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Ano começa quente na Câmara de vereadores de Catu. Identidades reveladas


Nesta terça-feira, se iniciou os trabalhos do legislativo, além de apresentar o novo presidente da casa, Alex do Hospital. A sessão iniciou solene, grupo teatral, pastor evangélico, grupo de dança que por problemas não pode se apresentar, saudações aos “ilustres” representantes e ex-representantes da cidade, apresentação dos vereadores e todo aquele processo etiquetado ao qual estamos acostumados. Mas quando a situação não anda bem e o clima de inquietude está pairando pela cidade, era de se esperar que a monotonia não durasse muito tempo. E não durou!
Espaço cedido, e a prefeita do município, iniciou cumprindo o ritual de uma sessão solene, parabenizando o novo presidente da casa e reafirmando o compromisso entre executivo e legislativo para continuar as transformações no município, que a prefeita mais a frente iria destacar. Seria o ponto de inquietude, porque o clímax foi atingido ao Vereador Adilson Mota solicitar o espaço ao presidente da casa. Oposição a gestão, o vereador debateu os pontos colocados pela prefeita e a parti daí, todas as caras vieram a público. Quem é quem ficou claro ao público e quem era o público ficou claro aos entes políticos.
Talvez não fosse aquele o momento para um embate político e nem mesmo para promoção politica de gestão. Incorreram por algum destes preceitos e abriu-se precedente para uma metamorfose do espaço, abriu-se espaço para a contestação. Se não era o momento, com toda certeza era o espaço, que há muito não tinha público tão grande. Claro que as vezes fica complicado exigir uma “câmara cheia” a dois dias de findar o ano, mas desta vez se foi por obrigação de consciência ou de subserviência boa parte acompanhou e mais que isso explicitamente se percebia um forte movimento autônomo que expressava nos seus gestos e faces, a mescla do tédio daquilo que estas sessões representam normalmente, mas também a esperança de que o clamor diário fosse nem que por instante incitado. E foi!
Em meio à promoção de trabalho e descuidos da inocência politica, surgiram temas que inevitavelmente não há justificativa, por mais que exista, que faça com que uma população inconformada não reaja, sobretudo quando notam num daqueles sentados nas confortáveis poltronas de seção, dizer o que queriam ouvir. Farmácia Popular, Samu, Escolas fechadas, serviços como iluminação publica e abastecimento de agua precário, alto índice de violência, etc.
Por sinal, um dos temas que repercutiu e multiplicou-se foi em referência a Farmácia Popular. Segundo a prefeita, a unidade ainda não foi implementada por falta de espaço para instalação da unidade, que deve pertencer ao município, elucidando a tentativa de conseguir área junto a Petrobras sem sucesso. A partir deste ponto abriu-se um leque de discussões, talvez inesperadas para muitos. Um primeiro importante fato apresentado após dois anos de gestão na Câmara, foi o posicionamento do vereador Seles, sempre muito educado e atento ao que direciona, apontou que os principais setores de sustentação da sociedade precisam de profunda atenção e que pouco avançaram nestes anos. Um posicionamento que parece mostrar novos caminhos e arranjos ao movimento oposicionista no município.
Mas de fato, a contundência da afirmação ficou por parte do vereador Adilson, ao questionar com veemência a problemática da Farmácia Popular ao se respaldar no posicionamento do Ministério da Saúde ao município de Catu, que segundo este, está preste a ser desabilitado do programa, uma vez que o recurso foi transferido em 2009 e nada foi implementado. A despeito da UTI móvel (unidade avançada) do SAMU a crítica não foi, como não poderia ser, menos forte. Já aquele momento, sob aplausos espontâneos de um movimento autônomo, o vereador continuou a trazer questões emblemáticas sobre a gestão e sua relação com o legislativo. Notadamente aquele movimento ampliou o clima tenso entre os vereadores e demais representantes do município.
Vereadores, que declaradamente, se posicionaram do lado da atual situação politica no município, logo se prestaram a defender-se das questões trazidas pela oposição, naquele momento representada pelo vereador Adilson. Vereadores como Nego Bé e Nego, foram os mais enfáticos na defesa e com ânimos exaltados não esquivou-se de trazer acusações contra a oposição. Sobretudo acusações de não cooperar com as transformações, mudanças e processo revolucionário que o município vem passando.
Por fim, o que de fato se pode observar daquela sessão, que apesar de parecer que se tem um grupo de coalisão a situação do município, este não irá durar muito tempo. Já nesta sessão, muitos fizeram, o que em dois anos não demonstraram, que é declarar-se em publico a que segmento politico pertencem. Este ano já começa os movimentos visando às eleições de 2012, movimento que se acelera internamente dentro da câmara, sobretudo a busca pela reeleição, que para muitos representara o afastamento do caminho que traçaram até agora. Isto porque, caminhar numa coalisão do tamanho em que se formou no município é perigoso, sobretudo por ver que os resultados sobre a ótica da população não são positivos. Quando não há divergências é sinal de que tem muita coisa errada, não podemos acreditar que algo é tão bom que não possa ser melhorado. E por mais que achem que a memória do povo é curta, dois anos talvez não se apague em mais dois.
Por: Magnum Seixas