as escolas estaduais Isabel de Melo Góes e Pedro Ribeiro Pessoa de Catu e a escola estadual Luis Eduardo Magalhães de Pojuca.

Os resultados deste estudo mostram a necessidade de avanços na formação dos educadores no país de uma forma geral. Especialmente nas áreas exatas existe um déficit elevado, sobretudo nos cursos de química e física. A desvalorização da licenciatura, refletida na baixa remuneração, desestimula a formação destes profissionais. Outro fator que contribui para este quadro deficitário está relacionado a pouca oferta de vagas para a formação de profissionais da área. Poucas universidades ofereciam os cursos, mas a realidade começa a ser modificada com a ampliação das universidades e institutos de ensino. Na região de Catu, por exemplo, a inserção da licenciatura em Química no IFBaiano irá em breve ampliar a oferta de profissionais para atender as lacunas existentes.

Veja abaixo o resumo do estudo intitulado “"Leciono química, mas não fui formada para isso!" ou Sobre a formação de professores de química em escolas públicas da região de Catu-Ba” contemplado na revista Ciência Jovem do IFBaiano-Catu, publicada em dezembro de 2011:

A literatura cientifica da área educacional aponta que a docência é uma profissão que requer do professor uma formação sólida e uma constante atualização, já que esses profissionais ensinarão outros indivíduos a estudar e mediarão a aprendizagem destes. Cada disciplina a ser ensinada exige uma qualificação especifica e, no caso do ensino de química, espera-se que essa formação dê ao professor subsídios suficientes para promover a aprendizagem de forma dinâmica, contextualizada e mais compreensível, realizar experimentos químicos em laboratório ou em sala de aula e ainda utilizar meios e materiais didáticos alternativos de baixo custo (Mello, 2000; Pereira, 1999)
Partindo destes princípios, neste trabalho buscou-se investigar se os professores que lecionam a disciplina de química na educação básica em escolas dos municípios de Catu e Pojuca-BA, possuem a formação requerida por lei, ou seja, se formação em curso superior de licenciatura em química ou se são formados em outra disciplina e ensinam a matéria. 
A pesquisa foi metodologicamente realizada em duas etapas. A primeira consistiu em revisão de literatura a partir de artigos de periódicos nacionais qualificados. A segunda, em entrevistas semi-estruturada com professores que ensinam a disciplina de Química nas Escolas Isabel de Melo Góes e Estadual Pedro Ribeiro, da cidade de Catu-BA e no colégio Estadual Luis Eduardo Magalhães, da cidade de Pojuca-BA, totalizando seis professores entrevistados, todos atuando no ensino de química na educação básica. Após a coleta dos dados foi feita a análise e interpretação dos mesmos e posteriormente se compôs o relatório de pesquisa e este resumo expandido. 
Os resultados das entrevistas revelaram, quanto à formação acadêmica dos docentes pesquisados, que um pequeno número de professores cursou licenciatura em Química, ao passo que a maioria cursou licenciatura em biologia e outras ainda cursaram licenciatura em pedagogia, como mostra o Gráfico 1, a seguir. 
Durante as entrevistas com os professores foi-nos revelado que os não licenciados na área possuem dificuldades em ministrar alguns conteúdos da química e que eles não realizam experimentos químicos em sala de aula, por não terem embasamento suficiente para promover este tipo de atividade. Isso talvez implique em aulas monótonas e em um tratamento dos conteúdos descontextualizados e fragmentado, o que concorre para que os alunos sintam-se desmotivados, percam o interesse pelas aulas e direcionem sua atenção para outros objetos. 
O ideal para o enfrentamento de tal problemática seria que cada professor lecionasse a disciplina para a qual é formado, pois teve preparação para atuar nessa área e cursou disciplinas especificas que em tese lhe permitiriam desempenhar com maior competência o seu papel, já que tem conteúdo e subsídios suficientes para tal. De acordo com os entrevistados, as aulas de química acontecem de forma muito “básica”, pois os profissionais não-licenciados em química não tem segurança para se aprofundarem nos assuntos da disciplina, o que prejudica a aprendizagem e a formação dos estudantes enquanto cidadãos. 

Autor: Joelem Carvalho de Melo
Orientadora: Mirna Ribeiro L. da Silva
IF Baiano Campus Catu
Por: Magnum Seixas