ESPAÇO DO LEITOR: Explosão da homofobia em Catu
Texto enviado pelo leitor Everton Avelino.*
Catu: município baiano e homofóbico. O Grupo Gay da Bahia (GGB) não exita em afirmar que o estado é o mais violento dos entes homofóbicos do Brasil, segundo dados de 2008-2009. O número de assassinatos de homossexuais e travestis, entre os baianos, supera os 120 por ano. Trata-se de uma quantia calculada a partir de jornais e internet, pois os órgãos oficiais baianos carecem de números acerca do problema, o que acaba por comprometer levantamentos precisos. Se mesmo os casos de assassinatos (ato extremo e ultimário) não são capazes de construir estatísticas seguras, o que dizer sobre os casos de ignorância e intolerância diárias? Como mensurar, então, os exemplos que se revelam (ou tentam esconder-se) numa piada, num olhar, num gesto de escárnio ou de exclusão velada?
Ainda que não se saiba sobre sua exata definição, a Homofobia já é capaz de deixar rastros profundos e, normalmente, regados a sangue. Consolida-se, cada vez mais, como sinônimo de guerra contra aqueles que não partilham de uma orientação sexual predominante (os “heteros”). Marcelo Cerqueira, presidente do GGB, definiu-a “como uma espécie de racismo sexual baseada na ignorância e na intolerância machista que só considera normal a heterossexualidade, desprezando e discriminando os gays, lésbicas, travestis e transexuais.” Marcelo, ainda, entende que a violência decorre do fato de que “todo homófobo tem problemas sexuais: alguns matam para provar que são machos de verdade!”
Catu caminha de mãos dadas e a passos largos com a intolerância sexual. A cidade está sendo inundada por uma onda de homofobia, e vive seus dias de dilúvio. Seu nome de batismo é de um tupi-guarani clássico, mas sua sociedade é marcada pelos traços católicos e neopentecostais que tanto valorizam e sustentam um modelo que acredita na “sagrada família”. Tais traços (familiares e cristãos) se sustentam em projetos já falidos e esvaziados, e não por obra do homossexualismo. O modelo “pai”, “mãe” e “filhos” já não explica nem a si mesmo, ainda menos aos outros.
Não existe mais “a família”, o que existe é homofobia. Qual gay (em sentido amplo) desta cidade, mesmo os “revelados”, que não se sente ou se sentiu clandestino na família ou na sociedade por conta de sua orientação? Sexo não é igual à sexualidade e a biologia não explica o desejo. Catuenses não devem sorrir para os que vêm e só interpretam os novos kits anti-homofobia do Ministério da Educação como ‘kits-gays’. Embarquemos na arca embalada pela mesma onda que briga para que a legislação do país avance e supere seus problemas, e que possui os movimentos nacionais GLBTS e o deputado federal Jean Willys como expoentes à sua frente. O sangue da homofobia deve banhar a cidade inteira quando for assassinada pelos convites e pelas notícias do primeiro casamento homoafetivo de Catu.
*Os materiais publicados neste espaço não refletem necessariamente as idéias e opiniões do Expresso Catuense.
**Imagem extraída do banner da 1ª Parada gay de Catu realizada em 2010.
**Imagem extraída do banner da 1ª Parada gay de Catu realizada em 2010.
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