ESPAÇO DO LEITOR: Das lições da Marina: uma bicicletinha resolve
Texto enviado pelo leitor Everton Avelino.*
Ciclovias e bicicletas são medidas urbano-ambientais pontuais, postas em prática no governo atual, atendendo as sugestões deixadas na última derrota de Marina Silva (PV) na corrida à presidência do Brasil. Na campanha da ex-ministra houve a defesa de uma ‘terceira via’ – a via da negociação, do não-enfrentamento – entre um modelo radical de mudanças estruturais e o do que está aí, de profundo desgaste ambiental incontido. Existiu, na verdade, uma esquiva do enfrentamento necessário aos problemas ‘cabeludos’ impostos por uma tradição (capitalista) que respira consumo e se alimenta da degradação. A campanha derrotada da ex-ministra Marina encardenou sua postura e tem no governo Dilma seu principal consultor.
Numa palavra, o atual mandato aposta no modelo do possível, e não do transformador e sincero. Sanciona projeto de construção de 5 usinas nucleares em 50 anos (uma na Bahia, inclusive). Não contesta e, pior, não subverte um modelo agroexportador tipo ‘Brasil para os outros’ e comida cara e fome para os seus. Condescendência no novo código florestal pornográfico que quer continuar tratorando a Amazônia. Esquecimento da Mata Atlântica (onde quase 90% do Brasil vive) e dos agricultores em família. Os exemplos se multiplicam e revelam a cara anti-verde do governo.
Foram R$ 12,2 milhões repassados entre 2005 e 2008 no país inteiro aos projetos que integram o programa do Ministério das Cidades, Bicicletas Brasil (A Tarde). Mais R$ 4,4 milhões foram só para construir ciclovias integradas à rede de transporte público, a fim de desafogar o trânsito e melhorar a qualidade do ar. Como se vê, aposta-se e financia-se medidas pontualizadas, reclamadas pela classe média do calçadão de Copa-Cabana, decerto. A Bahia e seu interior também não estão de fora, pois Lívia Gabrilelli, diretora da Conder, em entrevista ao A Tarde (05/06/2011), chega a assegurar que as cidades do interior do estado serão contempladas. A iniciativa leva o nome de Cidade Bicicleta e pode ser solicitada mediante projeto pelos municípios, inclusive Catu. É tentadora a adesão para uma cidade com cerca de 10 mil carros numa população de 51mil. Rezemos, então, pela cartilha de Marina endossada por Dilma. Façamos como a presidenta, já que não há maiores problemas urbano-ambientais por aqui que, de fato, uma bicicletinha não resolva né mesmo! Nossas ladeiras agradecerão.
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