Placa do Lar Mãe Corina é arrancada por empresário que alega calote da gestão do ex-prefeito Antônio Pena
Um fato no mínimo pitoresco criou polêmica em Catu. O tradicional abrigo de idosos do município, Lar Mãe Corina, teve sua placa de identificação arrancada na manhã da última quinta-feira (20), pelo senhor popularmente conhecido como “Louro Papavento”, figura conhecida no meio político e que possui empresa que costumeiramente presta serviços à Prefeitura.
O Lar Mãe Corina é de responsabilidade da Paróquia Santana de Catu e abriga atualmente nove idosas. Segundo a Secretaria Paroquial, o prédio foi doado por uma tradicional família do município à Paróquia, com a exigência, a qual estaria comprovada em documentação, de que o nome da instituição que ali se instalaria levasse o nome da família doadora, Corina. Já a Casa São Vicente pertencia à Congregação Vicentina, que cedeu para a Paróquia Santana de Catu, há muitos anos. O local já funcionou como Casa de Passagem, Maternidade e agora abrigo para idosos.

Louro que ex-prefeito não pagou o serviço contratado.
De acordo com os responsáveis pelo abrigo, Louro Papavento alega que teria prestado serviço na construção do abrigo, em 1995, ainda na primeira gestão do ex-prefeito Antônio Pena, mas que até hoje não teria recebido pelo serviço. Informaram ainda que como contrapartida pelas perdas provocadas pela gestão do ex-prefeito, Louro exige que se coloque o nome da sua mãe no prédio, como homenagem. A placa arrancada e levada por Louro continha o nome da instituição “Lar Mãe Corina” e o ano da fundação.

Este outro prédio também é de responsabilidade da Paróquia e abriga temporariamente as idosas, durante a reforma da Casa São Vicente.
São dois prédios sob a responsabilidade da Paróquia, ambos localizados no Comércio, nas proximidades dos Correios. Um dos prédios leva o nome “Lar Mãe Corina” e o outro “Casa São Vicente”. Atualmente, os prédios estão destinados a serviço de abrigo para idosas da instituição Lar Mãe Corina. A Casa São Vicente está em reforma e é nela o centro da polêmica.
Na tarde da última sexta-feira (21), o Expresso fez contato com Louro Papavento por telefone, que confirmou o arranque da placa. “Nunca recebi um centavo [...] com tudo meu na construção”, alegou Louro. Que relatou ainda que a obra foi executada no ano de 1995, já entrou na justiça, mas nunca teria recebido se quer um documento em resposta. Louro nos confirmou que de fato a relação da obra foi com a Prefeitura, mas que o padre da época não teria ajudado na resolução do problema.
Sobre a homenagem a sua mãe no abrigo, Louro confirmou o pedido alegando que seria uma justa homenagem por todo o serviço prestado por ela na Pastoral da Criança, assim como ele sempre ajudou as questões da Igreja no município. Questionado sobre a impossibilidade de mudar o nome do abrigo, Louro diz que o prédio não é o que se refere o documento de doação. Para Louro, o prédio ao qual realizou a obra era uma antiga maternidade e que a casa doada a qual se referiu a Paróquia é o espaço em que atualmente estão os idosos, devido às reformas, em frente aos Correios.
O Padre Jaime era o responsável pela Paróquia na época. Na manhã desta segunda-feira (24), o encontramos na Secretaria Paroquial e o assunto já estava em discussão com a secretária Paroquial Denise Barbosa. Relataram ao Expresso que este caso é antigo. A obra teria sido realizada pela prefeitura, que reestruturou o prédio após o fechamento da maternidade, devolvendo-a à Paróquia. Segundo a secretária paroquial, a prefeitura iniciou as obras após a intervenção com pedido da catequista Celeste da Mata junto ao prefeito Antônio Pena. Desta forma, toda a relação da obra foi entre a empresa de Louro e a Prefeitura.
Ainda de acordo com informações da Paróquia, pouco tempo depois da entrega da obra, alegando não ter recebido o dinheiro do serviço, Louro chegou a ocupar a casa por cerca de um mês, sendo retirado por uma ordem judicial. Denise informou ainda que pouco tempo depois de terminar o mandato do ex-prefeito Antônio Pena, já no mandato do ex-prefeito Nardson, Louro teria procurado o prefeito para cobrar a dívida, mas Nardson teria informado que caso o mesmo tivesse documentações comprobatórias do serviço efetuaria o pagamento. O mesmo teria sido feito pelo Padre Jaime na época, que informou que caso Louro comprovasse a pendência da Paróquia com a empresa que o pagamento seria efetuado.
A Secretaria Paroquial da Igreja informou que está em processo um levantamento de documentos para adotar as medidas cabíveis e que uma nova placa está sendo confeccionada para a reinauguração do abrigo e há a intenção de unificar o nome dos prédios para “Lar Mãe Corina”. A unificação depende apenas de averiguar as possibilidades por meio das documentações existentes, uma vez que na prática as atividades do Lar Mãe Corina já vinham funcionando na Casa São Vicente.

Reforma está sendo realizada com recursos de convênio com o Governo do Estado.
A atual reforma do abrigo está sendo custeada com recursos repassados a Paróquia pelo Governo do Estado, em função de um convênio firmado ainda no ano de 2011, que prevê um repasse de R$ 3 mil mensais para custeio do programa voltado para idosos. Os recursos se acumularam em cerca de R$ 80 mil desde o início do convênio e o recurso foi destinado para a reforma do abrigo, completou Denise.
De acordo com os representantes da paróquia caso exista a dívida mencionada por Louro não teria relação com a Paróquia, mas seria de responsabilidade da Prefeitura, a qual teria contratado o serviço na época. Sobre a situação, o Padre João se mostrou bastante surpreso com a atitude de Louro afirmando que esperará o mesmo ficar mais calmo e que ele possa devolver a placa ao abrigo. Ainda assim, o Padre João fará o levantamento de todos os documentos junto com o Padre Jaime, responsável pela Paróquia na época da reforma, para comprovar que não existe nenhum débito entre a Paróquia e a empresa de Louro.




