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ESPAÇO DO LEITOR: Aos ditos intelectuais de Catu


Texto enviado pelo leitor Everton Avelino.*

  Há no município um assalto à atividade intelectual, seja ela livre ou engajada, não nos enganemos. O ativismo existe numa zona abissal, profunda, e muito raro vem à superfície. A linha do tempo em Catu não se fecha em exemplos tímidos e engolidos. Sua história e também sua contemporaneidade não devem nada a ninguém. Literatos, abolicionistas, poetisas, pensadores livres, cordelistas, economistas, historiadores, ‘cientistas’, juristas..., a investida aqui não daria conta sozinha de enumerá-los.
  É errônea a crença segundo a qual “intelectual gosta de miséria”, pois inúmeros foram os que se voltaram a combatê-la. Não escapam dos grilhões das classes sociais das quais remanesce e não são hábeis em compor classes. Por aqui isto é evidente, pois seus ramos e submundos os consomem a ponto de não lhes permitir mais nada. É chegada a hora de banir da terrinha esta tradição, criticada por Paul Sartre a mais de quarenta anos na Europa, segundo a qual o engajamento não tem nada haver com atividade intelectual por sacrificar-lhe o tempo. Aliás, fora Sartre o ‘descobridor’ na América Latina de um tipo de intelectual avesso ao europeu capaz de empunhar um fuzil: Che Guevara.
  Vontade existe, mas o imperativo da sobrevivência amarga-lhe a boca. Num lugar cuja perseguição está antevista em sua constituição, o impulso é amordaçado pelas forças negativas das circunstâncias. “Egoesclerose, diria o professor Hermógenes”. Como o índio de Caetano permanece oculto quando são urgentes e óbvios. Gigantes mortos em vida, diminuídos pela escolha da rotina vulgar. Catu precisa dos seus intelectuais inflando-lhe o peito. A ditadura a ser respeitada é aquela vozinha soprando dentro da cabeça, apelidada por Ghandi de consciência. O município precisa dos seus como nós precisamos dos pães.                                            

*Os materiais publicados neste espaço não refletem necessariamente as idéias e opiniões do Expresso Catuense.