Em Catu: Por falta de visão perdemos as oportunidades e ficamos cada vez mais decadentes
Estamos perdendo a
oportunidade de deixar de trilhar pelo caminho da decadência. Na semana passada
o Expresso Catuense divulgou duas notícias que deveriam ser de total interesse
da comunidade catuense. A primeira foi referente à procura de um local para se
instalar por um complexo que abriga 64 empresas da área de petróleo – a Rede
Petro. A segunda notícia teve a ver com a chegada de uma empresa canadense de
sondas de petróleo ao município de Alagoinhas e que de cara irá gerar 200
empregos direto. Existem duas perspectivas bastante interessantes que destes
fatos devem ser captadas, uma levemente positiva e outra profundamente
preocupante. A positiva está relacionada ao retorno do investimento a produção
de petróleo em terra na Bacia do Recôncavo Baiano, baseado em um conjunto de
esforços que buscam afastar o sombrio cenário da extinção da produção na
região. A negativa e bastante preocupante se relaciona com inércia do município
de Catu e sua incapacidade de atrair novos investimentos neste segmento,
enquanto os municípios vizinhos, com menos tradição nesta área, abocanha os
novos investimentos.
De fato o município de Catu
constitui-se de atributos favoráveis a atração destes investimentos que foram e
vão parar em municípios vizinhos. Temos o maior contingente de trabalhadores
especializados na exploração de petróleo da Bahia – aspecto relevante nas
escolhas das empresas-, a ponto de exportarmos mão de obra para as grandes
áreas produtoras, em especial a Bacia de Campos no Rio de Janeiro; estamos numa
localização privilegiada, isto é, próximo dos principais campos de produção do
estado; e, sobretudo, abrigamos uma gama de empresas prestadoras de serviços
que são demandantes e ofertantes de bens e serviços especializados. Ainda
assim, apesar de todos estes aspectos favoráveis, temos problemas cruciais.
Destaco dois. O primeiro e mais importante é a ausência de infraestrutura
adequada para abrigar novas plantas produtivas. O segundo e não menos decisivo
é a incapacidade da gestão municipal de perceber que é função dela torna o
cenário adequado para a atração de novas empresas, a lição que tem sido feita por
outros municípios. Pergunto: Nos últimos 10 anos quantas empresas se instalaram
em Catu a partir da iniciativa e negociação das administrações municipais? Agora,
olhe para o lado e observe nestes mesmos 10 anos quantas empresas se instalaram
no município de Pojuca, Alagoinhas e até mesmo São Sebastião do Passé a partir
da iniciativa municipal.
Engana-se quem pensa que os
esforços devem ser amplamente canalizados para atração e expansão do segmento petrolífero
no município. Em tese, a única certeza que podemos ter é que: o município da
região que concentrar seus esforços nas atividades petrolíferas terá um futuro
angustiante. Baseados em nossas atuais reservas de petróleo (reservas provadas de petróleo em torno
de 239 milhões de barris e as reservas totais de 500 milhões de barris), as projeções mais otimistas dão 33 anos de vida útil
a estas atividades na Bahia e as mais pessimistas que em 2024 já não teremos
mais o que extrair com viabilidade. O meio termo entre estas projeções é o mais
coerente. Primeiro por observar os avanços tecnológicos que ampliam as margens
da viabilidade econômica das reservas. Mas a produção de forma atrativa para os
grandes negócios será cada vez mais reduzida, deixando espaços apenas para
empresas que aproveitam a produção marginal. Muitos se iludem ao acreditar que as
recentes descobertas esticaram para um futuro longíguo a decadência. Não há
dúvidas que dá uma sobrevida, mas há muito deixou de ser prioridade dos
principais investidores, a se falar a Petrobras. Os números mostram a
decadência tocando a campainha. Em 1970 produzíamos na Bahia 150 mil barris de
petróleo por dia; em 1980 a produção declinou para pouco mais de 80 mil
barris/dia; em 1990 para 66 mil barris/dia; em 2000 para 47 mil barris/dia; e
em 2009 para 43 mil barris/dia. Crescemos para 44 mil barris/dia em 2011, e
talvez daí deva vir à ilusão. Lembro quando, em uma rara e talvez única,
conversa que tive com a Magnífica (Pronome de tratamento destinado a reitores
de universidades – a ela, dona de faculdades de saberes únicos e tácitos; e que
torço para que não seja proliferados), e este reles discorria sobre coisas
referentes a estagnação das atividades de petróleo na região, explanadamente me
afirmou: “Não! Tem várias novas descobertas. Inclusive tem uma empresa
perfurando lá em minha fazenda”.
Mas isso não vem ao caso. O
cenário colocado é importante para avaliar a tese que vou encampar. Há muito o
município de Catu deixou de diversificar sua produção em outros segmentos a
partir das benesses que a economia do petróleo lhe proporcionou. Hoje a
capacidade é menor, mas é necessário. Em outras oportunidades nesta mesma
coluna pontuei a necessidade de se estimular outros setores econômicos,
sobretudo, os segmentos como Comércio, Serviços e outras atividades industriais
fora da produção do petróleo. Não é uma tarefa fácil e não podemos crucificar o gestor A ou B, por não ter conseguido. Mas podemos acusar os que não tentaram.
Catu sofre de uma doença muito semelhante em alguns aspectos à conhecida ‘doença
holandesa’, que tem como produto os problemas de não se conseguir converter a
descoberta/produção de uma grande riqueza em benefícios a população – e pior,
torna a região extremamente dependente daquela fonte de riqueza, normalmente um
recurso natural.
Depois de muitas voltas,
voltemos ao ponto central e encampemos a tese. Vista a concentração econômica
do município à atividade petrolífera, vista a pouca capacidade financeira e
gerencial para diversificação e, principalmente, que o município ainda
apresenta importantes vantagens para o setor de petróleo e gás, seria
extremamente interessante absorver estes novos investimentos do setor na
região. Primeiro porque resolveríamos um problema imediato que é a geração de
emprego. E segundo porque estes investimentos gerarão recursos para
possibilitar a diversificação. Contudo são medidas que contêm mais componentes
de curto do que de longo prazo. O longo prazo deve ser pautado pelas
perspectivas de diversificação da nossa capacidade produtiva e de reduzir nossa
dependência da industria do petróleo. Não é um contra-senso buscar estes
investimentos por agora, serão apenas um meio para poder viabilizar o processo
de diversificação. Será extrair das nossas vantagens competitivas atuais a sobrevivência
e capacidade de competir em um modelo diferente no futuro. É fazer com maiores esforços
agora o que poderíamos ter feito com menos dificuldade no passado.
A Calmena, empresa canadense
que acabou indo para Alagoinhas, tem todas as características para está
instalada em Catu, afinal já abrigamos as principais empresas nacionais de
sondas de perfuração terrestre – Perbras e San Antonio. Não é egoísmo de querer
que estas empresas venham para Catu e não para Alagoinhas ou qualquer outra
cidade, nem mesmo inveja. Trato como uma perda para Catu a medida que nós temos
a especialidade neste setor. Alagoinhas a especialidade é outra, embora haja um
amplo esforço para diversificar as atividades. A mesma coisa quanto a
REDEPETRO, seria tão interessante para CAtu quanto para a rede a sua instalação
no nosso município.
O que não podemos é ficar
inertes a um futuro cada vez mais presente em nossa realidade. Vivenciamos o
dilema da necessidade de buscar novos rumos, mas que também perpassam pelo
tradicional como via. Temos que conviver com a certeza que a atividade petrolífera
em nossa região não irá durar muito tempo. E o que iremos fazer? Deixar chegar
ao fundo do poço para verificar que lá não tem mais petróleo?
Por: Magnum Seixas






