Acorda, Mulé!
Estou analisando o cenário cultural da cidade de Catu.
Pausa dramática.Uma pausa maior ainda.
Sinto falta do que analisar.
Já estou vendo o fiel escudeiro (alguém que mama nas tetas da cidade) dizendo que tem o Show Gospel, o São João (fraco, por sinal) e muito mais (o que só Deus sabe). Tudo bem. Em outro momento analiso esses eventos gloriosos. Hoje quero falar do dia a dia da cidade.
Se for analisar pelo aspecto de que cultura é tudo aquilo que emana do povo e o caracteriza, então Catu é uma cidade riquíssima.
A cidade não precisa de um imponente teatro nem de uma festa de largo estrondosa para dizer que a cultura está viva. Tudo é uma questão de valorizar as suas manifestações, as particularidades que caracterizam o seu povo. Não se pode é acreditar que o passado simboliza atraso, até porque o retrô está na moda.
Não nego que existem aspectos culturais que com o avançar dos tempos tem mesmo que sair de circulação. Exemplo prático é o cortejo fúnebre que percorrem as ruas da cidade. Faça chuva ou Sol lá estão os chorosos a levarem o seu defunto. E ainda tem a história de que não podem chegar pelo fundo do cemitério, levando a todos a darem uma volta maior em vez de pegar um atalho. Não seria muito melhor, e mais respeitoso, se tivessem um cemitério capacitado a realizar o velório em seu interior?
Lembrando da recente Festa de Reis. Podemos colocá-la na agenda cultural da cidade? Sim, podemos e devemos. Porém, o que ela, nos moldes atuais, representa? Qual a importância dela para o crescimento e valorização intelectual dos indivíduos? Jogam as pessoas à própria sorte em um espaço precário, sem a segurança necessária para simplesmente dançarem por dançar. Que me perdoem os seus admiradores, mas não a recomendo ao meu pior desafeto.
Valorizar o teatro, promover eventos populares, concursos, gincanas, resgatar o folclore... Não. Eu não sou um político fazendo as promessas de campanha. Esta parte de prometer e não cumprir eu deixo para quem entende muito bem do assunto... Acorda, Mulé!Fico devendo um guia cultural do fim de semana. Não quero acreditar que os catuenses só têm a Aruanha ou os bares para se divertirem nas horas vagas. Não quero acreditar que Catu é uma cidade de uma praça só. Está na hora de apertar o play.
Por: Romisson Silva





