A Ordem no Discurso!
Ouvir o tilintar de agulhas, pregos e farpas. Saiam daquela voz, cuja beleza e temperança acalantaram os ouvidos dos pedintes a sete anos atrás. Ouvir arrogância, petulância e cólera. Ouvi o timbre da guerra; o vibrar de cordas, vocais, do discurso retórico. A bandeira do Real foi eleita para enaltecer o ego administrativo. Uma função a ser cumprida. Não a ser exaltada. Ouvi demagogia, enganação de uma bandeira que se bem explicada, hasteada não permanecerá. Enquanto ouvia o engrandecer do ato. Ratos passeavam pelas cumeeiras do meu quarto. Pilhavam meu queijo e deixavam um rastro. Enquanto escutava as agulhas, pregos e farpas farfalharem ao chão, a ordem do discurso firme, veemente e impositor me faziam ter náuseas. Coceiras e asmas. Enquanto ouvia aquelas palavras, perdi minha identidade, meu CPF, CNH. Me perdi. Agora me sinto um anônimo. E se aquele discurso convencer alguém... Meu Deus! Deixo de ser eu!
Por: Rafael Rosa
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