Curtir esta matéria

ESPAÇO DO LEITOR: Penismo, uma nota de falecimento

Texto enviado pelo leitor Everton Avelino.*

O Populismo é regra e cartilha renovada dos processos políticos eleitorais nacionais. É parte orgânica das características que compõem nossa débil democracia. Encontrou no Brasil sua fase de esplendor, sem dúvida, nos quase vinte anos dos governos (ditatoriais) de Getúlio Dorneles Vargas – dito “pai dos pobres, e mãe dos ricos”. Os especialistas referem-se a este modelo político e de governo empregado como “Getulismo”. Num nível regional, o exemplo mais pulsante e recente, fora Antônio Carlos Peixoto de Magalhães – o “ACM”, “cabeça branca”. Este último fez escola e é acusado de ser o ideólogo do chamado modelo “Carlista” ou “Carlismo”.
No país, os representantes são inúmeros e não param de surgir. Talvez o último grande acrônimo do populismo nacional seja o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – o “companheiro Lula”. De uma posição ideológica não nomeada, dita de esquerda, segundo analistas, com o Partido dos Trabalhadores, reavivou o fenômeno do populismo como traço de um governo encarnado pelo denominado “Lulo-Petismo”. Numa cronologia espaça e em exemplos citados, portanto, o “getulismo”, o “carlismo” e o “lulo-petismo” foram fenômenos capazes de pontuar ou repontuar o Populismo na cena da política nacional, pelo menos, nos últimos 80 anos.

Segundo Francisco Weffort (2003), em se tratando do Populismo enquanto regra organizadora da política nacional, a figura do líder político carismático e a ideia da ‘manipulação das massas’, não podem ser negadas como suas características. No entanto, Weffort, um especialista, nega a existência da “manipulação absoluta das massas” por este líder, já que o próprio populismo teve que conviver e abrir espaço para a pressão, a emergência e a participação popular. No caso específico do governo Lula, segundo o professor mineiro Rudá Ricci, este “não gostou da participação popular”. Rudá se refere ao lulo-petismo como sendo um “neogetulismo” e diz que não se encerrou em 2010 com a sida do presidente.
Atualmente, Antônio Pena – dito “Pena”, com vida pregressa de intensa participação na política de Catu, seria o representante herdeiro do fenômeno do Populismo no município. Ao lado de Maria Luiza Laudano e Manoelito Argolo, outros exemplos locais, ao senso comum, seus governos foram vistos como positivos, mas marcado por contrastes. 2012 será um teste para a existência de uma espécie de Penismo na cidade, pois “Pena”, ao que se sabe, articula-se para uma candidatura no pleito vindouro. Talvez a inexplicada presença de um Penismo por aqui seja um sintoma positivo de uma confusa pressão e vontade de participação popular sim. Provavelmente ganha força o Penismo com a revolta pela ‘falta de opções’. Os catuenses encontraram no Penismo, diriam, uma forma estratégica de manifestar e mostrar o descontentamento. Espero que não seja o Penismo um hino local de morte (nota de falecimento) pela falência do modelo de democracia representativa que não representa ninguém também em Catu.

*Os materiais publicados neste espaço não refletem necessariamente as idéias e opiniões do Expresso Catuense.