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A reinvenção da tradição

Ainda me lembro bem daquele rito mágico que era sentar na porta de casa, assar milho na fogueira, chupar laranja e comer amendoim com a família e os vizinhos ao redor. Ainda me lembro bem do som renitente da zabumba; do acordeom e do triangulo. As roupas quadriculadas; as calças com remendo e os rostos pintados. Ainda lembro o pedacinho de fita isolante no dente. Ainda me lembro bem do gosto da canjica da vizinha a qual chamava de tia, e do bolo de fubá também. Lembro bem do cheiro da fumaça que emergia da fogueira sustenida; das bandeirolas e dos balões multicoloridos cortando em ornamento os céus da rua. Lembro também das hastes de bambu usadas para ornamentar as entradas das travessas. Ainda me lembro bem das quadrilhas – não de bandidos – que animavam as festas; do casamento na roça e mais. Hoje tudo isso é démodé. Hoje tudo isso é retro. Sobrepujado pelo São João industrial, fomentado pela indústria cultural. Hoje as grandes bandas prevalecem, mesmo que compartilhem espaços com os tradicionais. Hoje a Bahia se comparada com outras capitais nordestinas tem se apegado menos aos festejos juninos tradicionais. Ainda me lembro bem... mas já não vejo mais.

Por: Rafael Rosa 

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